António Quelhas, presidente da AD Modicus Sandim, falou, em entrevista ao AUDIÊNCIA, sobre a sua paixão pelas modalidades de pavilhão, sobre as conquistas do clube e sobre os projetos que pretende incrementar.

 

Qual é a história da AD Modicus Sandim?
O clube foi criado e fundado a 4 de agosto de 1975, tendo em vista uma vertente cultural. Aquilo que me contam os sócios fundadores é que na altura, inclusive, faziam teatro, davam aulas e existiam algumas escolas que realizam lá os seus próprios exames do 9º ano, ou seja, o clube tinha uma vertente cultural e só, posteriormente, é que construíram um ringue descoberto ao lado da sede social, que era para os sócios se divertirem. O ringue foi construído pelos sócios e, na época, não foi estruturado para ser um pavilhão, mas entretanto a questão cultural começou a ficar ultrapassada e apareceu, dentro dos sócios e fundadores, uma equipa de andebol feminino, que foi a primeira equipa a utilizar o ringue. Seguidamente ao andebol feminino surgiu o andebol masculino e depois o futsal, o que conduziu ao crescimento das paredes do pavilhão e à construção da cobertura. Portanto, tudo foi feito aos poucos pelos sócios, não houve investimento público e a cobertura tinha o aspeto de um armazém. Na minha anterior direção, o antigo presidente, Rui Rocha, deu início a uma obra, na altura, com uma envergadura importante, que envolveu o melhoramento e a construção dos balneários, que eram pequenos e tinha muito poucas condições e, mais tarde, eu, no meu mandato, fiz a parte da cobertura, remodelei o pavilhão porque tinha mau aspeto e tratei do piso do pavilhão. Posso dizer-lhe que fomos fazendo estas obras por fases.

 

Desde quando é presidente deste clube?
A minha envolvência na direção do clube partiu de um grupo de antigos atletas e aconteceu numa altura em que o Modicus estava com algumas dificuldades em manter o projeto do futsal. Existia uma direção no clube e eu, numa primeira fase, fiquei responsável apenas pela secção do futsal, até que, numa segunda fase, acabei por me envolver no clube no seu todo, porque os dirigentes do próprio andebol acharam, a determinada altura, que eu devia ser o responsável do clube. Eu aceitei o desafio e sou presidente do clube há cerca de 13 anos. Posso afirmar que tenho feito aquilo que tem sido possível e que me têm deixado fazer.

 

O clube é composto por quantas equipas?
No geral, no que concerne o andebol masculino e feminino nós temos 6 equipas e no que respeita o futsal masculino e feminino nós temos 10 equipas.

 

A AD Modicus Sandim tem quantos sócios neste momento?
Neste momento nós temos cerca de 350 sócios.

 

Os técnicos efetivos são uma aposta deste clube?
Sim, os técnicos efetivos são uma aposta nossa e é por essa razão que temos tido os resultados que temos. Portanto, nós temos treinadores formados em todos os escalões, inclusive nas escolinhas, nas quais até temos mesmo professores de educação física. O grande sucesso do Modicus e das equipas seniores está relacionado com o facto de estas terem uma base muito grande de formação, caso contrário, as equipas não conseguiam chegar ao patamar das equipas a nível nacional como é o caso do Sporting e do Benfica. A nossa grande vantagem é termos sempre alguns atletas nos seniores que são da própria formação e é por esta razão que nós, de ano para ano, fazemos um investimento com vista a melhorar tudo o que seja formação, tanto no que respeita o tempo de treino, como os treinadores e as condições que proporcionamos. Eu não sei como é que os outros clubes funcionam, mas nós damos, em todos os jogos, lanche aos nossos atletas, temos bons formadores no clube e temos espaços de treino que são muito razoáveis. Posso dizer-lhe que nós, neste momento, temos dois treinos para cada escalão que são de 1 hora ou de 1h30. É lógico que nós não temos um pavilhão compatível e, por isso, fazemos um grande esforço, porque estamos a ocupar o Pavilhão do Modicus, o Pavilhão Escolar de Olival, o Pavilhão Municipal das Pedras, o Pavilhão Municipal de Vila D’Este e o Pavilhão Gimnodesportivo de Crestuma e é de salientar que nós estamos a falar de 16 equipas, das quais 4 são seniores, o que é muito complicado e muito difícil de gerir. Nós somos um bocadinho sacrificados pelo local onde estamos, porque a mobilidade é muito fraca e os diretores têm de andar, no dia-a-dia, a transportar estes atletas todos nas carrinhas, o que é muito difícil. Eu acho que nós estamos muito desfavorecidos em comparação com os clubes que estão localizados em áreas mais urbanas, de maneiras que temos mais este problema acrescido, mas temos combatido isso e temos tido bons resultados mesmo na formação, considerando que temos, por exemplo, uma equipa júnior que já atingiu os nacionais e que já tivemos os juniores de andebol também no nacional. Perante isto eu posso dizer que a nossa formação tem dado bons resultados, apesar de todas estas dificuldades em termos de logística, essencialmente, de transportes.

