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“A GRANDEZA DA RIBEIRA SECA FOI ALCANÇADA, ATRAVÉS DA SUA CULTURA E DAS SUAS GENTES”

O Dia da Freguesia da Ribeira Seca foi assinalado a 25 de outubro, depois de dois anos de interregno, fruto da pandemia que assolou o país e o mundo. Esta data, contemplou uma sessão solene, que decorreu no Salão Nobre da edilidade e culminou com a assinatura de protocolos de apoio de cooperação com duas instituições locais, nomeadamente o Grupo 111 da Associação de Escuteiros de Portugal e o Atlético Desportivo de São Pedro. Durante a cerimónia, José Manuel Aguiar, líder dos destinos desta localidade, ressaltou os mais diversos projetos, que pretende implementar neste território, tendo em vista promover mais qualidade de vida para a população.

 

A celebração do 446º aniversário de elevação da Ribeira Seca a freguesia culminou com uma sessão solene, que decorreu no passado dia 25 de outubro, no Salão Nobre do edifício-sede da edilidade. A cerimónia ficou marcada pela presença de Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Octávio Torres, diretor regional da Cooperação com o Poder Local, em representação de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo dos Açores, Norberto Gaudêncio, presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande, vereadores da autarquia ribeiragrandense, deputados regionais e presidentes de Junta, entre inúmeros representantes de entidades civis e militares.

A Ribeira Seca afirma-se como sendo uma freguesia citadina do concelho da Ribeira Grande, com tradições seculares, caracterizada por uma população jovem e dinâmica, que se orgulha de promover os seus valores, nos diversos domínios da cultura.Terra de São Pedro e das suas Cavalhadas, de enorme fé, resiliência e dinamismo, esta localidade é, hoje, uma porta de entrada, do lado poente, para a cidade da Ribeira Grande e um dos locais mais procurados do concelho, tanto por turistas, como por investidores ou desportistas.

O presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande, Norberto Gaudêncio, foi o orador convidado da comemoração do Dia da Freguesia, que teve como objetivo homenagear todos os que, pensando em primeiro lugar no povo, passaram por esta mesma Junta, e agraciou o público com uma viagem até ao passado, história e cultura deste território de tradições.

Mencionando o impacto negativo que a exploração de areia na Praia de Santa Bárbara teve na freguesia, o ex-autarca da Ribeira Seca recordou que, na altura, “a areia foi tirada até à exaustão e quando só havia pedra, a capitania, ou quem de direito, resolveu parar, então aquilo ficou parado durante uns tempos e os camiões velhos a apodrecer, o que era uma vergonha, onde, hoje, é o parque de estacionamento, porém o areal de Santa Bárbara tem um grande poder de regeneração, porque é muito dinâmico e facilmente repôs a areia, pelo que começaram novamente a explorar, (…) mas felizmente que isso acabou”.

Na época, poucos sabiam da sua existência, porém, atualmente, a Praia de Santa Bárbara, envolvida por beleza natural, é muito apreciada por todos os que visitam a Ribeira Seca, seja para a prática de desportos náuticos como o surf, ou para um simples passeio junto ao mar. Neste seguimento, Norberto Gaudêncio divulgou que “o futuro da Ribeira Seca passa por aí” e desafiou a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal da Ribeira Grande a tirarem partido do facto de o areal não estar completamente restaurado e de “nas covas das antigas pedreiras, há piscinas lindas, que devem ser aproveitadas e, se calhar, são muito mais recatadas. Esta zona merece, e deve, ser explorada e posta à disposição dos ribeiragrandenses, porque a Ribeira Seca não pode ser estática e, ultimamente, tem sido dinâmica e é com a apresentação de novos factos que se atrai pessoas e mobiliza a economia local”.

O presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande aproveitou, ainda, a ocasião para evocar a obra da estudiosa Conceição Fernandes, intitulada “Subsídios para a história da Ribeira Seca”, e lançou o repto para a publicação de uma segunda edição da mesma, revista, porque “é uma preciosidade de histórias, coisas vividas e de factos em que vemos, mesmo, as pessoas”.

