2022 representa o ano do regresso. Apesar de, durante a pandemia, as praias não terem estado fora do alcance dos seus utilizadores, tinham regras e restrições condizentes com a época que se vivia, que limitavam o número de pessoas por praia, o distanciamento entre toalhas, bem como obrigava a utilização de máscara nos equipamentos logísticos. Esta época balnear representa, também, o retorno da normalidade às praias, que agora se veem livres destas condicionantes. Em entrevista exclusiva ao Jornal AUDIÊNCIA, Miguel Lemos, presidente do Conselho de Administração da Águas de Gaia, falou das expectativas para uma época balnear de sucesso, que, ainda por cima, está repleta de novidades, entre as quais uma piscina aquecida com água do mar, na Praia de Canide Norte, e a transformação da Praia do Brito em pet friendly. Além disso, o presidente da empresa municipal referiu o trabalho anual de uma equipa multidisciplinar, que permitiu que Gaia conquistasse, uma vez mais, um pleno de 20 Bandeiras Azuis para a sua orla marítima. Além das surpresas, Miguel Lemos também se mostrou preocupado com a seca e o desperdício de água e falou sobre programas e estratégias da empresa gaiense para ajudar a combater estes flagelos.

 

 

 

A época balnear foi inaugurada no passado dia 30 de junho, desta vez sem restrições, ao contrário do que se sucedeu nos últimos dois anos, fruto da pandemia. Qual é a importância e as suas expectativas para este regresso à normalidade?

Em primeiro lugar, muito obrigado por esta entrevista. Dar conta de que, realmente, nós estávamos há dois anos a esta parte com restrições que foram pensadas, em conjunto, entre nós, os demais municípios, a Agência Portuguesa do Ambiente e o próprio Ministério do Ambiente, e que teve a ver com um princípio muito claro que foi o de as praias nunca terem encerrado durante as épocas balneares, mesmo durante a pandemia. A praia, aliás, acabou por ser um local de refúgio para, nos meses de verão, mesmo durante a pandemia, a população poder ter alguma liberdade e usufruir de algum ar livre. Naturalmente, com a preocupação de um conjunto de regras que permitisse mitigar o problema da pandemia e o contágio da Covid-19. Essas restrições eram, grosso modo, e como são amplamente sabidas, a questão da entrada e saída da praia, com entradas e saídas específicas, a questão da lotação, portanto, esta era controlada e havia uma indicação se aquela praia podia ou não receber mais pessoas ou se essas pessoas teriam de procurar outra com menos lotação, essa informação estava disponível, quer numa aplicação, quer através das bandeiras de carga. Havia ainda algumas regras, nomeadamente a obrigatoriedade de usar máscara e chinelos, por exemplo, nos apoios de praia e nas zonas comuns. O espaçamento entre as toalhas também era uma regra definida. Mesmo o próprio número de aglomerados era limitado a havia a questão do álcool gel, entre outras. De facto, este é o primeiro ano após a pandemia em que retiramos todo o tipo de restrições, porque assim foi considerado pela Direção Geral de Saúde, e todas as indicações que temos, até na própria coordenação a nível nacional que foi feita para a época balnear, foram no sentido de que podíamos retirar as restrições, ou seja, devolver à praia aquilo que ela é, um local de liberdade, conforto, bem-estar, um local onde nos estamos a divertir e que usarmos com amigos, com familiares, sem limitações e, portanto, é uma enorme felicidade saber que, realmente, a praia regressa a esse cenário.

 

Apesar de ter referido que, nestes dois anos anteriores, a praia acabou por ser um refúgio para muitos, acha que este ano a afluência vai ser maior, porque, efetivamente, havia gente que tinha medo?

Eu estou convencido que sim. Por um lado, estou convencido, por outro já temos, também, essa indicação, de que realmente há mais pessoas a irem à praia. Logo à partida, também um dado muito importante e que nos enche de alegria, que é o regresso das colónias balneares. Durante estes dois anos, muitas das tradicionais colónias balneares, quer de crianças, quer de mais idosos, foram suspensas ou canceladas e, portanto, verificar, este ano, às primeiras horas da manhã, os autocarros a chegarem às praias, com aquela alegria, com toda aquela boa disposição das crianças, mas também, naturalmente, dos mais idosos, é um enorme sentido de satisfação e de alegria. Juntando o regresso das colónias de férias, por um lado, mas também, como disse, a vontade das pessoas voltarem a ter uma vida normal, e apesar de ter sido um refúgio para alguns, realmente as pessoas tinham receio e muitas cumpriram o confinamento, por um lado como cidadãos, mas também porque tinham receio das consequências de sair à rua, eu estou altamente convencido que esta época balnear vai ser um sucesso, do ponto de vista do número de pessoas na praia, e que vai haver, de facto, um aumento da procura.

 

Mais uma vez, todas as praias do Município de Vila Nova de Gaia foram galardoadas com a Bandeira Azul. O que representam estas 20 distinções para a Águas de Gaia? Serão a tradução do bom trabalho que está a ser desenvolvido?

