A Associação Combrio – Comunidade da Beira-Rio foi, oficialmente, fundada no dia 25 de abril de 2021, comemorando, assim, este ano, o seu primeiro ano de existência. O aniversário foi repleto de atividades ao longo de quatro dias. O Jornal AUDIÊNCIA esteve presente na sessão solene, que aconteceu no dia 22 de abril, no Espaço Zé da Micha, e que contou com a presença de Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia. Além do momento mais protocolar, a cerimónia contou com a homenagem a diversas personalidades da Beira-Rio.

 

 

A Associação Combrio – Comunidade da Beira-Rio comemorou, no dia 25 de abril, um ano de existência, porque, apesar dos seus primeiros passos terem já começado há largos anos, apenas em 2021 foi oficializada a associação. Para celebrar este primeiro aniversário, a Combrio organizou um extenso programa de atividades, que tiveram início no dia 22 de abril, com a sessão solene e entrega de diplomas de mérito, que teve lugar no Espaço Zé da Micha. Nos três dias seguintes comemoraram com iniciativas do âmbito desportivo, onde estava inserido um torneio de futebol entre famílias da Beira-Rio, atividades culturais e um baile de aniversário.

O Jornal AUDIÊNCIA esteve presente da sessão solene da associação, no Espaço Zé da Micha, e acompanhou a entrega de diplomas de mérito a pessoas individuais e coletivas que a Combrio considera que orgulham ou orgulharam, durante o seu percurso de vida, a Beira-Rio.  O primeiro nome a ser chamado para receber o diploma foi Fernando Eugénio Sousa, conhecido pelo trabalho que leva a cabo com a personagem do palhaço Pastel e Companhia. Dina Marques foi o segundo nome a ser homenageado, e foi apontada como uma mulher de coragem admirável, que muito sem o sofrido na vida, sempre sem baixar a cabeça. A terceira homenagem foi entregue à família Moreira Matos, mais conhecida por Leões, que mantém o espírito da Beira-Rio e são recordados por terem estado sempre na linha da frente para ajudar os outros quando o rio ameaçava as casas. Mário Cardoso, mais conhecido por Mató, foi um dos homenageados da noite, destacado pelo seu exemplo de solidariedade e resiliência. Os Mareantes do Rio Douro também receberam o diploma de mérito da Associação Combrio, assim como Isabel Machado Magalhães, que pertence inclusive à direção da mesma, e que foi destacada pela sua entrega às causas da Beira-Rio. A jovem atleta da Federação Portuguesa de Basquetebol, Andreia Oliveira, também foi destacada pela associação. Em último, mas nunca menos importante, foi entregue o diploma de mérito, a título póstumo, ao “herói esquecido da Beira-Rio”, António José Romani, que saltou 15 pessoas de morrerem afogadas no rio Douro, e que, segundo a Combrio, “merece o reconhecimento e que a sua coragem jamais seja esquecida”.

Depois deste momento, Abílio Guimarães, presidente da direção da Associação Combrio, ainda entregou alguns diplomas de agradecimento a pessoas individuais e coletivas que contribuem para que o projeto Combrio seja, hoje, uma realidade.

Terminados os reconhecimentos, foi tempo do momento mais protocolar. Começou por falar Helena Peixoto, membro do Concelho Fiscal da Combrio, que tinha já conduzido toda a cerimónia até àquele momento. Envolvida na associação desde sempre, antes mesmo de ser, oficialmente, Combrio, começou por recordar que “as associações locais são um elemento fundamental no incremento da participação cívica, e como consequência, agentes privilegiados da democratização. Além disso, são uma peça fundamental para o desenvolvimento social dos cidadãos e das comunidades locais”. Helena, orgulhosa das gentes e feitos da Beira-Rio, recordou com carinho o início do esboço do projeto, em 2014, quando se sentiu a necessidade de ter uma associação diferente, assente nos valores e tradições das gentes da Beira-Rio. “Somos gente da Beira-Rio e queremos ser uma voz ativa na defesa intrínseca de todos aqueles que fazem da Beira-Rio a sua terra e dos valores que sempre a nortearam”, disse, com garra, lembrando os eventos recreativos, desportivos e culturais que foram organizando, depois, ao longo dos anos.