 

Que balanço faz desta época?
Esta época que passou foi extremamente positiva, se calhar foi das melhores épocas que nós tivemos, porque, por exemplo, a equipa sénior de futsal masculina foi às meias-finais do Campeonato Nacional, foi à meia-final da Taça de Portugal e foi à meia-final da Taça da Liga. O andebol masculino subiu, pois estava na terceira divisão e, como foi Campeão Nacional da terceira divisão, subiu para a segunda divisão. A equipa sénior de futsal feminino vai disputar este ano a primeira divisão distrital, o que, tendo em conta que é o segundo ano, já é num patamar muito razoável. Em termos de formação, as equipas alcançaram resultados razoáveis, competiram e situaram-se no meio da tabela.

 

O Modicus é a principal equipa de futsal do distrito do Porto, está na 1ª divisão e luta quase sempre pelos primeiros quatro lugares. Fale-me sobre as conquistas desta equipa e sobre a importância destes feitos.
O Modicus quando subiu à primeira divisão teve 3 ou 4 épocas em que subia e descia, mas nós, entretanto, com muito trabalho, conseguimos estabilizar a equipa na primeira divisão e isso é uma exigência muito grande. Nós criamos mecanismos, criamos uma base e criamos uma retaguarda que, neste momento, nos dá algumas garantias para continuarmos neste patamar. Nós temos uma equipa muito competitiva que tem visibilidade e que tem transmissões televisivas e são os patrocinadores que acabam por dar sustentabilidade a uma equipa destas. As conquistas das nossas equipas seniores são muito importantes, porque são as equipas seniores que acabam por ser a imagem daquilo que é o nosso clube e são também elas que acabam por ser, de alguma forma, a cativação da nossa formação, porque o trabalho que as equipas seniores desenvolvem dão corpo ao trabalho que é feito no clube em termos de formação. Nós temos, neste momento, em todas as equipas seniores jogadores da formação e é lógico que isto serve um bocadinho de talismã para os atletas da mesma e isso para o clube é fundamental. A imagem que o Modicus tinha há 10 anos atrás é completamente diferente da que tem atualmente, pois todas as pessoas conhecem o Modicus a nível nacional. Portanto, a imagem do Modicus já é, neste momento, bastante divulgada e isso é uma grande vantagem. Nós temos sempre o cuidado, em termos publicitários, de ter Vila Nova de Gaia presente e eu penso que o concelho acaba por tirar alguma vantagem disso, uma vez que, neste momento, a grande equipa de referência em Vila Nova de Gaia é o Modicus. Eu costumo dizer e tenho dito que acho que a autarquia devia privilegiar um bocadinho ou compensar de alguma forma estes clubes que dão uma boa imagem de Vila Nova de Gaia, ou seja, os clubes que estão na primeira divisão nacional, eu sei que é difícil porque existem muitos clubes, mas eu estou-me a lembrar, por exemplo, do Andebol do Colégio de Gaia, do Futebol Feminino do Valadares Gaia Futebol Clube, pelo que eu penso que a autarquia, se calhar, devia pensar e sensibilizar-se em dar um apoio financeiro a estas equipas, de modo a dar alguma sustentabilidade aos mesmos, para que eles possam manter estas equipas neste patamar. Mas vamos esperar que isso possa acontecer.