Representam, em primeiro lugar, exatamente isso, o reconhecimento e tradução do bom trabalho de uma equipa multidisciplinar, porque eu julgo que é importante que, realmente, as pessoas saibam deste facto, nós temos uma equipa dedicada à gestão da orla marítima e das praias, que trabalha durante todo o ano, porque todo ano é preciso renovar passadiços, renovar todas aquelas as infraestruturas, e nós temos uma equipa dedicada todo o ano, mas que, naturalmente, durante o período da época balnear ainda tem enfoque maior nesses processos. No entanto, a conquista das Bandeiras Azuis não é resultado dessa única equipa, é um resultado multidisciplinar, porque o bom saneamento contribui para as bandeiras azuis, a despoluição das ribeiras também contribui para esse galardão, o facto de termos água potável em todo o concelho e, também, na orla marítima, a limpeza e os resíduos sólidos urbanos e o bom sistema de recolha também contribui para as bandeiras azuis. Portanto, há muita gente envolvida, é um trabalho que é feito ao longo de todo o ano e é 360, ou seja, toda a empresa contribui positivamente para este resultado.  O facto de nós mantermos o pleno e de hastearmos todas as bandeiras azuis, em todas as praias concessionadas, e também na Douro Marina, é o símbolo do reconhecimento desse trabalho, que é muito das Águas de Gaia, naturalmente, mas é muito partilhado com outros atores, nomeadamente os concessionários de praia, a Capitania, a Agência Portuguesa do Ambiente, a concessionária da Douro Marina, que esta Bandeira Azul também tem um significado muito interessante, porque é a única no Norte e, depois, é um trabalho conjunto entre uma empresa pública, como as Águas de Gaia, e um concessionário privado e, portanto, é um trabalho em conjunto que dá este resultado. É, de facto, uma bandeira que nos dá muito prazer hastear e que temos muito carinho por ela. Por isso, sim, diria, e respondendo diretamente à sua questão, é, para nós, um enorme orgulho e satisfação e isto é como quando uma equipa de futebol ganha uma Taça, aqui também tem o mesmo sabor de vitória.

 

E acredita que a população reconhece este trabalho e o facto do Município de Gaia ter este pleno de Bandeiras Azuis?

Eu julgo que sim e apesar de já ter caído numa certa normalidade, e de, se calhar, ser algo recorrente, porque acontece todos os anos, eu julgo que a população continua a dar uma enorme importância a este facto. Efetivamente, manter é tão ou mais difícil do que conseguir e a população sente a Bandeira Azul, também, como sua. As praias são suas, o concelho tem estes resultados, a minha praia é boa, o meu concelho tem boas praias, o meu concelho é procurado por isso, portanto, eu julgo que a população se sente, também ela, representada por estas bandeiras azuis.

 

A estas Bandeiras Azuis, juntam-se, também, as Bandeiras de Praia Acessível e, este ano, Gaia conquistou mais uma.

Exato, as praias acessíveis são, também, um projeto que nós acarinhamos muito, porque, lá está, consideramos mesmo que a praia é um local para todos e que deve ser um local o mais democrático possível. Eu diria que todas as praias têm capacidade para receber toda a população, independentemente da sua condição, tenham ou não mobilidade reduzida. No entanto, nós temos seis praias, tínhamos cinco, passámos a ter seis com a praia de Salgueiros, este ano, que se junta a este rol de seis praias em que, para além de todas as condições que elas têm e que permitem que toda a gente a elas possa aceder, tem alguns pormenores que são trabalhados, especificamente, para as pessoas com mobilidade reduzida, que são os acessos que, por si só, são ainda mais facilitados, não há nenhuma barreira arquitetónica. Depois, no próprio areal, entre o passadiço e o areal, disponibilizámos uns tapetes especiais para que se possa aceder com cadeira de rodas, mas é muito interessante verificar, por exemplo, que essas praias são escolhidas, não só por pessoas com mobilidade reduzida, mas também, por exemplo, por pessoas com carrinhos de bebé, porque a mobilidade também é difícil e, portanto, esses tapetes também acabam por ter essa dupla função. Temos, ainda, um serviço complementar, com o apoio das corporações de bombeiros do concelho, ali da orla marítima, que são os Bombeiros de Coimbrões, Valadares e Aguda, com quem nós temos um protocolo, e cada uma dessas corporações disponibiliza uma equipa, que estão distribuídas por essas seis praias acessíveis, e que dão apoio a quem lá vai e a quem necessita de ajuda para ir a banhos, por exemplo. Temos os nossos carrinhos anfíbios, as pessoas podem tomar um banho de mar, mesmo com mobilidade reduzida, porque saem da cadeira de rodas, vão com o nosso carrinho anfíbio e têm o apoio dos bombeiros, mas, depois, também há outras atividades, que desenvolvemos ao longo da época balnear nesses espaços, como algumas atividades de desporto adaptado, o próprio Centro de Reabilitação do Norte, que muitas vezes desenvolve iniciativas lá, e a quem nós damos algum apoio logístico, logo, acabam por, também, usufruir desse espaço. Portanto, realmente, são praias que têm uma grande procura, por pessoas com mobilidade reduzida, de qualquer que seja a forma.