“Chegados aqui, depois de muito caminho já trilhado, surge, a 25 de Abril de 2021, a criação formal da nossa associação. Quem é a Combrio? São homens e mulheres que amam profundamente a sua terra e que têm em comum a beira-rio como berço ou como paixão. Os nomes serão menos importantes que o coletivo. O projeto, ambicioso e solidário, tem como lema «Beira-rio sempre»”, explicou Helena Peixoto, que ainda lembrou que apesar de terem começado, oficialmente, num ano difícil, têm dado provas da sua importância e do trabalho e a sua força de vontade para fazer mais e melhor. No entanto, o caminho não está a ser fácil, e a associação pede e precisa de um espaço: “Hoje, quando celebramos um ano da data da nossa fundação, lutamos com muitas necessidades, como é o caso da mais premente de todas, a ausência, ainda, da nossa sede”.

Seguiu-se o discurso de Abílio Guimarães, presidente da direção da Associação Combrio – Comunidade da Beira-Rio. “Um dos pilares da Combrio é o querer partilhar histórias e memórias coletivas. a maior parte de nós está ligado por um passado comum e por uma forma muito própria de ser, costumes, crenças e saberes que orgulhosamente partilhamos”, começou por dizer, lembrando que “há anos que o nosso projeto associativo tem andado na mente de alguns e no desejo de muitos. Um projeto que teve e tem tudo para dar certo”.

Mas, tal como já tinha referido Helena Peixoto, também Abílio Guimarães lamentou o facto de ainda não terem, depois um ano de existência formal, um espaço para a sede da associação. “A resposta é sempre a mesma: nenhum espaço físico disponível para a instalação da sede da associação”. O presidente tem esperança de que, um dia, a Combrio tenha a sua sede e possa ser um ponto de encontro, não só para quem vive na Beira-Rio, como para quem, pelos mais diversos motivos, saiu da zona, mas continua a partilhar dos seus valores.

Abílio Guimarães salientou que “este projeto só será possível com todos, e em estreita relação, entre a Associação Combrio – Comunidade Beira-Rio, a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, a comunidade escolar, o meio empresarial, o movimento associativo, e todos os que se queiram associar”. No entanto, foi com tristeza que também chamou a atenção dos presentes para o facto de não estar presente nenhum representante político, nem da Junta de Freguesia, nem da Câmara Municipal.

Foi Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, o último a tomar a palavra. Começou por salientar o papel dos “dirigentes associativos voluntários que, por paixão, todos os dias, colaboram nas suas associações para que o movimento associativo seja, realmente, cada vez mais forte”. No entanto, foi também com revolta que Paulo Rodrigues lembrou alguns números: “O movimento associativo em Portugal é constituído por mais de 33 mil coletividades de cultura, recreio e desporto, representa quase 50% das instituições da economia social do nosso país. Mais de 450 mil dirigentes associativos, todos os dias acompanhados pelos familiares mais próximos (…) estamos a falar de três milhões de portugueses que, diariamente, frequentam essas associações”. Isto não seria motivo de revolta, no entanto, o presidente da Federação das Coletividades de Gaia continuou: “A Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto todos os anos apresenta, em Assembleia da República, na altura do Orçamento de Estado, propostas concretas a todos os grupos parlamentares e, ano após ano, em nenhum dos Orçamentos de Estado, as Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto são contempladas com os apoios que merecem”. Paulo Rodrigues lembrou, ainda, que as coletividades “desempenham, diariamente, um papel importantíssimo junto das suas comunidades” e que, muitas vezes, “substituem o Estado”. “Nós por vezes agradecemos às Juntas de Freguesias e à Câmara Municipal, os apoios que nos concedem, mas, eles é que têm de nos agradecer. Eles é que têm de agradecer a todos nós que somos dirigentes associativos voluntários aquilo que desenvolvemos em prol das nossas comunidades”, reforçou.

Depois, e mais dirigido à Combrio, felicitou-os pelo primeiro aniversário e enalteceu o facto de terem decidido iniciar as comemorações homenageando outras pessoas, cumprimentando assim quem recebeu o diploma de mérito, dando-lhes os “parabéns por tudo o que representam para toda a comunidade”. Além disso, o presidente da Federação das Coletividades ainda felicitou a associação pelo seu nome, que, na sua opinião, foi muito bem conseguido, uma vez que “a Comunidade da Beira-Rio é uma comunidade com brio”.

No final da cerimónia foram entregues os primeiros cartões aos associados, simbolizado com a entrega à sócia número um. Seguiu-se um porto de honra, onde todos os presentes cantaram os parabéns à Combrio.