A Plateia d’Emoções – Produções Artísticas apresentou, no Centro Social e Cultural de Olival, nas últimas semanas de março, o espetáculo Capuchinho Vermelho – O Musical. A história contava com algumas alterações ao clássico, com um lobo guloso que não queria comer a Capuchinho, mas sim os doces que esta levava no cesto, e uma avó moderna e divertida. No dia em que o Jornal AUDIÊNCIA visitou o espetáculo, a escritora e professora, Liliana Moreira, estava na plateia com a sua escola.

 

 

O Centro Social e Cultural de Olival recebeu a Plateia d’Emoções – Produções Artísticas e o seu espetáculo Capuchinho Vermelho – O Musical, nas últimas semanas do mês de março. Além de ter recebido diversas escolas da região norte, a peça teve um dia de exibição aberto à população em geral, que contou com cerca de 200 pessoas.

A história é um clássico infantil, no entanto, a peça apresentada pela Plateia d’Emoções tinha alguns contornos diferentes. A avozinha era bem divertida, a Capuchinho tinha um melhor amigo na aldeia, havia um cão que a acompanhava durante a viagem a casa da avó, e o pormenor que mais se destacava, o lobo mau não era mau, era apenas guloso, só queria comer os doces do cesto da Capuchinho.

O Jornal AUDIÊNCIA sentou-se na plateia no dia 30 de março, numa das sessões para as escolas, e pôde presenciar a alegria contagiante do elenco, assim como a participação excecional das crianças. No final, conversamos com Cátia Tavares, produtora executiva da empresa, bem como com a autora deste texto apresentado em palco, Liliana Moreira, professora do Salesianos do Porto, e que estava na plateia com a sua escola. Também tivemos oportunidade de conhecer o lobo guloso e o melhor amigo da Capuchinho, o João.

“A Plateia d’Emoções é uma empresa familiar, constituída pelos meus pais, eu e a minha irmã (…) foi criada em 2011, sendo que nos focamos no teatro musical a partir de 2015”, explicou Cátia Tavares, que ainda acrescentou que apesar de ser um espetáculo, essencialmente, concebido para o público infantil, tentam sempre ter pormenores e piadas dedicados aos adultos. Além disso, a Plateia d’Emoções trabalha “para o público infantil como se eles fossem adultos, ou seja, dar-lhes o melhor de nós, daí investirmos tanto em cenários e em luz. Ás vezes, para muitos deles, é a primeira experiência, e queremos que fiquem com o bichinho da próxima”, disse Cátia.

O dia aberto foi excelente, mas a produtora diz que quando a sala está repleta de crianças, o ambiente é diferente. “Se tivermos 1º ciclo nota-se um puxar de energia enorme do público para com os atores. Com os mais pequeninos nota-se, muitas vezes, as carinhas deles de encantados, tão deslumbrados, portanto, é muito engraçado ver esses contrastes”, explicou Cátia Tavares.

No entanto, a peça tem algumas partes com que os adultos se identificam, e, por isso, no dia aberto, a empresa de produção artística confessa que os adultos gostaram tanto como as crianças. “A situação de haver dois pais separados, ou que estão sozinhos, têm filhos e eles também não aceitam muito bem. Portanto, tudo isto, é uma envolvência com que muita gente se vai identificar. O facto da avó ser completamente fora da caixa e moderníssima. Sentimos que, no público em geral, as reações são em sítios diferentes”, contou.

Os alunos de Liliana Moreira assistiram a toda a peça sem saber que ela era a escritora. No fim, deslumbrados com a descoberta, tiveram a oportunidade de ficar sozinhos com o elenco e fizeram imensas perguntas, como os nomes e idades verdadeiros, o que mais gostavam de fazer (representar, cantar ou dançar) e ainda questionaram a professora sobre o lobo tão diferente e o cão que não existe na história original. No final, ainda puderam subir ao palco e ver os cenários de perto.

Liliana Moreira, autora do texto interpretado, contou ao Jornal AUDIÊNCIA sobre algumas das alterações. “Pegamos nas ideias fundamentais do texto clássico, mas depois, digamos assim, subvertemos algumas. Não queríamos que ninguém comesse ninguém e, portanto, essa parte da história, para nós, não fazia muito sentido. Queríamos passar a ideia da segunda oportunidade e que podemos viver todos em paz e harmonia (…) queríamos tirar esse lado maléfico do lobo e aproximar as crianças dessa personagem, trazendo algumas dessas características para o cão, não a maldade, ele é só um bocadinho traquina e matreiro”, explicou a professora.

O lobo guloso da história foi interpretado por Tiago de Sousa, que confessou que, quando lhe foi apresentado o projeto, ficou tão ou mais surpreendido do que o público fica com as características do seu lobo. “É diferente e acho que esse desafio foi o que me motivou mais a fazer o papel”, admitiu. O lobo entra em cena de forma cómica, com um uivo especial e alguns tiques engraçados, o que causou logo largas gargalhadas na audiência. “Tem sido incrível. As crianças estão à espera que ele seja um lobo mau e é, literalmente, o contrário disso”, afirmou, entre sorrisos, Tiago de Sousa. O ator estudou em Gaia, mais precisamente na Academia de Música de Vilar do Paraíso, onde tirou o curso de teatro musical.

Também Gustavo Ramos, que interpreta o papel de João, amigo da Capuchinho Vermelho, é, ainda hoje, estudante da Academia de Música de Vilar do Paraíso, e um gaiense de gema. No dia em que o AUDIÊNCIA esteve no espetáculo, também os alunos da Academia de Música de Vilar do Paraíso estavam na plateia. “Esta é a minha primeira experiência mais a sério como ator de teatro musical e tem sido incrível, primeiro pelo elenco, adoro as pessoas que estão comigo em cima do palco e fazer isto para crianças, com uma história que todos nós conhecemos, é muito divertido, porque as crianças têm uma alegria muito única e uma disposição fenomenal”, disse Gustavo.

A Plateia d’Emoções já levou a palco “a Cinderela – a magia do musical, depois o Pinóquio – um musical de encantar, de seguida tivemos o Feiticeiro de Oz, posteriormente tivemos o Via Crucis, que é um espetáculo que vai ser reposto agora na Casa de Vilar no Porto, é para um público mais crescido, já é uma outra vertente do nosso trabalho (…)mais recente estreamos Os três porquinhos – o musical e O Capuchinho Vermelho – o musical, sendo que o Capuchinho, os Porquinhos e o Feiticeiro de Oz são três espetáculos que foram produzidos por portugueses”, como esclareceu Cátia Tavares.

Por agora, a temporada acaba, uma vez que as férias da Páscoa estão a bater à porta. Destaque para o regresso do espetáculo da Capuchinho Vermelho – O Musical, a 8 de maio, no Europarque. Maio é também o mês em que regressa a peça Via Crucis, à Casa de Vilar, como anteriormente referido.