O Memorial ao Soldado Emigrante foi inaugurado por José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores, Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, e Rui Faria, presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos, no passado dia 25 de julho, no âmbito das comemorações do primeiro aniversário da Praça do Emigrante. Em causa está um monumento que presta uma homenagem aos emigrantes portugueses que morreram ao serviço das forças militares dos países de acolhimento.

 

 

A inauguração do Memorial ao Soldado Emigrante foi uma iniciativa da AEAzores – Associação dos Emigrantes Açorianos, em colaboração com a Câmara Municipal da Ribeira Grande, e integrou a cerimónia comemorativa do primeiro aniversário da Praça do Emigrante, situada na cidade da Ribeira Grande. O momento, que homenageou os emigrantes portugueses que combateram e morreram ao serviço das Forças Armadas dos seus países de adoção, contou com a presença de José Manuel Bolieiro, presidente do Governo Regional dos Açores, Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, José Andrade, Diretor Regional das Comunidades, Lisa Rice Madan, embaixadora do Canadá em Portugal, Sérgio Rezendes, professor, e representantes de entidades civis e das Forças Armadas.

Rui Faria, presidente da AEAzores – Associação dos Emigrantes Açorianos, destacou que “o Memorial ao Soldado Emigrante é um monumento único, evocativo dos nossos emigrantes que combateram ou combatem sob a bandeira dos países de acolhimento. Trata-se de uma homenagem aos que, partindo para terras longínquas em busca de um futuro melhor e enfrentando as mais diversas contrariedades que a emigração implica, dedicaram as suas vidas ao serviço das Forças Armadas dos países de adoção”, enaltecendo “o importante contributo do professor doutor Sérgio Rezendes, o grande impulsionador da criação deste Memorial único no mundo, cujo design é da minha autoria e o trabalho de calçada portuguesa pertence a Carlos Meneses”.

“Este ano, comemora-se o centenário do regresso dos soldados portugueses e de outras origens, que tombaram nesta I Guerra Mundial. Eles foram recordados, assim, por, também, nós, hoje, de uma forma simbólica, mas justa, com este Memorial”, ressaltou o presidente da AEAzores, explicando que “é neste contexto que a Associação dos Emigrantes Açorianos, em colaboração com a Câmara Municipal da Ribeira Grande, evoca a memória intemporal de todos os emigrantes portugueses, que combateram, ou que ainda combatem, sob a bandeira dos seus países de acolhimento. Estamos, assim, hoje, na Praça dedicada à memória dos emigrantes açorianos. Este monumento, eu vou ousar dizer após bastante pesquisa, é único no mundo. Esta Praça, já podemos dizer que, tem dois monumentos únicos no mundo. Tem o maior globo de pedra de calçada do mundo e passou a ter, também, um Memorial aos Soldados Emigrantes que combateram, não pelo seu país de origem, mas pelos seus países de acolhimento”.

No seguimento da inauguração do Memorial ao Soldado Emigrante, o coordenador científico do projeto em causa e historiador Sérgio Rezendes, esclareceu que o monumento está “enquadrado no centenário do regresso dos soldados falecidos às suas várias pátrias”, revelando que a investigação que originou o Memorial, teve como base o faialense Manuel Mendonça, nascido em 1889 e emigrado para os Estados Unidos da América, em data incerta.

Integrou “a Companhia M do Terceiro Batalhão, do 301º Regimento de Infantaria, partindo para o norte de França, no verão de 1918. Enviado para o «front», participou na derradeira ofensiva dos últimos cem dias do conflito, morrendo em combate a 4 de novembro, a uma semana do fim da I Guerra Mundial”, afirmou o historiador, lembrando que “este Memorial não é em honra a Manuel Mendonça, mas sim a todos os que, como ele, emigraram para fugir à miséria, sonhando com um futuro condigno e alistaram-se nas Forças Armadas dos países de acolhimento”.

Sérgio Rezendes desvendou, ainda, que o Memorial ao Soldado Emigrante está acompanhado por um QR Code, que “contém uma base de dados para que os emigrantes alistados, combatentes ou não, possam registar esse contributo para a posteridade”, “para que este mosaico este painel cresça e sirva de ponte entre diversos povos”.