Posteriormente, as intervenções protocolares foram inauguradas por Nélia Branco, presidente da Assembleia de Freguesia da Ribeira Seca, que fez questão de sublinhar que “é por aqueles que são naturais ou pertencentes à Ribeira Seca que trabalhamos e lutamos todos os dias, para lhes oferecer uma freguesia digna e com condições, para que as gerações presentes e vindouras, tal como fizeram os nossos antepassados, possam ter a freguesia que têm”, frisando que “hoje temos uma terra carregada de passado, com uma forte vivência presente e com um futuro claramente risonho”.

Afiançando a relevância de continuar a elevar o nome da localidade, a presidente da Assembleia de Freguesia destacou, ainda, inúmeras problemáticas, como o desemprego jovem, toxicodependência, abandono escolar, assim como a escassez de serviços de apoio à infância e terceira idade, que precisam de ser colmatadas, reforçando a “necessidade de trabalhar em rede para ultrapassar estes obstáculos, pois devemos ser todos agentes ativos na mudança e no desenvolvimento da nossa terra”.

Seguidamente, José Manuel Aguiar, presidente da Junta de Freguesia da Ribeira Seca, foi convidado a dirigir algumas palavras aos presentes, enaltecendo que “celebrar o aniversário da nossa freguesia é, também, reconhecer e agradecer a todos aqueles que, ao longo da nossa história, embora em contextos diferentes, deram o seu contributo para o desenvolvimento da nossa terra e para que esta se tenha tornado notável, pelas suas qualidades. A grandeza da Ribeira Seca foi alcançada, através da sua cultura e das suas gentes. A história foi feita do crer coletivo de um povo, que temos e que somos hoje. Celebrar este dia é, também, um momento de reflexão, de partilha de sentimentos e de ideias, para que possamos conhecer e perceber o caminho percorrido e o caminho que queremos continuar a percorrer, para que seja uma freguesia alinhada com o progresso”.

Relembrando os projetos em curso para a Ribeira Seca, o autarca agradeceu à Câmara Municipal da Ribeira Grande pelos investimentos feitos na localidade, nomeadamente pela inauguração da primeira fase da ampliação do cemitério e a realização da obra de ligação da Rua Padre António Rocha à Rua Alameda 29 de Junho, que “veio dar maior segurança às nossas crianças e aos alunos da Escola Madre Teresa da Anunciada e foi uma obra muito importante”. Contudo, referiu, ainda, a importância da instalação de câmaras de videovigilância nos parques de estacionamento da Ribeira Seca, “devido à insegurança, ao vandalismo e toxicodependência”.

Por outro lado, Octávio Torres, diretor regional da Cooperação com o Poder Local, felicitou, em representação de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo dos Açores, a Freguesia da Ribeira Seca por mais um aniversário, enfatizando que o povo deste território é “a razão pela qual estamos, aqui, hoje” e parabenizando Norberto Gaudêncio pelas suas palavras, ensinamentos e pelo repto lançado à autarquia. “Eu acho que a Junta devia lançar um repto ao senhor Norberto para escrever mais alguma coisa sobre a Freguesia da Ribeira Seca e, quem sabe, talvez daqui a um ano tenhamos, não só mais uma edição, como uma nova edição sobre esta localidade, fica lançado o repto”,  propôs Octávio Torres.

Atestando que a Ribeira Grande tem grandes autarcas, o diretor regional da Cooperação com o Poder Local evidenciou o bom relacionamento existente entre a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia, independentemente da cor partidária, asseverando que “é um exemplo a seguir em outros concelhos e ilhas dos Açores”.

Octávio Torres sustentou, ainda, que a única missão dos autarcas é servir o povo. “Podem contar com a nossa total disponibilidade. (…) Dentro em breve, o Governo conta colaborar mais, também por sua obrigação. O concelho da Ribeira Grande, em 2022, foi dos que mais candidaturas apresentou, no âmbito da cooperação técnica e financeira, comparativamente a outros dos Açores e isso deixa-me, obviamente, satisfeito, enquanto micaelense, mas espero que essa vossa proatividade se mantenha. (…) Estou convencido que vai ser um sucesso, com a vossa colaboração”.