 

O Modicus conquistou recentemente um título na modalidade de andebol. O que representa esta conquista?
O andebol masculino do Modicus tinha condições, considerando o trabalho que tem feito e a retaguarda que tem, para chegar à primeira divisão e eu penso que só não tem chegado porque, como eu costumo dizer, nós não nos podemos desdobrar, ou seja, nós, atualmente, não temos condições para poder ter duas equipas, uma de futsal e outra de andebol, no primeiro patamar a nível nacional. Aquilo que eu digo é que nós, neste momento, temos o futsal, mas temos de nos aplicar muito e de dar muito de nós para conseguirmos ter esta equipa na primeira divisão nacional. Eu penso que o Modicus não tem capacidades para ter o andebol no primeiro patamar, no entanto, este é um objetivo que está na minha mente e, eventualmente, quando nós tivermos o nosso pavilhão concluído e quando deixarmos de ter tantas preocupações com os espaços do pavilhão, eu acredito que teremos condições de atingir esse feito, tendo em conta o trabalho que é realizado pelo andebol e pelas pessoas que trabalham nesta modalidade. É lógico que se nós precisamos de apoios para o futsal, também precisamos de um apoio da autarquia para podermos fazer com que o andebol chegue à primeira divisão. Eu diria que se o Modicus tiver mais um empurrãozinho financeiro da parte da Câmara Municipal tem todas as condições para poder chegar ao primeiro patamar do andebol a nível nacional, mas até aí temos de ser um bocadinho comedidos, porque nós não podemos chegar a todo o lado e não podemos fazer coisas que sentimos que não temos capacidades de fazer, pois não podemos deitar tudo a perder e, como tal, é melhor termos os pés assentes na terra, porque já é um grande prestígio e já é bom para nós termos a equipa na segunda divisão nacional e eu penso que já somos uns heróis se no final de cada época conseguirmos aquilo que temos conseguido. Todavia, eu costumo dizer que o Modicus, em termos do andebol, tem possibilidades no futuro de poder lá chegar se tiver uma maior sustentabilidade financeira, por isso se tivermos um empurrãozinho eu acredito que podemos também levar o andebol para a primeira divisão nacional.

 

Quais são os seus objetivos e as suas perspetivas para a nova época?
Nós implementamos, este ano, um modelo novo que eu penso que vai funcionar, pois foi com esse intuito que nós o executamos. O plano passa pela nossa equipa técnica das equipas seniores ser responsável, de alguma forma, pela formação, ou seja, vai haver uma equipa técnica que vai coordenar toda a formação. Isto está a acontecer no futsal e no andebol e eu penso que vai dar bons resultados porque acaba por existir aqui uma homogenia maior em termos daquilo que são as nossas ideias e os nossos objetivos. No que respeita as nossas expectativas para esta época, aquilo que eu tenho dito é que nós temos de manter as nossas equipas seniores dentro daquilo que foi a época passada, ou seja, o futsal tem de tentar ficar nos primeiros lugares e o andebol tem de ficar nos primeiros oito lugares, pois estes dão uma garantia de não descer. Considerando o nosso passado, eu acho que também podemos objetivar que a equipa feminina de futsal fique entre o 5º e o 6º lugar. Nós não podemos, neste momento, pensar em subidas e a nossa equipa de andebol masculina é uma tarefa mais complicada porque é uma equipa muito competitiva, pelo que o nosso objetivo é mantermo-nos na segunda divisão e, se possível, ficarmos no meio da tabela. No que concerne a equipa sénior de andebol feminino, nós esperamos que esta faça o campeonato com toda a dignidade e que seja um campeonato tranquilo. No geral, nós queremos dar continuidade ao trabalho que foi feito na época passada, com esta nuance de que, este ano, os projetos são um bocadinho diferentes pois contam com a liderança dos treinadores das equipas seniores.

 

