Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, deslocou-se a Vila Nova de Gaia, no dia 1 de setembro, para uma sessão pública de entrega de contratos de financiamento, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a requalificação e o alargamento da rede de equipamentos e respostas sociais da zona Norte. Na simbólica cerimónia, que ocorreu no Hotel Hilton e que também contou com a presença de Eduardo Pinheiro, secretário de Estado do Planeamento, foram entregues 63 contratos.

 

 

 

O Hotel Hilton recebeu, no dia 1 de setembro, a sessão pública de entrega de contratos de financiamento, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a requalificação e o alargamento da rede de equipamentos e respostas sociais da zona Norte. Na cerimónia, além de Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, esteve também presente Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Eduardo Pinheiro, secretário de Estado do Planeamento, entre diversas entidades políticas, religiosas e civis de todo o Norte do país.

Miguel Cardoso, diretor do Centro Distrital do Porto do Instituto de Segurança Social, foi o primeiro a tomar a palavra. Destacou o dia como feliz e de celebração, acrescentando que um futuro melhor só será possível se houver congregação de vontades. “Recuperação de um dos períodos mais fatídicos que tivemos no nosso país, nos últimos tempos, e recuperação que só foi, só é, e só será possível com o empenho de todos os que estão presentes nesta sala. Resiliência que tanto tem sido necessária nestes últimos anos. Recuperação e resiliência, magistralmente demonstrada por todas as entidades que, hoje, aqui, assumem este desafio, saindo do comodismo da inércia e avançando, ousando, em conjunto com a Segurança Social, embarcar neste desafio que pretende evoluir e ambiciona uma melhoria contínua das respostas sociais. Por tudo isso, o meu obrigado a todos, não só pela vossa presença, mas, acima de tudo, pelo vosso empenho diário no terreno”, concluiu Miguel Cardoso.

Seguiu-se Eduardo Vítor Rodrigues, anfitrião da atividade. O autarca destacou a escolha do local, o Hotel Hilton, não pela instituição em si, mas pelo sítio onde está localizado, onde outrora foram caves de vinho do Porto. “Caves que simbolizam várias coisas. Simbolizam, em primeiro lugar, aquilo que de mais importante nós temos na natureza, os nossos recursos, mas os nossos recursos geridos de uma forma tranquila, intergeracional, porque são recursos que não são imediatamente disponibilizados para gerarem lucro”, referiu, com o intuito de dizer que “nós não somos um país do Estado, detido pelo Estado e organizado pelo Estado, não somos um país do liberalismo atroz e predatório gerido a partir das dinâmicas do mercado, nós somos um país que assenta o seu modelo de desenvolvimento, eu diria desde sempre, (…) em tripé”, referindo-se ao Estado, por um lado, ao setor privado, por outro, “mas também um terceiro setor, que é designado como terceiro setor na literatura, mas que é, muitas vezes, verdadeiramente, o primeiro setor das nossas vidas”, a economia social.

O presidente de Vila Nova de Gaia teceu elogios ao modelo de desenvolvimento do país e disse que este era um exemplo para muitos por este mundo fora. “Se nós valorizarmos a rede social, se valorizarmos o trabalho em conjunto, temos de encontrar soluções para aquilo que são os momentos difíceis que aí vêm”, acrescentou sobre os problemas que se avizinham, nomeadamente com a inflação e destacando um dos seus ideais, o trabalho em rede.

“Senhora ministra, que desta sessão leve o nosso agradecimento, a nossa alegria, mas mais importante de tudo, o nosso compromisso, porque não adianta muito se estivermos aqui todos alegres e, depois, criarmos problemas uns aos outros. Aquilo que temos hoje a fazer é, depois da alegria, dedicarmo-nos todos ao trabalho”, referiu, destacando o facto de que este pacote de cerca de 400 milhões de euros podia ter sido aplicado a qualquer outra área, mas o Governo aplicou-o na economia social “que é a nossa matriz de desenvolvimento”.

Já o secretário de Estado do Planeamento, Eduardo Pinheiro, aproveitou o seu momento de dirigir algumas palavras aos presentes, para explicar como nasceu o PRR. “Recordar que ele resultou numa proposta única, precisamente para dar respostas às consequências sociais e económicas duma pandemia que todos vivemos”, disse, lembrando que a pandemia da Covid-19 “trouxe ao de cima algumas debilidades que todos conhecíamos em algumas instituições, em alguns setores, mas que foram acentuados pelo momento difícil que vivemos”.

Eduardo Pinheiro referiu que, mais importante do que o ato de assinatura dos protocolos, que acontecia naquele dia, era, depois, “garantir que temos as obras feitas, os equipamentos feitos, sejam renovados ou novos, para assegurar o aumento da transversalidade desse serviço, melhorar a qualidade e as condições de trabalho para aqueles que, no dia a dia, trabalham nestas instituições e, claro que o mais importante, é dar o melhor serviço a todos os utentes, sejam os mais jovens, sejam os idosos, sejam todos aqueles que precisem de apoio”.

Seguiu-se a entrega dos 63 contratos relativos ao investimento social. Além da ministra, do secretário de Estado e de Eduardo Vítor Rodrigues, também subiram ao palco diversos presidentes das Câmara e/ou vereadores, consoante os municípios aos quais pertenciam as instituições. Só em Vila Nova de Gaia, foram quatro as instituições que, neste dia, receberam os seus contratos de financiamento para requalificação ou alargamento das suas instalações, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR): a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valadares, a Fundação Padre Luís, a Associação da Casa dos Professores e Educadores de Gaia e o Centro Social e Paroquial de Vilar de Andorinho.

Depois da entrega simbólica às 63 instituições, Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, tomou a palavra e descreveu a sessão como “emotiva para todos nós, também de reencontro, depois de tempos tão conturbados que temos tido, e tempos tão conturbados que vivemos, estamos juntos e só isso é um sintoma e um sinal da força do setor social”.

“A primeira mensagem é de profundo agradecimento e reconhecimento a um exército de pessoas invisíveis, que têm estado no terreno ao serviço dos outros e que, muitas vezes, não são valorizadas”, mencionou a ministra. “A segunda mensagem é de que são tempos de mobilização. Enfrentamos dias de incerteza, dificuldade, exigência, onde vai ser pedido a cada um de nós, mais uma vez, esta mobilização, mas também tenho a convicção daquilo que ficou evidente durante a pandemia, nós precisamos uns dos outros e o setor social é isso, a mobilização de todos para responder coletivamente”, completou. “A terceira mensagem que vos quero deixar é de uma reinvenção permanente, uma mensagem de transformação. O setor social é um pilar determinante para a transformação social”, disse a ministra.

“Hoje assinamos aqui 63, de um total de 589 investimentos sociais a acontecer, é o maior movimento de investimento social alguma vez a acontecer no terreno”, contabilizou Ana Mendes Godinho, mostrando-se feliz por muitas destas candidaturas terem sido feitas durante o período da pandemia, “mas mais do que o número de respostas e projetos aprovados, eu acho que temos de estar todos felizes pelo número de pessoas que estes investimentos vão responder e eles vão responder a 35 mil pessoas no país, acho que é isso que nos dá esta energia, este oxigénio para fazer cada vez mais e cada vez melhor”.