A União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira preparou um programa recheado de atividades, para celebrar o 48º aniversário da Revolução dos Cravos. As iniciativas, que decorreram entre os passados dias 15 de abril e 1 de maio, tiveram como principal objetivo lembrar e defender aqueles que são os valores, direitos e deveres conquistados a 25 de Abril de 1974. No dia em que as comemorações atingiram a sua plenitude, o presidente da autarquia, Paulo Ramos Carvalho, assegurou, em exclusivo ao AUDIÊNCIA, a importância de “fazer com que abril aconteça todos os dias”.

 

 

O 48º aniversário do 25 de Abril foi, solenemente, assinalado pela União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, com um vasto programa cultural, que foi promovido entre os dias 15 de abril e 1 de maio e envolveu toda a comunidade.

As celebrações foram inauguradas com a iniciativa “Abril com arte”, que contemplou uma exposição intitulada “Mar de Arte”, com obras de madeira em baixo-relevo, da autoria de Vítor Santos. Esta mostra esteve patente no Salão Nobre Guilherme Pinto até ao passado dia 21 de abril. Já no dia 24 de abril, decorreu, na Associação Recreativa Aurora da Liberdade, com o mote “Abril com palavras e música”, um sarau de poesia e música de intervenção, que contou com um concerto de Emídio Rodrigues e declamações de Ana Fernandes, Carlos Revez, Rosário Lóio e Manuela Galante.

As comemorações atingiram a sua plenitude no Dia da Liberdade, uma data que começou a ser festejada com o hastear de bandeiras, em ambos os edifícios da Junta de Freguesia de Matosinhos e Leça da Palmeira, a atuação da fanfarra da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos e Leça da Palmeira e a tradicional largada de pombos. Posteriormente, decorreu uma sessão solene no edifício-sede da Junta de Freguesia, em Matosinhos, que contou com a intervenção de todas as forças partidárias, com assento na Assembleia.

Neste seguimento, António Marinho, representante do Bloco de Esquerda, fez questão de saudar “o 25 de Abril, um dia muito importante na vida dos portugueses”, lembrando que, antes, “vivíamos um regime opressivo, um regime que não olhava a meios para atingir os seus fins” e “através da ação desencadeada pelos capitães de Abril, apoiadas pelo povo, terminou a ditadura fascista do Estado”, o que deu “esperança à nossa sociedade”.

Seguidamente, interveio António Serrano, em representação do Chega, que asseverou que “o 25 de Abril trouxe o sonho da liberdade”, salientando que “uma data que não pode estar dissociada do 25 de Abril é o 25 de novembro, (…) pois foi só neste dia que Portugal entrou no verdadeiro caminho da plena democracia”, recordando, ainda, que “a democracia, hoje, em 2022 devia estar melhor, mas não está”.

Também, Ricardo Santos, da Coligação Democrática Unitária (CDU), participou nesta sessão, referindo que “o 25 de Abril foi a data que deu a Portugal aquilo que, durante 48 anos não teve. Saímos daquele obscurantismo, da corrupção que já existia, mas não era noticiada, das forças de segurança supressivas”, e destacando que “devemos defender aquilo que o 25 de Abril significa e significou no passado, no presente e no futuro. (…) Faremos o que for necessário para garantir a liberdade e a democracia”.

Já João Gil, representante da Iniciativa Liberal (IL), usufruiu do momento para garantir que “com certeza, a liberdade conquistada, pelos nossos heróis, também contribuiu para que eu, hoje, pudesse estar aqui”, evocando a relação existente entre “liberdade e tecnologia” e revelando que “liberdade implica responsabilidade e responsabilização. (…) Valorizem o que a democracia nos trouxe de bom, trabalhem para melhorar o que há para fazer. (…) O 25 de Abril foi apenas um passo, todos os dias é necessário reafirmar um bom trabalho”.

Por outro lado Teresa Queirós, do Movimento SIM!, sublinhou que “o Dia da Liberdade é algo que, infelizmente, ainda não é para todos. (…) Somos um povo privilegiado, há 48 anos que respiramos liberdade e democracia, ao contrário de alguns povos. (…) É importante, especialmente, neste dia, refletirmos sobre isso. Como tal, não há muito a dizer, mas há muito a fazer”.

A representante do CDS-PP, Ana Raquel Reis, fez uma reflexão sobre o 25 de Abril, frisando que “a liberdade é a possibilidade de cada um encontrar o seu caminho e o fazer com quem quiser, percorrendo-o rumo ao futuro. (…) Só a liberdade nos permite a igualdade de sermos realizados, respeitando todos e dando a todos espaço para celebrarem e encontrarem o seu caminho”.

Por sua vez, João Magalhães, representante do PSD, aludiu que “hoje celebra-se a democracia, hoje celebra-se a liberdade. (…) 48 anos depois a democracia continua viva, pertencendo a todos os portugueses, a responsabilidade de a manter robusta e sempre em constante evolução. (…) A palavra de ordem é alterar para inovar. Inovar para um futuro mais próspero, para um futuro de soluções, de ação e construção. (…) O 25 de Abril não é exclusivo de ninguém, mas é, particularmente, importante para todos”.

Neste contexto, o representante da bancada do PS, Eduardo Ferreira, evidenciou que “há 48 anos celebrou-se a revolução livre e democrática que nos deu a todos a possibilidade e liberdade. A democracia e os valores de abril exigem uma defesa muito grande, em todas as nossas atividades, sejam elas cívica, política ou profissional”.