Na sua opinião, qual tem sido o papel do presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, no contexto desportivo?
O presidente da Câmara Municipal de Gaia manteve aquilo que era dado pelos executivos anteriores, ou seja, sustentou o pagamento das inscrições. Mas, para além disso, também alargou o apoio por atleta, isto é, o subsídio por atleta e, depois, tem feito algo que eu penso que tem sido muito importante, que tem passado por procurar melhorar as instalações tanto dos pavilhões municipais como dos pavilhões dos clubes. Nós temos feito alguns melhoramentos que têm sido necessários no pavilhão do Modicus, porque, de ano para ano, tem sido preciso fazer obras e o presidente da Câmara de Gaia tem colaborado connosco e tem-nos ajudado com uma comparticipação das nossas despesas fixas, ou seja, tem compensado o clube com as despesas da água e da luz e isso tem sido muito importante para o clube. Nós utilizamos um pavilhão próprio, assim como o Coimbrões e o Perosinho, e o apoio que o presidente da Câmara Municipal de Gaia tem dado a estes clubes em termos de compensação para as despesas que nós temos de suportar é essencial, é pouco, podia ser mais, mas é um princípio. Eu penso que a autarquia tem estado a acompanhar muito de perto os clubes e eu penso que está a fazer um bom trabalho como agora, inclusive, na compra do terreno e na reconstrução e remodelação que vai ser feita do pavilhão do Modicus. Eu acredito que os clubes têm tido um apoio efetivo da Câmara Municipal a nível financeiro e a nível de melhoramento das próprias infraestruturas, mas acho que, a nível de Gaia, devia de haver uma perspetiva um bocadinho diferente considerando aqueles que são os objetivos do clube, ou seja, a autarquia devia privilegiar ou criar aqui um subsídio ou uma compensação para aqueles clubes que estão, realmente, na primeira divisão nacional, porque era justo, pois, como eu costumo dizer, nós temos despesas de transporte para Lisboa, temos despesas de alimentação quando vamos a Lisboa e eu às vezes chegou à conclusão de que se calhar é mais fácil estar na segunda divisão do que estar na primeira divisão, uma vez que nós na segunda divisão temos um terço das despesas que temos na primeira divisão. Eu não digo que a autarquia devia dar dinheiro aos clubes para eles chegarem ao primeiro patamar, mas sim que devia comparticipar os clubes que lá chegam, até porque é o que acontece com alguns clubes que estão à nossa volta. Existem Câmaras Municipais que dão um subsídio diferente aos clubes que estão na primeira divisão daqueles que estão na segunda ou na terceira divisão e isso justifica-se e eu penso que é uma ideia ou um projeto que a própria Câmara terá de definir e eu penso que o senhor presidente da Câmara de Gaia está sensível a isso. As coisas não podem ser feitas todas ao mesmo tempo, tem de haver um “timing”, mas eu penso que, com o tempo, isso irá acontecer para dar alguma sustentabilidade aos clubes que se encontram na primeira divisão, porque se estes clubes não tiverem aqui um apoio efetivo da autarquia para conseguirem continuar na primeira divisão os clubes correm o risco de, mais cedo ou mais tarde ou por este motivo ou por aquele, acabarem por cair. Vila Nova de Gaia tem uma riqueza muito grande em termos de modalidade de pavilhão e eu estou convencido de que se a Câmara fizer uma aposta nós daqui a dois ou três anos temos o andebol, o voleibol, o hóquei e o futsal na primeira divisão. Eu acredito que Gaia podia ser pioneira em termos daquilo que são as modalidades de pavilhão e que, se calhar, com pouco investimento a Câmara Municipal conseguia fazer isso.

 

O que é que a Junta de Freguesia de Sandim, Olival, Lever e Crestuma e o Município de Vila Nova de Gaia poderiam oferecer ao Modicus para que este clube se tornasse ainda mais forte?
A Junta de Freguesia está muito limitada e, normalmente, ajuda-nos com os transportes ao fim de semana e, essencialmente, com a mão-de-obra para um melhoramento ou outro que nós precisemos de realizar. É lógico que o apoio financeiro, que eu referi anteriormente, para nos dar a tal sustentabilidade teria de vir da Câmara Municipal. A autarquia teria de disponibilizar, realmente, uma verba para os clubes que estão na primeira divisão nacional, para que estes possam ter alguma sustentabilidade financeira. Eu acredito que se a Câmara Municipal de Gaia fizer isso, que vamos ter mais garantias para que o Modicus possa continuar durante mais tempo na primeira divisão e, como eu afirmei antes, para que o andebol possa lá chegar. Eu penso que é com toda a justiça que este pedido tem de ser feito, porque as pessoas que trabalham mais, que conseguem mais objetivos, que transportam o nome de Gaia por todo o país, deviam ser ajudadas pela autarquia. Eu acho que se a Câmara tiver uma participação ativa financeira em termos compensatórios vai resolver um grande problema de sustentabilidade e vai dar garantias aos clubes, para que estes possam continuar na primeira divisão nacional.