 

Falávamos de colónias balneares infantis e seniores, mas há também colónias de instituições que cuidam de pessoas com deficiência e que acabam por recorrer a estes areais com Bandeira de Praia Acessível.

Exatamente. Mesmo a questão, por exemplo, da tecnologia ColorADD, que estão presentes nos nossos contentores do lixo, mas, também, nas nossas bandeiras, as que nos dizem se podemos ir a banho ou não, a vermelha, amarela e a verde, têm o código ColorADD, para quem, por exemplo, é daltónico e não consegue distinguir as cores. Aplicamos esses códigos nas bandeiras, logo, as praias são, de facto, acessíveis e sempre 100% acessíveis. E, portanto, este ano, é com satisfação que temos mais uma praia nestas condições.

 

Comprometida em melhorar as condições das praias de gaia, esta empresa municipal faz, ao longo do ano, como já referiu, a manutenção de infraestruturas e equipamento, que se encontram ao serviço de todos. Que relevância e impacto tem esta ação para a população?

Bom, primeiro dizer que, de facto, temos uma equipa dedicada, todo o ano. Obviamente que no Verão, não vou dizer que a dedicação é maior, mas por razões óbvias, ainda está mais disponível para a resolução deste tipo de casos. Mas está disponível de facto, todo o ano e dedicada à manutenção dos passadiços, dos chuveiros, até porque, cada vez mais, a praia é procurada durante todo o ano, para atividade desportiva, caminhadas, ou, simplesmente, para estar a ler um livro. No entanto, e aproveitando, já agora, o vosso jornal e a comunicação social para este trabalho cívico, queria dizer que nós temos uma orla muito extensa e temos um passadiço muito extenso. O nosso objetivo é que esteja sempre tudo impecável, mas, muitas vezes, é normal que nós não saibamos que uma determinada tábua está partida ou uma determinada corda rasgada, portanto, o apelo que eu faço à população é: informem-nos! Têm várias formas de o fazer, pode ser através dos nossos contactos telefónicos, pode ser através das nossas redes sociais, podem fazer através de uma aplicação disponível para telemóveis, que é a de reporte de ocorrências, podem fazer da forma que for mais conveniente. Às vezes não vale a pena aquela postura de enorme indignação, de agressividade. Não, basta-nos dizer algo como, por exemplo, «na Praia da Granja há uma tábua partida», e eu garanto que, no dia seguinte, está arranjada. Se as pessoas nos fizerem esse favor, vamos dizer assim, se nos informarem, nós agradecemos imenso e, portanto, não encaramos isso como uma crítica, encaramos isso como uma ajuda. Sempre que nos informarem, eu garanto que ela vai ser arranjada, portanto, uma tábua partida, algo que possam até verificar que está perigoso, um prego, por exemplo, porque isto são coisas que se estragam com o uso, é natural, por isso, informem-nos, nós estamos disponíveis para resolver esses problemas.

 

Sob o lema “Não há praias como as de Gaia”, a época balnear arrancou repleta de surpresas, passando a principal pela instalação de uma piscina com água do mar aquecida, na Praia de Canide Norte, cujo acesso será gratuito. O que está na origem deste projeto? Qual é o seu principal objetivo? Até quando estará disponível? De que forma beneficiará os praieiros?

Realmente é uma das grandes novidades desta época balnear. Esta piscina surgiu de um conjunto de conversas e ideias, com o intuito de fazer alguma coisa diferente, e surgiu de alguns brainstormings e alguns inputs, quer internos, quer externos, em que todas as avaliações que nós fazíamos indicavam um sentimento geral da população, e também interno, de que as praias de Gaia são as melhores do país, e até comparadas com as melhores do mundo, mas tinham dois problemas, que não são controláveis: a água fria, apesar deste ano até nem estar má, e nortada. Enfim, foram os dois problemas identificados. E nós sempre achamos que nunca conseguiríamos resolver esses problemas, porque são questões naturais e meteorológicas. É um projeto, naturalmente, fora da caixa, mas surgiu, um bocadinho, como resposta a esses dois problemas. Para conseguirmos dizer que conseguimos resolver os únicos problemas que tínhamos nas praias de Gaia. Criamos, de facto, uma zona de estar e de lazer, com as características de uma piscina, nós usamos o termo piscina porque é a melhor forma de identificar, mas, na realidade, não é bem uma piscina, ou seja, as pessoas vão ter mesmo a sensação de que estão a entrar no mar, porque ela vai tendo um declive como se estivéssemos, realmente, a entrar no mar. Está situada na zona de Canide Norte e as dimensões são cerca de 20 metros por 25. É com a água do mar, água salgada, aquecida, 100% sustentável, porque é aquecida por painéis solares e, depois, terá uma barreira, vamos dizer assim, como que a imitar as barraquinhas de praia, portanto, a dar aqui, também, um ar muito tradicional, não é nada feito com construção, é tudo muito natural. Aliás, toda ela é sustentável, é amovível, portanto, não vamos estragar a praia, mas é um local onde podemos estar com a água do mar, na praia, junto à areia, com 28 ou 29 graus, o que é fabuloso. É, naturalmente, uma piscina muito pensada para as crianças e para os mais idosos, para as mães e para os pais estarem com os seus filhos e os seus bebés, para usufruir daquele espaço e é gratuita. Sendo um projeto muito interessante, a população também tem que nos ajudar a que ela se torne agradável, ao não cometer excessos. Nós temos, naturalmente, um conjunto de regras, vigilância e alguns critérios de gestão. A sua utilização está limitada a 50 pessoas, de cada vez, e essas podem permanecer na piscina por um período de 30 minutos, isto para o espaço não ser monopolizado, mas sendo um projeto novo, vamos afinando, diariamente. Obviamente que o planeamento, a preparação e toda a fase do projeto é muito ampla, trabalhamos nela durante uns meses. A piscina estará aberta até ao final da época balnear, depois, como ela tem a característica de ser amovível, será retirada.