Por conseguinte, Paulo Ramos Carvalho, presidente da União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, começou por chamar os funcionários da Junta para o seu lado, afiançou que “a Junta de Freguesia, e este executivo, com uma proximidade muito grande e em articulação com a Assembleia de Freguesia, celebra abril todos os dias. É, todos os dias, para nós, abril. (…) Queria chamar esta equipa para o meu lado, porque eles são os responsáveis por, todos os dias, proporcionarmos a atuação em Matosinhos e Leça da Palmeira, daquilo que é a liberdade e a democracia, que abril nos deu. São eles os responsáveis por dar, aos mais jovens e aos menos jovens, aquilo que, hoje em dia, é necessário para que esta população não se esqueça daquilo que custou e ainda custa manter, hoje em dia, os ideais que abril nos deu. Os ideais da proximidade, da liberdade, de respeitar todos aqueles que têm uma opinião contrária. Abril não nos deu só a possibilidade de falar. Abril deu-nos a possibilidade de sermos diferentes, de pensarmos de formas diferentes e deu-nos, também, a responsabilidade de nós respeitarmos os outros, que são diferentes de nós”.

Por fim foi Manuel Tavares de Sousa, presidente da Assembleia da União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, quem encerrou as intervenções, aludindo que “abril e os seus capitães deram a Portugal uma nova dimensão mundial. (…) A liberdade dada aos portugueses, com a revolução de abril, permitiu criar uma democracia multipartidária, possibilitando uma escolha democrática, para eleger o seu próprio destino, o que não acontece nos regimes totalitários. (…) A revolução democrática e livre, alcançada no 25 de Abril de 1974, tem um valor universal. (…) Os valores de abril devem ser aperfeiçoados todos os dias da nossa vida, para que a sua missão, um dia, seja finalmente concluída”.

No final da celebração, o presidente da União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira afirmou, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que “este é, apenas, mais um dia em que nós devemos celebrar abril, porque abril deve ser comemorado todos os dias, pois não nos podemos esquecer dos seus ideais, dos seus valores, nem do que o povo português passou, para conseguir alcançar a liberdade e a democracia. É mais um dia, mas é uma data de extrema importância, em que devemos sempre olhar para ela, como uma continuidade do nosso trabalho, fazendo com que as gerações mais novas nunca se esqueçam, daquilo que este país já passou e daquilo que é necessário, para que não volte a passar. A liberdade, todos os dias, é posta em causa. A democracia, todos os dias, é posta em causa. Portanto, cabe-nos, não só a nós, enquanto autarcas, mas a toda a população, defender estes direitos e estes deveres e fazer com que abril aconteça todos os dias”.

Durante o dia em que se comemorou a Revolução dos Cravos decorrem, ainda, inúmeras atividades culturais, com destaque para os torneios de andebol, basquetebol, futsal, voleibol, desportos de contacto, bilhar e futebol, realizados no âmbito do programa “Abril com Movimento”. Tendo, no período da tarde, acontecido as ações “Abril com Memória”, uma iniciativa que foi divulgada na página de Facebook da Junta de Freguesia e que englobou partilhas intergeracionais sobre o 25 de Abril; “Abril com Palavras”, um projeto no qual a Revolução dos Cravos foi contada aos mais pequenos, no Parque Florbela Espanca; e “Abril com Arte”, com duas mostras intituladas “Criar e Partilhar” e “Um 25 de Abril + Sustentável”, que estiveram patentes até ao dia 1 de maio, nos edifícios da Junta de Freguesia, assim como nas rotundas de Matosinhos e no Parque Público Engenheiro F. Pinto de Oliveira, respetivamente.

Neste seguimento, o edil fez questão de enaltecer que “o nosso trabalho tem de ser diário, na defesa destes direitos, deveres e ideais. Estas comemorações são mais uns eventos que esta Junta tem vindo a organizar, no decorrer do seu mandato, muito alicerçados naquilo que é a juventude, porque entendemos que a mensagem tem de passar, também para os jovens, e naquilo que é, igualmente, a parte da defesa cultural local. Portanto, aí, nós temos diversas exposições com artistas locais, envolvemos a comunidade escolar, neste caso, os mais jovens, a participar, através da realização de pequenos vídeos com os avós, para tentarem perceber onde é que eles estavam, o que é que eles estavam a fazer e como é que o 25 de Abril impactou na vida deles, o que provocou uma reação muito gira nas nossas crianças, assim como uma adesão muito grande. Depois, os nossos jovens, também, fizeram trabalhos manuais, que estão expostos em diversos locais da União de Freguesias e decoraram os nossos edifícios. Portanto, ao mesmo tempo que estamos, aqui, a hastear as bandeiras, existem pequenos momentos do 25 de Abril em toda a parte, seja com os mais novos, seja com os menos novos, através dos quais nós estamos, durante todo o mês, a transmitir aquilo que são os seus valores, sempre focados em fazer aquilo que é necessário, para que as crianças percebam, que esta questão da liberdade não é uma coisa que se pode entender como seja perpétua, aliás eu acho que a Ucrânia veio servir-nos de exemplo, porque a nossa liberdade, no nosso país, tem de ser defendida e não podemos pô-la em causa, em momento nenhum”.