 

 

 

Quais são os seus maiores sonhos?
O meu maior sonho para mim foi, essencialmente, poder servir uma população que, de alguma forma, está carenciada em termos daquilo que são os espaços e as possibilidades para praticar desporto, sem ser o desporto tradicional que é o futebol. Eu penso que há aqui um défice em termos destas modalidades, que são modalidades ao fim e ao cabo secundárias, porque as pessoas estão muito viradas para o futebol e eu acho que as modalidades de pavilhão, essencialmente, merecem algum empenho e algum trabalho, para dar resposta àquilo que são as pessoas que gostam destas modalidades, pelo que, nesta perspetiva, a minha ideia foi sempre fazer um trabalho em prol desta parte da população e dos jovens que gostam de praticar outras modalidades sem ser o futebol, seja o futsal, seja o andebol ou seja outra modalidade, porque eu sou apologista das modalidades de pavilhão. O Modicus é um clube que está localizado no interior do concelho e vive de algumas dificuldades, essencialmente, em termos de mobilidade e de transportes e, na altura em que eu entrei para o Modicus, a minha vontade e o meu trabalho passou por prestar um serviço àquela comunidade do interior, portanto, àquela juventude, para que o pavilhão do Modicus pudesse, de alguma forma, servir para dar cobertura a estas modalidades de pavilhão, de modo a que as pessoas pudessem ter um espaço para poderem praticar as modalidades de pavilhão. Eu fui um dos responsáveis por criar também, na altura, o futsal feminino e por reativar o próprio andebol feminino, logo eu penso que, o núcleo das quatro freguesias também tem espaço para estas modalidades. Um dos meus grandes objetivos era estar ao serviço da comunidade para poder servir estes jovens e outra das minhas grandes ambições era dotar o nosso pavilhão das condições mínimas para a prática desportiva. Posso dizer-lhe que, ao longo destes anos, nós temos feito melhoramentos muito significativos no pavilhão do Modicus, com a construção de balneários, com a substituição da cobertura, com a substituição do piso. Portanto, nós temos garantido, de alguma forma, as condições mínimas para podermos praticar desporto. É lógico que isto tem sido um sacrifício acrescido, porque nós temos no dia-a-dia despesas com a manutenção do pavilhão e com as próprias modalidades, mas nunca perdemos de vista a criação de condições no pavilhão para que quem nós recebemos se sinta minimamente confortável, tanto atletas, como público. No entanto, nós também temos lutado praticamente todos os dias, todas as semanas e todos os meses, junto das entidades, para a existência de um pavilhão que nos desse as condições realmente totais para nós podermos receber as equipas adversárias. Ao longo dos últimos anos, o clube tem crescido muito tanto em número de atletas, como em número de equipas e em termos desportivos, porque acabou por atingir, essencialmente, no futsal, o patamar da primeira divisão nacional, que é o primeiro patamar da modalidade e o Modicus não tem, neste momento, um pavilhão com as condições para, por exemplo, poder ser feita uma transmissão televisiva. Portanto, eu tenho debatido e eu estou a falar não só do futsal mas também do andebol, que este ano acabou de subir da terceira para a segunda divisão e vai disputar a segunda divisão nacional, pelo que nós, em termos desportivos, estamos num patamar de exigência máxima em termos daquilo que são as condições necessárias para podermos receber os nossos jogos e eu penso que, neste momento, esta é a nossa lacuna, porque temos de nos deslocar e ir jogar para o pavilhão municipal e nós temos feito muito sacrifício ao longo destes anos para termos os resultados que temos tido e para melhorarmos as nossas condições, pelo que uma das nossas grandes ambições e preocupações é termos um pavilhão que dê para nós podermos fazer lá os nossos jogos e eu penso que isso é o mínimo e acredito também que é justo reconhecer que a nossa autarquia tem, ao longo destes anos, colmatado, de alguma forma, esta dificuldade em termos de instalações. Nós temos um pavilhão que foi construído pelos sócios, sem pensar, eventualmente, naquilo que era o futuro a curto prazo e foi um pavilhão que foi erguido com muito sacrifício, mas que, neste momento, não dá resposta àquilo que nós necessitamos e, neste aspeto, a autarquia também tem, dentro do que é possível, acompanhado estas obras que nós temos feito, de maneiras a nós, pelo menos, podermos fazer 90% dos jogos que fazemos o ano todo. Nós precisamos de ter um pavilhão que nos permita fazer os nossos jogos em casa e, como tal, eu penso que este executivo deu um passo muito importante nesta situação, uma vez que o senhor presidente da Câmara Municipal de Gaia, quando visitou as nossas instalações, assumiu logo na primeira hora que ia dar início ao processo para nós podermos remodelar o nosso pavilhão, de modo a termos condições condignas para podermos realizar lá todos os jogos. Numa primeira fase foi feita a compra de um