 

Sendo que é amovível, no próximo ano poderá estar noutra praia?

Ela foi projetada para esta praia tendo em conta a dimensão da piscina para a dimensão do areal, mas a sua questão é muito pertinente, porque ela pode ser usada noutras praias. Portanto, nós podemos chegar à conclusão que, no próximo ano, estará noutra, desde que essa tenha condições de areal para a instalar. E até se pode dar o caso de ser replicada e termos mais do que uma, vamos ver como corre, é um projeto-piloto e vamos encará-lo como tal.

 

Segundo o que foi dito na cerimónia de abertura da época balnear 2022, já foram alvo de vários contactos de entidades interessadas em replicar esta piscina, certo?

Este projeto é inédito no país, aliás, até nem sei se não será inédito em termos mundiais, mas está a criar muita expectativa e estamos a receber muitos contactos de outros municípios que querem replicar o projeto. Portanto, eu acho isso muito interessante, não tem direitos de autor, ou seja, há de ser replicado e, se for uma boa ideia e se funcionar bem, então que seja.

 

A transformação da Praia de Brito, em São Félix da Marinha, em pet friendly foi outra das novidades. Que condições foram criadas para que esta possa ser frequentada por animais de estimação?

Deixe-me só explicar o seguinte, todas estas surpresas não abriram, propositadamente, no dia da abertura da época balnear e por uma razão muito simples, este ano o país enfrenta um problema de falta de nadadores salvadores. Portanto, aquando da abertura da época balnear, nós tínhamos que gerir os nossos recursos de nadadores salvadores para que todas as praias com Bandeira Azul tivessem nadadores salvadores e as pessoas tivessem a salvaguarda de que iam à praia e ela era segura e vigiada. Nós não quisemos abrir a praia pet friendly e a piscina quando tínhamos dificuldade em ter todas as praias com o nadadores salvadores. Foi feito um trabalho muito intenso para resolver a questão e, agora, posso garantir que todas as praias têm vigilância de nadadores salvadores, as praias fluviais também já têm a vigilância, portanto, nós estamos a cumprir integralmente, quer o nosso plano integrado de segurança nas praias, quer o nosso compromisso de ter vigilância nas zonas fluviais, e estamos em condições de ter, por exemplo, um nadador salvador na Praia de Brito, que não sendo concessionada, ao ter esta novidade de ser uma praia que as pessoas vão procurar para levar os seus cães, vai ter mais pessoas, é natural que vão ao banho, inclusive com os seus cães, por isso, mesmo não sendo obrigatório, quisemos lá pôr nadadores salvadores. Só quando tivemos a questão dos nadadores salvadores estabilizada é que avançamos para estes novos projetos. Para além de permitir a entrada, propriamente dita, de cães no areal, vai ter algumas condições especiais. Foi pensada, precisamente, para ser uma praia divertida para os donos estarem com os cães. Terá contentores, dispensadores de saquinhos para os dejetos, e as pessoas também têm de ter essa responsabilidade de contribuir connosco para que ela esteja sempre limpa e asseada, mas vai ter, também, algumas brincadeiras, aqueles obstáculos de agility e espaços próprios para os donos poderem, para além de estarem na praia, poderem brincar com os seus cães. Ela vai ter essas novidades de ter sido pensada, não só para os receber, mas para os receber bem.

 

Esta é uma ideia que acaba por acompanhar os tempos, não é? Se há alguns anos atrás não se via estas características como prioritárias para uma praia, agora, as coisas mudaram um pouco?

Sim, é um acompanhar dos tempos, a sociedade também evoluiu desta forma e nós temos de olhar para as tendências e perceber o que é que a população procura e espera, para acompanhar essa tendência. Sendo esta uma tendência atual, nós decidimos avançar. Acho que vai ser uma praia muito procurada, até porque, apesar de ser uma tendência, é a primeira praia da Área Metropolitana do Porto com estas características, portanto, acho que vai ser muito procurada, quer por gaienses, quer por pessoas de fora do concelho, no fundo, por pessoas que gostam de estar com os seus cães e de passear com eles. Nós temos de ter praias para todos, para quem gosta de estar com os seus cães e praias onde as pessoas não querem e, então, não é permitido o acesso de cães, pelo menos durante a época balnear. Acho que é neste equilíbrio que a sociedade acaba por ter oferta para toda a gente.