A cerimónia contou, ainda, com a participação, via digital, do luso-americano Roberto DaSilva, mayor de East Providence, em Rhode Island, nos Estados Unidos da América, que fez questão de salientar que “os nossos emigrantes, que serviram nas Forças Armadas merecem esta memória”, acrescentando que “em East Providence nós temos muitos monumentos referentes à Guerra Civil, I Guerra Mundial e II Guerra Mundial e em todos os monumentos podemos encontrar apelidos portugueses. Os portugueses quando saem do seu país para construírem ou refazerem as suas vidas noutro país, eles não se esquecem de onde vieram, mantêm a ligação e o amor pelo seu país de origem, mas adaptam-se e abraçam os países onde vivem atualmente, ao ponto de defenderem os valores que o país de acolhimento defende e de se juntarem ao exército e lutarem por ele”.

“Nós vamos continuar a procurar emigrantes que vieram e lutaram pelo nosso país. Nós queremos fazer parte e contribuir para o vosso contínuo Memorial”, garantiu o mayor de East Providence.

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, também marcou presença na cerimónia de comemoração do primeiro aniversário da Praça do Emigrante, que ficou marcada pela inauguração do Memorial ao Soldado Emigrante, em honra dos soldados emigrantes portugueses que morreram ao serviço das forças militares dos países de acolhimento, lembrando, na ocasião, a memória de Manuel Mendonça, soldado emigrante açoriano, que faleceu em combate na I Guerra Mundial, recordando que em 2021 evoca-se o centenário do regresso dos soldados tombados nos campos do Norte de França, Bélgica e em outros teatros da I Guerra Mundial.

Na ocasião, o edil elogiou o papel que a Associação dos Emigrantes Açorianos tem tido na valorização da Praça do Emigrante, realçando e agradecendo à AEAzores “pelo trabalho desenvolvido em prol da temática da emigração” e vincando que “a Ribeira Grande tem sabido capitalizar o fenómeno da emigração através da dinamização dos espaços públicos existentes, como são exemplos a Praça do Emigrante ou o Museu da Emigração”.

Na ocasião, Alexandre Gaudêncio destacou que a Praça do Emigrante é um excelente exemplo da boa aplicação dos fundos comunitários na reabilitação urbana. “Não fossem os fundos comunitários, que nos atribuíram 85% a fundo perdido para esta obra, provavelmente não estaríamos aqui hoje. É, por isso, determinante que as autarquias tenham mais autonomia na gestão dos fundos que vêm da Europa para que as obras aconteçam”, aludiu o autarca, referenciando que “estas Praças, estes monumentos só se fazem quando existe uma visão de futuro, quando existe apoio e quando existe, acima de tudo, a delegação de competências das autarquias. Por isso mesmo, gostaria de referir que esta obra não se trata, apenas, de uma obra física que ficou por si só, mas julgamos que foi uma obra reprodutiva, porque permitiu, entre outras, fazer aquele reordenamento do território que, se não fosse a pandemia, creio que já estariam à vista mais investimentos privados, mesmo aqui ao lado”.

Para o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, “o município pode e deve fazer mais em memória dos seus soldados, em particular, e dos que faleceram em combate pelos seus países de acolhimento”.

Alexandre Gaudêncio garantiu ainda que “nós queremos que esta Praça seja um local vivo”, porque “é preciso que estes espaços não morram, isto é, que sejam inaugurados e fiquem à sua mercê. É preciso que se façam inúmeras iniciativas como a Associação dos Emigrantes Açorianos tem feito e eu gostava de dar os meus parabéns ao Rui Faria que, através da Associação dos Emigrantes, tem feito um trabalho inexcedível nessa área e pode contar sempre com o apoio do município, porque já percebemos que é através destas dinâmicas e destas parcerias que a Ribeira Grande vai mais longe”.

Por outro lado, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, frisou, aquando do primeiro aniversário da Praça do Emigrante e da inauguração do Memorial ao Soldado Emigrante, que a diáspora açoriana é um orgulho para a região, pela forma como se afirmou nos seus países de acolhimento e em áreas como a política, economia ou cultura.

“A nossa diáspora é um orgulho para os Açores, não só porque daqui partiram, mas porque se afirmaram com sucesso nos seus países de acolhimento”, realçou o governante, deixando uma “felicitação às comunidades emigradas” e lembrando que estas “dão contributos para o desenvolvimento dos seus países de acolhimento”, numa altura em que os Açores são mais “território de acolhimento”.

José Manuel Bolieiro aproveitou, ainda, a ocasião para deixar uma mensagem a toda a descendência açoriana, pedindo que “continuem a olhar os Açores com o coração, com alma, com saudade, com vontade de visitar e investir”.

“Pensem no mundo cada vez mais global e é assim que justificamos a participação daqueles que são os nossos e que partiram, como daqueles que chegaram e agora são os nossos”, disse o presidente do Governo Regional dos Açores, garantindo que “esta Praça e esta evocação enquadram todo este movimento migratório e global”.

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com