Natural de Avintes, desde jovem que luta pelos interesses da sua freguesia, primeiro em associações, e depois a nível autárquico. A terminar o primeiro mandato, como Presidente de Junta de Freguesia, Cipriano Castro, em conversa com o AUDIÊNCIA, falou sobre as dificuldades da freguesia, a relação com a Câmara, os sonhos, e a juventude.

Antes de mais, o que é política para si?
A política é uma atividade nobre que deve ser exercida de uma forma transparente e honesta. Quem se disponibiliza para exercer atividade política deve contribuir para a construção de uma sociedade mais justa.

Quando é que a política apareceu na sua vida?
Para ser verdadeiro, desde muito novo, pois eu tinha 10 anos quando se deu a revolução do 25 de abril de 1974 e desde essa altura que comecei a acompanhar o meu pai na atividade política local. Por isso, desde a minha adolescência que comecei a ter uma participação ativa na vida política de Avintes, tendo exercido vários mandatos, primeiro como membro da Assembleia de Freguesia, fiz também dois mandatos na Assembleia Municipal e fui, antes de ser presidente, vogal do executivo da Junta de Freguesia.

Em 2013, assumiu a presidência. Quais as dificuldades que encontrou?
As dificuldades foram essencialmente de ordem financeira, pois uma Junta de Freguesia só com o seu orçamento próprio está impossibilitada de fazer a grande maioria dos investimentos que a sua freguesia necessita e como a Câmara Municipal de Gaia estava muito endividada, teve necessidade de “cortar” nas transferências para as Juntas e isso, principalmente nos primeiros dois anos de mandato, criou-nos algumas dificuldades.

Como é que as ultrapassou?
Indo fazendo as pequenas obras ao alcance da Junta, como construção de passeios, colocação de gradeamentos, pequenos alargamentos de ruas, melhoramentos no cemitério, entre outras pequenas obras e esperando que a Câmara municipal tivesse mais capacidade financeira para nos proporcionar os grandes projectos.

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Durante estes quatro anos, quais as obras que marcaram o seu mandato?
As principais obras não estão ainda concluídas mas são, até pelos anos que os avintenses as esperavam, o pavilhão desportivo e a requalificação do Areinho. Mas, igualmente, a conclusão do Centro Escolar Fernando Guedes, a cobertura do átrio das Casas Mortuárias e ainda a pavimentação integral da rua da Escola Central e das ruas do Padrão Vermelho e das Presas, entre outras ruas.

E agora, como está Avintes?
Seguramente, Avintes está muito melhor. Primeiro porque as obras começaram a deixar de ser apenas promessas e, por isso, os avintenses começam a acreditar que efetivamente tudo aquilo que durante anos não passavam de ilusões, agora são realidade.

Mas, o que é que ainda falta fazer nesta freguesia?
Primeiro, precisamos de acabar aquilo que começamos neste mandato, refiro-me concretamente ao pavilhão desportivo e à requalificação da zona do areinho, quer uma quer outra obra só ficarão concluídas no primeiro semestre de 2018, não esquecendo que estão igualmente mais três obras no terreno, como é o caso do Quartel dos Bombeiros, do Multiusos da ACMA e da Sede e Farmácia Social da Associação de Socorros Mútuos.
Mas naturalmente que ainda é preciso fazer mais pela nossa freguesia. Precisamos de “pegar” em duas obras iniciadas em mandatos anteriores e que nunca foram concluídas, refiro-me ao Teatro Almeida e Sousa e ao Complexo Desportivo do FC de Avintes, trabalhando em articulação com a Câmara com vista à sua conclusão. Na vertente social precisamos de pensar em reforçar a capacidade de duas instituições, uma ligada às crianças e outra à terceira idade, respetivamente a Fundação Joaquim Oliveira Lopes e o Centro Social Mário Mendes da Costa, apoiando estas instituições, bem como outras instituições de cariz social. Temos ainda de apostar na pavimentação da rede viária secundária, já que Avintes tem muitas ruas em péssimo estado de conservação, temos de requalificar a zona envolvente à Pedra da Audiência e Capela do Sr. dos Aflitos e também a zona da Gândara e Palheirinho. Queremos ainda criar na antiga escola do Palheirinho, agora desativada da função escolar, um espaço cultural com biblioteca e um pequeno museu.

Sente-se com o dever cumprido?
Sinto que ao longo dos últimos quatro anos cumpri no essencial o que propus aos avintenses.