terreno, que era necessário para o pavilhão, algo que já está concluído, já foi feita a escritura e, portanto, o terreno já é do Modicus. O projeto do alargamento está a ser elaborado e concluído pela Câmara Municipal de Gaia, já foi consultado e discutido por nós e eu penso que num curto espaço de tempo vamos ter, eventualmente, esta obra no terreno, conforme já foi assumido pela própria autarquia e pelo senhor presidente da Câmara e o pavilhão vai ficar com as condições de um pavilhão praticamente novo. Esta era uma necessidade antiga e uma obra que era essencial para esta zona do concelho e eu acredito que foi uma boa opção da Câmara e que a autarquia está atenta ao trabalho que tem sido feito por nós nesta localidade, essencialmente em termos de modalidades de pavilhão, porque o Modicus tem feito muito em termos desportivos e tem crescido muito. Nós temos, neste momento, cerca de 16 equipas em competição, o que é um número muito bom e eu penso que temos sido um ícone em Vila Nova de Gaia por conseguirmos, há cerca de 6 anos, atingir a primeira divisão nacional de futsal, por atingirmos a segunda divisão nacional de andebol, por termos praticamente todos os escalões de formação tanto de andebol como de futsal femininos e masculinos, por conseguirmos aguentar-nos, por darmos boas respostas, boas classificações e uma boa imagem do município. Eu acredito também que o Modicus é, neste momento, o clube que, se calhar, mais prestígio traz a Gaia, essencialmente, pelas transmissões televisivas dos nosso jogos, dado que nós temos uma média de 5 ou 6 transmissões televisivas por época e, inclusive, este ano, vamos ter a RTP a transmitir os nossos jogos em direto. Eu posso afirmar que agora falta concluir esta grande obra que é a remodelação do pavilhão e que, a partir daí, o meu trabalho será, de alguma forma, o culminar daquilo que foi o meu trabalho durante estes anos e eu, a partir desse momento, penso que será com grande satisfação que deixarei, eventualmente, o clube, com melhores condições em termos de infraestruturas e em termos desportivos e acredito que deixo também o clube com uma marca muito grande em termos de andebol e de futsal a nível nacional, com um número muito maior de atletas e com um maior número de equipas, pelo que eu acho que assim que o pavilhão tiver realmente as condições necessárias que a minha parte fica feita. Eu costumo dizer que cada um tem de fazer e aquilo que pode pela comunidade e eu penso que, concluindo esta obra, fica a minha marca de ter contribuído para o engrandecimento daquela zona, daquele clube e, essencialmente e fundamentalmente, para aquilo que foi um espaço para a juventude, para os pais e para as centenas de atletas que por aqui passaram e eu sinto-me confortável por ter contribuído, ao longo destes anos, para que estes jovens pudessem ter ali um espaço para poderem praticar desporto, pelo que eu penso que fica a minha parte feita, no sentido de ter prestado um serviço àquela comunidade e, essencialmente, àquela freguesia. Eu acho que as pessoas não devem estar eternamente nem devem eternizar-se no clube e que se não fosse esta obra eu, eventualmente, já poderia ter saído, mas é lógico que agora, esta fase, e é nesta perspetiva que eu estou a afirmar isto, é o culminar de dois grandes projetos, seja em termos desportivos, seja em termos de infraestruturas, o que me leva, de alguma forma, a pensar em sair do clube e em criar condições no clube para que quem vier a seguir possa ter as coisas facilitadas e possa dar continuidade ao meu trabalho. Eu não quero dizer com isto que esteja chateado com cansado, até pelo contrário, eu estou-me a sentir bem e tenho-me sentido bem e tenho tido muito gosto. Eu costumo dizer que quando não estiver bem e quando me sentir me sentir mal que ai sim terei mesmo de sair, mas não tem sido o caso, eu tenho feito as coisas com paixão e não me arrependo de nada. Eu posso dizer-lhe que perco muitas horas da minha vida, que perco muito tempo da minha vida e que, se calhar, também por muito dinheiro porque me ocupa muito tempo da minha vida profissional, no entanto é algo que eu tenho feito e que eu faço com muito gosto e acredito que as coisas têm corrido bem no que respeita a gestão da parte desportiva. Eu estou a antecipar um bocadinho as coisas porque acredito que o culminar desta obra pode conduzir a uma boa fase para poder haver aqui uma substituição para que alguém entre já com as condições todas prontinhas, pois eu defendo que tem de haver ideias novas e pessoas novas com ou outras expectativas, portanto eu sei e percebo que tenho feito um bom trabalho, mas acredito que podem vir outras pessoas com outras ideias que podem fazer um trabalho igual ou melhor do que o meu. Logo, aquilo que eu quero, esteja ou não no Modicus, é que o clube continue a crescer e que continue a dar espaço e possibilidades à nossa juventude feminina e masculina, para que ela possa ter ali mais um espaço do qual possa usufruir com todas as condições.