 

Relativamente ao espaço “O Mar dá-te Palco”, que vai estar disponível para a atuação de vários artistas e onde decorreu, inclusive, a cerimónia da abertura da época balnear 2022. De que forma vai animar os gaienses e turistas?

Esse local foi pensado para ser um espaço multiusos, com algum grau de informalidade, ou seja, para que nós possamos, ali, naquele espaço, receber todo o tipo de atividades, sejam elas desportivas, como por exemplo, uma aula de cycling, uma aula de yoga, uma aula de zumba, uma aula aeróbica, enfim, o que quisermos, mas também, por exemplo, ter um concerto, um DJ ao final do dia, uma apresentação de um livro, uma conferência ou uma cerimónia, como a que tivemos, portanto, multidisciplinar. Que possa ser, precisamente, também, um espaço em que um jovem criador, um jovem artista ou jovem músico, que não tem palco, possa nos contactar, dizer que gostava de fazer, ali, uma atuação e, portanto, ter naquele espaço um pequeno momento de apresentação, mas que também possa ser interessante para quem lá está e para quem possa assistir. Por isso é que designamos o local de “O Mar dá-te Palco”, porque é muito esse o objetivo. É um palco que fica mesmo com horizonte de mar e onde o mar acaba por dar palco a quem, normalmente, não tem. Portanto, as pessoas podem mesmo procurar-nos e dizerem-nos que querem fazer a apresentação de um livro lá, um pequeno concerto, o que for. Depois, vamos aproveitar esse espaço, mas, depois, também outros, ao longo da orla, para poder criar aqui pequenos momentos de animação, seja ao final do dia, ao início da manhã, muito nesta de grupos não conhecidos, de cultura popular, de ranchos, entre outros, que se queiram mostrar, mostrar o seu trabalho e que se possa juntar o útil ao agradável, por um lado, mostrar cultura e, por outro lado, também, criar momentos de atratividade e dar mais animação à praia.

 

A chegada do verão trouxe mais uma preocupação aos municípios, relacionada com a gestão da água, um recurso importantíssimo que se tem vindo a tornar cada vez mais escasso em algumas zonas do país. Que ações ou projetos estão a ser implementados pela Águas de Gaia tendo em vista minorar o desperdício e consciencializar a população?

Eu julgo que os operadores de água, as utilites de água, no qual nós incluímos e temos seguido essa estratégia, têm de olhar para esta questão da seca com enorme preocupação e com a preocupação de que, por um lado, temos que encarar este problema, um bocadinho como as alterações climáticas, temos que combatê-las, mas também perceber que já temos que viver com elas, ou seja, adaptarmo-nos à nova realidade, alterarmos comportamentos, porventura, e, portanto, a seca é, de facto, algo que nos preocupa, que nós devemos olhar dessa forma e tomar medidas concretas. Nós assumimos uma estratégia baseada em três pilares, muito específicos, e que estamos a levar em conta e a desenvolvê-los. Em primeiro lugar, é a nossa própria gestão, que ela seja mais eficiente e que possa reduzir o desperdício. Portanto, temos uma estratégia muito clara para redução de perdas de água e para a redução da água não faturada. Queremo-nos enquadrar entre os melhores, em termos nacionais e internacionais, queremos chegar ao final deste ano com um índice da água não faturada na ordem dos 14%, tendo como objetivo, até 2024, aproximarmos esse número dos 10%, que é, de facto, um número equiparado aos melhores do mundo. Isso permite, por um lado, uma gestão mais eficiente do recurso água, do nosso recurso hídrico, e, dessa forma, contribuirmos, de facto, para o não desperdício e, portanto, para o combate a este flagelo das perdas de água, e numa altura de seca isto torna-se ainda mais importante. Depois, um segundo pilar, que tem a ver com as novas fontes de água e a reutilização de águas, aqui com dois projetos muito concretos. Um que tem a ver com a reutilização da água pluvial, a água da chuva, e nós desenvolvemos uns dispositivos, que temos vindo a instalar em algumas escolas do concelho, dispositivo este que o que faz é reaproveitar a água da chuva e, portanto, coletar essa água da chuva para os autoclismos. Este é um projeto muito interessante, por um lado, porque proporciona a reutilização de água e, também, este contributo para a questão da seca, mas, por outro lado, e em paralelo, acaba por ter, também, aqui, um efeito educador, de educação ambiental, porque, sendo nas escolas, os alunos começam a despertar para esta consciência e para este assunto. Também neste segundo pilar da reutilização, temos em curso um projeto, em parceria com a SIMDOURO, que é de reutilização da água residual tratada, ou seja, a água que sai da ETAR, que é, neste momento, água tratada, despoluída, e que, neste momento, nós devolvemos a natureza, ao mar e ao rio. E porquê devolvê-la quando a podemos reutilizar, para rega, limpeza urbana, algumas utilizações industriais? Portanto, o que nós estamos a fazer, em conjunto com a SIMDOURO, é, precisamente, ter essa possibilidade, que tecnologicamente já existe, inclusive já abrimos, no fundo, o nosso primeiro ponto da água reutilizada. Agora, termos de enquadrar isto na legislação vigente e homologar junto da Agência Portuguesa do Ambiente, mas o objetivo é que no futuro, e que eu espero que seja num futuro próximo, toda a zona da orla marítima, junto às praias, o próprio Vale de Sampaio e, eventualmente, o Campo de Golfe de Miramar, todas estas zonas, possam vir a ser regadas com água residual tratada. Assim como, a própria limpeza urbana, por exemplo, os camiões da SUMA, possam abastecer com este tipo de água e limpar a via pública com água residual tratada. E o terceiro pilar, que também considero muito importante, é a componente da comunicação e da sensibilização. Portanto, temos um conjunto de ações de sensibilização e de campanhas para a poupança de água, quer através das nossas redes sociais e outros meios, nomeadamente, a comunicação social, e, por isso, nós estamos muito focados em lançar campanhas para sensibilizar a população para a poupança de água, quer campanhas públicas, quer campanhas direcionadas às escolas. Eu julgo que as escolas são, hoje veículos, fundamentais, as crianças vão ser os adultos de amanhã, e têm um papel muito importante de chegar a casa e dizer aos pais que têm de poupar água, que não podem desperdiçar água. De facto, estamos enquadrados nesse processo e é com enorme satisfação que verificamos, por exemplo, a recente aprovação, na Área Metropolitana de Porto, deste plano para o uso mais eficiente da água, que vai permitir que os municípios da Área Metropolitana do Porto possam, também, eles próprios, fazer campanhas direcionadas para a poupança de água. Assistimos a isso com agrado e nós estamos, totalmente, alinhados com essa estratégia.