Por fim, foi Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, quem concluiu as intervenções, dedicando o início do seu discurso ao seu pai, Norberto Gaudêncio, reconhecendo que “estas particularidades da história são bonitas e fica, aqui, um desafio e muito bem lançado, pelo senhor diretor regional”.

Congratulando a Ribeira Seca pelos 446 anos de elevação a freguesia, o edil defendeu que “é sempre importante recordarmos os momentos mais solenes da localidade”.

Relativamente aos problemas identificados por Nélia Branco, mais especificamente a toxicodependência, assim como o abandono e absentismo escolar, Alexandre Gaudêncio aludiu que “a Câmara Municipal está a fazer um trabalho nessas duas áreas, em particular. Nós estamos a avançar com um Plano Municipal de Combate às Dependências e isto é um trabalho muito abrangente, que começou a dar os primeiros passos muito recentemente e nós queremos que entre em vigor já no próximo ano. Posso dizer que, neste momento, está a ser feito um levantamento, freguesia a freguesia, instituição a instituição, para sabermos que tipo de respostas já existem, de modo a trabalharmos em rede. Em relação ao abandono e absentismo escolar, também gostaria de frisar que já estamos a trabalhar num Plano Municipal de Combate precisamente a este fenómeno, que vai ser apresentado no mês de novembro e posso adiantar que, nomeadamente em parceria com a Escola Profissional da Ribeira Grande, temos feito um trabalho minucioso, ao nível de programas extracurriculares, que tem sido muito meritório”.

Ulteriormente, o autarca ribeiragrandense direcionou as suas palavras para José Manuel Aguiar, salientando que “para além das suas preocupações com a questão da vigilância nos parques de estacionamento, que, com certeza, será bem acolhida da nossa parte, outro dos anseios da Junta, que queremos colmatar, em 2023, é a ampliação do cemitério, que é uma obra que vem do anterior mandato. Este é um dos pontos que nós temos para tratar em 2023 e que nós queremos que fique, devidamente, concluído no próximo ano. Sei, também, que está preocupado com o crescimento da freguesia, ao nível dos seus automóveis e esta é uma preocupação das freguesias urbanas, por isso, também, foi lançado um repto ao senhor presidente da Junta, e sei que já está a trabalhar nisso, para identificar, nas ruas mais problemáticas, possíveis moradias em ruínas ou que estejam à venda, para, à semelhança do que temos feito nas outras freguesias, podermos comprar esses espaços e fazermos parques de estacionamento”.

Por conseguinte, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande ressaltou a importância da cooperação entre a Câmara Municipal e as Juntas de Freguesia, na atenuação dos efeitos da crise económica, que se avizinha. “A proximidade que nos caracteriza, como autarcas, será fundamental para ajudarmos aqueles que já estão a sentir os efeitos da inflação. É, por isso, que o orçamento camarário de 2023 irá contemplar um aumento de 15% nas transferências para as Juntas de Freguesia”, anunciou Alexandre Gaudêncio, reiterando que “nós estamos a fazer um novo contrato-programa de delegação de competências, muito mais simples e abrangente. Esta ligação com as Juntas de Freguesia é quase uma obrigação nossa. Ao prepararmos o Plano e Orçamento para 2023, nós ouvimos todas as Juntas de Freguesia, algo que fazemos desde o primeiro ano de mandato, e que revela a nossa preocupação e sensibilidade de irmos ao encontro das expectativas que os autarcas de freguesia têm. Esta ligação parece-me determinante, para que a nossa democracia funcione em pleno e só com esta proximidade entre todos é que faz sentido estarmos nestas funções”.

Após os discursos, seguiu-se o momento de assinatura dos protocolos de apoio e cooperação entre a Junta de Freguesia da Ribeira Seca e duas instituições locais, nomeadamente o Grupo 111 da Associação de Escuteiros de Portugal e o Atlético Desportivo de São Pedro.

No final da cerimónia, os convidados foram brindados com um momento musical, cantaram os parabéns e brindaram ao passado, presente e futuro da localidade.