 

Pode falar-me sobre o eventual interesse demonstrado no passado por parte do Futebol Clube do Porto em adquirir o futsal do Modicus? Neste seguimento, pode contar-me se foi abordado ultimamente e se haveria, por parte do clube, disponibilidade para tal?
O Modicus foi abordado há 3 ou 4 anos para essa situação e, na altura, a questão nem se chegou a colocar porque é, de todo, impossível. O Modicus é um clube com associados e primeiro tinham de ser os sócios a pronunciar-se, mas antes de serem os sócios a pronunciar-se eu acho que deve ser o presidente que está na direção e aquilo que eu disse é que isso estava fora de questão e que o Modicus, pelo menos enquanto eu fosse presidente, não iria ceder os direitos seja ao Futebol Clube do Porto, seja ao Benfica ou seja a quem for. O Modicus é um clube instituído, é um clube dos sócios, é um clube da freguesia e, como tal, não fazia qualquer sentido, nem sentido nenhum, e esta é a minha perspetiva e mantenho-a, se o clube desse cedência dos direitos de andebol ou de futsal. Eu penso que esta situação ficou bem clara e esclarecida e acredito que o Futebol Clube do Porto percebeu que não tinha a porta aberta e que ela estava completamente fechada, pelo que, a partir daí nunca mais ninguém me falou desse assunto, mas caso me vierem abordar novamente eu darei a mesma resposta que dei há 3 ou 4 anos atrás.

 

Como vê um presidente de um clube tão representativo, o desenvolvimento do concelho de Vila Nova de Gaia?
Eu penso que o primeiro mandato desta Câmara foi para dar alguma sustentabilidade financeira que não existia. Todas as pessoas sabem, porque é público, que o senhor presidente da Câmara Municipal de Gaia estabilizou, de alguma forma, as contas da autarquia. Eu penso que as coisas poderão, nestes próximos tempos, desenvolver-se de uma forma diferente e, em termos daquilo que nos toca e no que toca a freguesia, nós temos a obra de remodelação do nosso pavilhão, que vai ser uma obra que nós já esperávamos há algum tempo. Eu acredito que a Câmara tendo agora condições financeiras vai fazer mais e eu estou convencido de que, a todo o momento, vão aparecer novos projetos e que Gaia vai ter, de certeza, nos próximos anos, mais pavilhões, mais campos e mais obras feitas. Esta é, como é óbvio, uma ambição deste executivo e nós acreditamos e confiamos neste presidente de Câmara, que eu penso que tem sido uma pessoa que tem falado sério, pelo que eu acredito que ele vai continuar a realizar o seu trabalho, se calhar, com mais folga e com mais condições para realizar aquilo que pretende e tenho expectativas de que o concelho vai começar a ter mais obras no terreno e de que o desenvolvimento vai continuar a ser grande porque o concelho merece.

 

 

BI

António Quelhas tem 56 anos, é natural de Sandim e é presidente da AD Modicus Sandim há cerca de 13 anos. O presidente foi atleta de futebol de 11 do Sport Clube “Os Dragões Sandinenses” e chegou a fazer uma ou duas épocas nos seniores até que, aos 20 anos, começou a envolver-se nos torneios de verão de futsal e viciou-se na modalidade.