 

Mas do que vai observando, acredita que, efetivamente, a população já tem consciência do problema, ou ainda é um não assunto na sociedade?

Eu acho que já é assunto é assunto, agora, é daqueles assuntos onde eu acho que ainda há um sentimento que só acontece aos outros, é um bocadinho como as doenças ou os azares, só acontece aos outros. Mas não, a seca pode-nos bater à porta. Efetivamente, e se nós olhamos para a nossa região, principalmente, para o Douro Litoral, nós não temos os problemas tão graves como têm os nossos concidadãos do sul do país ou no Noroeste Transmontano. Temos ainda bastante água no rio Douro, mas temos que olhar para isto e, primeiro, a meu ver, temos de ter um caráter solidário., se há outras pessoas que vivem já, hoje, com escassez de água, nós não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar água, quando outros não têm. Isso é uma questão de cidadania, de solidariedade e de responsabilidade. Por outro lado, é um problema que hoje não vivemos, mas amanhã podemos vir a viver. Portanto, eu acho que, apesar das pessoas já terem muito esta preocupação da seca, parece que só se lembram quando há notícias e é um bocado o sentimento de que só acontece aos outros, mas não, pode acontecer a nós. Eu acho que já estão despertas para o problema, mas necessitam de ter, elas próprias, ações concretas, como diminuir um bocadinho o tempo dos banhos, fechar a torneira quando lavam doentes, desperdiçar o menos água possível e perceber que a água é um recurso escasso, que é um bem que tem que ser pago, porque ele é gerido. Há um conjunto de ações que, no fundo, têm um valor económico, portanto, tem que ser gerido, obviamente, depois há mecanismos para quem tem famílias numerosas, famílias com escassos recursos, nesses casos, há tarifas sociais e todos os mecanismos, mas, no geral, nós temos que perceber que a água é um bem escasso e que temos de pagar esta gestão, como a de outros bens que temos, como a eletricidade. A população tem de ter, realmente, este sentimento. Eu julgo que já começa a ter, mas ainda é preciso trabalhar mais nesse sentido.

 

O prestígio da Águas de Gaia tem transportado esta empresa além-fronteiras, levando à criação da Academia H20. De que forma é que esta se direciona e está a impactar nos Países de Língua Oficial Portuguesa, como é o caso da Ilha do Príncipe, a quem foi direcionado o primeiro curso para profissionais de outros países?

