A exposição fotográfica “Tás co olho” surgiu no contexto da 9ª edição do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, que se realizou não só em Vila Nova de Gaia, como em outras partes do mundo, e foi inaugurada a 23 de agosto, no Museu Vivo do Franciscanismo e no Museu Municipal da Ribeira Grande. Esta mostra, que estará patente até ao próximo dia 30 de setembro, é composta por 75 fotografias, a preto e branco, dos fotógrafos Orlando Azevedo, Tadeu Vilani e Milton Ostetto, que remetem para as tradições açorianas, relacionadas com a emigração dos insulares, para o Sul do Brasil.

 

“Tás co olho” deixou de ser, apenas, uma expressão que faz parte da cultura popular açoriana, quando passou a designar a exposição fotográfica, que retrata as tradições deste povo, relacionadas com a emigração para o Sul do Brasil. Esta mostra, que nasceu no âmbito da 9ª edição do iNstantes – Festival Internacional de Fotografia de Avintes, foi inaugurada a 23 de agosto e vai estar patente até ao próximo dia 30 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 9 até às 17 horas, no Museu Vivo do Franciscanismo e no Museu Municipal da Ribeira Grande, um momento que contou com a presença de Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, José António Garcia, vereador da Cultura, Juventude e Desporto da autarquia, e José Maria Sousa, representante da Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores.

Inspirada na cultura açoriana, esta exibição é composta por 75 fotografias, a preto e branco, dos fotógrafos Orlando Azevedo, natural da Ilha Terceira, Tadeu Vilani, de Santo Ângelo, e Milton Ostetto, de Nova Veneza, que remetem para as tradições açorianas, relacionadas com a emigração dos insulares, para o Sul do Brasil. “Foram os açorianos que, a partir do século XVII e XVIII partiram do arquipélago em busca de uma vida melhor, para colonizarem as terras do Sul do Brasil e foram, também, eles que fundaram, por exemplo, a cidade de Florianópolis e a cidade de Porto Alegre, que, na altura, chamava-se Porto Seguro”, explicou Pereira Lopes, diretor da Associação iNstantes  e do Festival Internacional de Fotografia de Avintes, em Vila Nova de Gaia, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA.

Enaltecendo que “esta exposição tem a ver com o facto de, depois de várias gerações, os descendentes dos primeiros colonos açorianos continuarem a usar expressões, que são típicas dos Açores, assim como tudo aquilo que são tradições, quer religiosas, quer etnográficas”, o diretor deste projeto revelou que os três fotógrafos, que residem no Brasil, “fizeram o levantamento daquilo que é a realidade dos descendentes dos açorianos, nos três Estados do Sul do Brasil, nomeadamente Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. São três visões, que vão entroncar sempre na cultura, religião e costumes açorianos e demonstra que as pessoas não esquecem as suas raízes, nem as suas origens”.

Presente na inauguração da mostra, Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, fez questão de sublinhar a ligação existente entre este município, Vila Nova de Gaia e, neste caso, Avintes, “que, para nós, é uma terra muito querida, através do AUDIÊNCIA, que proporcionou, há quatro ou cinco anos atrás, uma exposição do iNstantes, precisamente aqui, na Ribeira Grande, mais concretamente no Teatro Ribeiragrandense, que teve uma repercussão muito positiva, para todos nós”.

Ressaltando que, “efetivamente, trata-se de uma exposição, que retrata algumas vivências mais tradicionais dos Açores, principalmente na zona Sul do Brasil, nomeadamente no Estado do Rio Grande do Sul e na cidade de Porto Alegre, que foram captadas por fotógrafos, com alguma descendência açoriana”, o edil asseverou que “esta mostra incentiva-nos a revisitar estes sentimentos de saudade, mas, também, das tradições locais e a Ribeira Grande acaba por ser o ponto central, para a exposição destes projetos de fotografia, que são muito bonitos”.

O autarca ribeiragrandense usufruiu, também, do momento, para evidenciar, a este órgão de comunicação social, a importância das obras de reabilitação, que foram realizadas no Museu da Emigração, que está sediado na Ribeira Grande e assume-se como sendo o único do país, dedicado a esta temática.

Assumindo que “a cultura é uma área que nos é muito querida e que pode ser, também, a porta de entrada de muita gente”, Alexandre Gaudêncio divulgou, em primeira mão, que “já está, aqui, na forja, uma parceria com a Trofa, através da qual estará cá o vereador da autarquia Renato Pinto Ribeiro, para, precisamente, começar a delinear um plano cultural, que vai envolver a Ribeira Grande e o município trofense, eventualmente, em ligação com outros espaços da nossa cidade, nomeadamente o Arquipélago, onde possamos mostrarmo-nos fora de portas, para incentivarmos as pessoas, principalmente do Norte do país, a visitarem-nos mais vezes”.

Por outro lado, José António Garcia, vereador da Cultura, Juventude e Desporto da Câmara Municipal da Ribeira Grande, afiançou que “Tás co olho” é “uma exposição de fotografia que faz muito bem a ponte com o nosso país irmão, que é o Brasil, e que diz muito a todos nós, açorianos”.

Garantindo que o trabalho que será feito, ao nível da cultura, nos próximos três anos, “vai estar muito ligado àquilo que é a potencialização e dinamização dos espaços, dando-lhes notoriedade e trazendo mais oferta cultural”, o vereador não escondeu a sua ânsia de ver “as pessoas a aumentarem a sua adesão a estas iniciativas”.

Também, José Maria Sousa, representante da Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores, não perdeu a oportunidade de assistir à inauguração desta mostra, que, a seu ver, “representa várias regiões do globo, principalmente o Sul do Brasil e é sempre bom fazer um encontro de fotografia, através da Associação iNstantes”.

Relembrando que “alguns dos nossos fotógrafos já participaram no Festival Internacional de Fotografia de Avintes e em várias exposições”, o representante da Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores anunciou que “perspetivamos organizar um evento conjunto no próximo ano”.

Radiante e a pensar no futuro, Pereira Lopes, diretor do iNstantes, contou que “Tás co olho” é “uma mostra que, em princípio, em 2023, estará no Museu de Angra do Heroísmo e tem a ver com o facto de um dos fotógrafos, o Orlando Azevedo, ter nascido nesta localidade”, declarando que “esta é mais uma atividade da nossa associação. Neste momento, em Avintes, temos várias exposições montadas, uma mostra no Norte da Finlândia e colaborações num festival, no Brasil. Portanto, é uma associação que, apesar de ser relativamente pequena e nova, embora o festival tenha nascido em 2014, já estendeu o seu território para além das fronteiras pequeninas de uma freguesia como Avintes”.