Avintes pode contar consigo?
Naturalmente que sim, tendo já assumido publicamente a recandidatura.

Nestes quatro anos, como foi o desempenho da oposição?
Não me compete a mim estar a classificar o desempenho da oposição. Pela minha parte, respeitei sempre o direito da oposição e tenho tido um bom relacionamento com todos.

Como tem sido a relação entre a freguesia e a Câmara?
A relação Junta/Câmara é excelente. Há uma perfeita sintonia de posições, naturalmente com total autonomia, mas sempre que foi preciso, contámos com todo o apoio da Câmara Municipal, que está a investir efetivamente em Avintes.

Olhando para o antes e depois, como avalia o mandato do presidente Eduardo Vítor Rodrigues?
O presidente Eduardo Vítor é um presidente que se preocupa verdadeiramente em resolver os problemas das pessoas. Apesar das dificuldades do mandato, com uma Câmara Municipal muito endividada, teve a capacidade de, não só de reduzir a dívida, como também de virar-se para áreas como a educação e a ação social, fundamentais para um desenvolvimento equilibrado do nosso concelho. O projeto Gai@prende+ e Gai@prende+i são dois bons exemplos nesta área. Por isso, é muito positivo o balanço que faço do mandato do nosso presidente da Câmara.

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Os jovens são a geração do futuro e é neles que as pessoas põem a sua fé na mudança do mundo. Como é que os jovens podem fazer política?
Pela minha parte gosto de trabalhar com jovens. Na minha equipa existem jovens que merecem e têm o meu total apoio. Por isso, acho fundamental o contributo dos jovens na política. Para que os jovens se envolvam cada vez mais na política é fundamental saber ouvi-los.

Como são os jovens avintenses?
Os jovens de Avintes são como a generalidade dos jovens, irreverentes, ativos e empenhados em darem o seu contributo para o desenvolvimento da nossa terra.

O que torna Avintes especial para as pessoas e para si?
Acredito que Avintes é uma terra igual a muitas outras, mas diferentes de outras tantas, ou seja, temos o que muitas outras terras têm, mas depois temos também muito daquilo que nos é próprio. O nosso gosto pela cultura, e em particular pelo teatro, a vertente artística da nossa gente, com cantores como Adriano Correia de Oliveira, escultores como Henrique Moreira, Fernandes de Sá e Pereira da Silva, arquitetos como Manuel Marques ou ainda escritores como Ana Filomena Amaral ou José Vaz. Mas Avintes tem algo que a torna verdadeiramente especial, a nossa famosa broa de Avintes.

As pessoas reconhecem o seu trabalho ao longo destes quatro anos?
Eu acredito que sim, mas isso só se vai poder verdadeiramente avaliar no dia 1 de outubro.

A nível de política nacional, o que é ainda falta fazer em Portugal?
Este Governo, em total sintonia com o Sr. Presidente da República, está a fazer uma coisa muito importante, é que os portugueses voltem a acreditar em si mesmos. Precisamos de continuar a apostar no turismo, na produção de produtos para exportação, de forma a criarmos riqueza no nosso país. Acredito que com este governo vamos conseguir.

O que é que o motiva?
Motiva-me fundamentalmente poder contribuir com o meu trabalho para ajudar a desenvolver a minha terra.

Abdicou de muitas coisas nestes anos todos de política?
“Quem anda por gosto não cansa”, mas como em tudo na vida nunca podemos fazer tudo o que gostaríamos. Naturalmente que gostava de ter mais tempo para a minha família, conviver mais com os meus amigos, poder fazer mais tempo de férias, mas isso não é possível ocupando as funções de presidente da Junta.

Mas, do que é que nunca abdica?
Da minha família, em especial da minha mulher e da minha filha que são imprescindíveis na minha vida.

Que sonhos ainda faltam cumprir?
Gostava que Avintes tivesse um Lar para a terceira idade, com protocolo com a segurança social, para que os nossos seniores, quando precisam de ir para um lar, não sejam obrigados a ir para fora da sua terra. Gostava ainda que as zonas antigas de Avintes, entre o Esteiro e Espinhaço, incluindo lugares como as Valeiras, o Outeiro, o Magarão, as Portelas, ou o Febros e outros, ou seja os lugares mais antigos de Avintes, tivessem novamente com mais população a residir e que o espaço público fosse requalificado.

O seu lema de vida é…
Ser feliz e contribuir tanto quanto possível para a felicidade dos que me rodeiam.

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