De facto, é bom ver que as Águas de Gaia reforçam, cada vez mais, o seu papel de notoriedade, quer a nível nacional, quer a nível internacional, não só pelos nossos resultados, pelas nossas iniciativas, pela nossa forma de gestão, também pela nossa participação em fóruns internacionais, pela nossa participação na Associação Europeia de Operadores Públicos de Água, a Aqua Publica Europea, na qual temos um papel importante na própria direção desta associação. A Academia H2O acaba por ter sido pensada num duplo sentido. Primeiro, no sentido interno e de alimentar a nossa própria necessidade de formação interna, institucionalizando esta formação e dando um corpo à nossa formação. Obviamente, nós já damos formação aos nossos funcionários, mas agora eles passam a ter um espaço de formação próprio, que é a nossa academia, que desenvolve, ao longo do ano, várias ações e cursos de formação, a pensar nos nossos colaboradores. Mas depois, também, num sentido externo, quer nacional, quer internacional e, aqui, o internacional tem um peso importante para nós, nomeadamente, como referiu, os Países de Língua Oficial Portuguesa. Esta Academia foi, também, criada e pensada para dar resposta a algumas solicitações que nos vinham sendo colocadas, sobre poder receber colegas de outros países, nomeadamente Países de Língua Oficial Portuguesa, para virem aprender. Nós estamos a organizar e a pensar, de facto, cursos específicos para Países de Língua Oficial Portuguesa e a Ilha do Príncipe, e São Tomé e Príncipe em particular, é um dos países irmãos que já mostraram esse interesse. Teve cá o presidente do Governo Regional do Príncipe, o Filipe Nascimento, que mostrou essa vontade, essa necessidade e, portanto, aquilo que nós desenhámos foi, de facto, agora, a partir do segundo semestre, receber, aqui, colegas da Ilha do Príncipe, da empresa de distribuição de água, para que possam vir, realmente, receber formação e, depois, regressarem ao seu país com mais conhecimento e mais know how. Iremos lançar esse curso, muito brevemente, agora no segundo semestre, e temos, cada vez, mais ligações ao Príncipe, nomeadamente no apoio ao Príncipe enquanto reserva natural da UNESCO, no qual estamos a colaborar com esses estudos e, também, iremos estar muito próximos num projeto que eles têm, relacionado com os resíduos sólidos urbanos. Tudo isto acaba por entroncar, depois, na academia, porque a formação é um pilar muito importante de toda esta estratégia.

 

O que representou, para si, assumir a presidência do Conselho de Administração da Águas de Gaia, em 2022?

Logo à partida, é um enorme orgulho saber que o meu trabalho enquanto administrador foi reconhecido. Esta casa não é uma novidade para mim, eu já tinha, aqui, funções executivas e, portanto, eu diria que, um bocadinho em tom de brincadeira, no dia seguinte a ter sido nomeado presidente, nada mudou no meu dia-a-dia e nada mudou no meu trabalho, mas mudou o sentimento de enorme satisfação, de enorme orgulho, com muita humildade, naturalmente, mas de enorme orgulho de saber que o meu trabalho foi reconhecido e que posso continuar a contribuir para o desenvolvimento das Águas de Gaia, para o desenvolvimento do concelho. Aquilo que me apraz dizer é que eu vou tentar retribuir esta nomeação com enorme dedicação, com enorme empenho, com muito foco no meu trabalho e espero, um dia, sair das Águas de Gaia deixando-as um bocadinho melhor do que as encontrei, sabendo, porém, que eu as encontrei já muito bem. Esta empresa tem um histórico de enorme credibilidade. Já era, um bocadinho, a minha casa, portanto, de facto, aqui é uma continuidade do trabalho e é o que eu digo, no dia seguinte, o meu dia-a-dia não mudou, embora devo confessar que, nem que seja de forma psicológica, há aqui um peso, um aumento de responsabilidade. Claro que, como disse, já tinha funções executivas, mas há, aqui, um ligeiro aumento de responsabilidade. É quase como quando uma pessoa mora junto, com um companheiro ou companheira e, depois, decide casar. Nada mudou, mas há um aumento da responsabilidade, e aqui é um bocadinho igual.

 

Simultaneamente, também é o único português que faz parte do Conselho de Administração da Aqua Publica Europea. O que significou, para si e para a Águas de Gaia, esta nomeação?

Foi, também, muito importante, porque nós, de facto, aproximamo-nos deste movimento, desta associação europeia e, entretanto, surgiu o convite para entrar no Concelho de Administração. Os órgãos de gestão desta associação têm dois níveis, na realidade, para além da Assembleia Geral, que reúne todos os associados da associação, depois ele é dirigido por um Concelho de Administração e, dentro desse, inclusive, há um núcleo executivo. De facto, inicialmente, eu ingressei no Conselho Administração e, agora, recentemente, inclusive, fui eleito pelos meus pares para fazer parte deste núcleo. Portanto, a presidência da associação europeia é, atualmente, exercida pelo presidente das Águas de Bruxelas, a VIVAQUA, e eu faço parte desse grupo restrito, o que também é importante para mim, enquanto profissional, mas, principalmente, eu julgo que é importante para as Águas de Gaia, porque, de facto, podemos dizer que a nossa empresa municipal representa Portugal nesta associação. Temos vindo a desenvolver trabalhos muito importantes ao nível do debate, das novas diretivas para água para consumo humano, novas diretivas e novos regulamentos europeus para a questão das águas balneares, para a questão das águas residuais, portanto, é uma associação que trabalha muito próxima das instituições europeias, quer do Parlamento, quer da Comissão. Por outro lado, partilhamos boas práticas, fazemos brainstormings de atividades, levamos a cabo um programa muito interessante, chamado Water Erasmus, que é um programa de partilha de experiências e conhecimentos, quer remotamente, quer mesmo, até, presencialmente, partilhando equipas, um bocadinho como o Erasmus da faculdade, em que podemos fazer experiências lá fora. Representa, de facto, uma enorme satisfação pertencer a este Conselho de Administração da Aqua Publica Europea, que é uma associação que, hoje, já representa muitas empresas públicas de água e que representará, no futuro, certamente, muitas mais, porque todas as empresas públicas de água são convidadas a participar. Ainda recentemente, aprovámos, em reunião, a adesão da empresa de Águas de Varsóvia, logo, é uma enorme satisfação fazer parte deste movimento europeu que é, simultaneamente, também, o sinónimo do bom nome que as Águas de Gaia têm a nível internacional, do prestígio que vai gozando e que eu julgo que é um prestígio que se vai reforçando e renovando.

 

Quais são os seus projetos e perspetivas para o futuro? Algum projeto que já esteja em mente?

Os sonhos vão surgindo e, às vezes, surgem estas ideias, assim novas e que nos trazem muito entusiasmo, mas nós temos um planeamento a médio e longo prazo, portanto, temos um plano para a empresa e para o concelho, em matéria de abastecimento de água e de saneamento. Nós temos, de facto, alguns projetos muito concretos que eu posso anunciar. Logo à partida, na área do saneamento, o que nós designamos de ‘Gaia 100% saneamento’. É um projeto a médio/longo prazo que nos vai permitir cobrir, na totalidade, o concelho com saneamento. Estamos, desde já, com 150 projetos, já desenvolvidos para colocar em obra. É um processo que não é imediato, é multianual e, portanto, é um projeto a longo prazo. Mas temos já 150 zonas para ligar o saneamento, num período, naturalmente, plurianual e programado. Este é o projeto que designamos de ‘Gaia 100% saneamento’. Depois temos, na área do abastecimento de água, a questão da telemetria, dos contadores inteligentes. Este ano fizemos um projeto piloto e temos já 1700 contadores inteligentes instalados nas áreas Santa Marinha e São Pedro da Afurada e na Urbanização Urbicoop, portanto, foram duas zonas piloto onde nós instalámos os contadores para desenvolver o projeto e que está a correr muitíssimo bem. Pretendemos que, até final deste ano, venhamos a cobrir 50% da nossa rede com contadores inteligentes. Isso vai permitir-nos ter uma gestão mais eficiente do ponto de vista da gestão da água, do ponto de vista da gestão dos nossos clientes e onde eles vão passar a ter, também, um serviço mais personalizado, que é poder receber alertas de fugas de água nas suas casas, consumos anormais, entre outros. Esta questão das fugas, por exemplo, é um problema invisível que nós vamos torna-lo visível e proativo. Depois, temos o nosso projeto integrado de redução onde pretendemos, como referi há pouco, chegar ao final do ano perto dos 14% de água não faturada e pretendemos chegar a 2024 perto dos 10%. Portanto, temos aqui metas.

 

Quais são os valores atuais?

Neste momento, estamos abaixo dos 19%. A média nacional é 28% ou 29%, salvo erro, e, portanto, estamos abaixo da média nacional, mas queremos, ainda, fazer muito mais e posicionar-nos, realmente, entre os melhores dos melhores. Por isso, sim, às vezes há sonhos que surgem, mas, além dos sonhos, há uma estratégia de gestão muito bem definida, com um planeamento, plurianual, que nós pretendemos implementar e continuar a trabalhar, não nos desviando do nosso grande projeto que é manter as Águas de Gaia sustentáveis, quer do ponto de vista ambiental, quer financeiro, e que seja, de facto, uma empresa cada vez mais eficiente e moderna.

 

Para terminar, que mensagem gostaria de transmitir?

A mensagem, em primeiro lugar, como já se referiu ao longo desta conversa, é para que tenham, de facto, responsabilidade na utilização da água, para que a seca seja tida como uma preocupação de todos nós, de comunidade, e que nos ajudem, também, a contribuir para este desígnio nacional que é o combate à seca e às alterações climáticas. Por outro lado, que olhem para as Águas de Gaia como suas, porque somos uma empresa pública, temos muito orgulho em ser pública, somos uma empresa 100% detida pela Câmara Municipal, portanto, olhem para as Águas de Gaia como uma empresa do município e da comunidade. Desafiem-nos, também, com ideias e projetos. Nós encaramos as críticas sempre como positivas. Obviamente que, às vezes, hoje em dia, vivemos num mundo em que as pessoas estão um bocadinho agressivas e também nos entristece alguns comentários, nomeadamente, nas redes sociais, mas se esses comentários forem transformados em sugestões e alertas, nós agradecemos muito isso e tenho a certeza que sempre que nos reportarem algo que está menos bem, nós vamos, imediatamente, corrigir. A mensagem final que deixo é nesse sentido, que sintam as Águas de Gaia como vossa e colaborem connosco, através das redes sociais de inputs que nos deixam. Às vezes temos problemas, como todos, as ruturas de água não marcam na agenda, simplesmente surgem. Nós tentamos minimizar o dano para as populações, mas, às vezes, as fugas surgem nas horas mais improváveis. Nós tentamos minimizar o impacto negativo, em horários de banhos, horários de fazer jantares, mas quando surgem as fugas, nós temos que intervencionar nesses horários. Desde já pedimos desculpa à população e apelamos a que percebam esta realidade, mas nós, realmente, temos uma postura de tentar minimizar os danos e, portanto, envolvam-se connosco e incentivem-nos a fazer cada vez mais e melhor.