As comemorações do 100º aniversário da Associação Recreativa e Cultural de Serzedo decorreram de 15 a 23 de março, mas está previsto que se prolonguem até ao dia 12 de outubro, com a realização de diversas atividades, no âmbito do centenário.

A Associação Recreativa e Cultural de Serzedo (ARCS) promoveu inúmeras iniciativas no âmbito das celebrações do 100º aniversário da coletividade. A Assembleia Geral da ARCS aconteceu no passado dia 15 de março e foi a primeira atividade integrada no programa comemorativo.

No dia 16 de março, realizou-se o hastear da bandeira, que contou com a participação da Orquestra, do Grupo Coral e da Academia de Dança, seguido de uma sessão solene e homenagem associativa, na qual a Associação distinguiu o sócio número dois.

A missa e romagem ao cemitério fizeram parte da programação para o dia 17 de março. António Lucas, presidente da direção da Associação Recreativa e Cultural de Serzedo, referiu ao AUDIÊNCIA que “se esta casa existe é porque os antepassados, os homens que por aqui passaram, mais homens do que mulheres, porque estas associações eram constituídas essencialmente por homens. A missa e romagem ao cemitério são simbólicas, mas, para nós, têm muito significado, porque agradecemos-lhes por eles terem vivido, porque se não fossem eles esta casa não existia”.

No dia 18 de março, a coletividade foi o palco de uma Noite de Música com homenagem “Mérito e Reconhecimento”, através da qual a Associação Recreativa e Cultural de Serzedo distinguiu um antigo aluno da Academia de Música ou da Academia de Dança. O presidente da direção da ARCS contou, e este propósito, que “este ano honramos uma antiga aluna da Academia de Música que, por acaso, foi a primeira mulher associada desta casa”.

O 100º aniversário, assinalado no dia 19 de março, foi celebrado com um concerto do Grupo Coral Sénior e do Coro Juvenil da Associação Recreativa e Cultural de Serzedo. “Foi uma noite fantástica, com o salão cheio, cantamos os parabéns e lançamos fogo-de-artifício”, salientou António Lucas.

No dia 20 de março, decorreu uma Noite de Poesia, que contou com a participação da Troupe das Palavras Vivas e da poetisa Rosita Orfa.
Eduardo Roseira, fundador da Troupe das Palavras Vivas, afirmou ao AUDIÊNCIA que “é muito importante estar aqui numa coletividade que tem 100 anos” e que o mais relevante “foi poder partilhar aquilo de que nós gostamos que é a poesia, a música e também os sorrisos”.

Almada Negreiros, Walt Whitman, Celso Emílio Ferreiro, Charles Simic, Pitágoras e Nicolás Guillén foram alguns dos poetas declamados por Eduardo Roseira, Irene Silva, Lourdes dos Anjos, Alzira Santos, Ana Maria Roseira e Aswin Barros, que proporcionaram, aos presentes, na véspera do Dia Internacional da Poesia, uma viagem à volta do mundo através da poesia e da música.

Paris, Estados Unidos da América, Espanha, Rússia, Sérvia, Grécia, Cuba e Índia foram alguns dos locais visitados pelos dizedores de poesia. Contudo, foi na Índia que Aswin Barros, cantor Gospel, natural de Goa, interpretou uma música original, criada no âmbito de um projeto em parceria com uma menina indiana, que une Portugal à Índia.

Mais tarde, a Troupe deu vida ao “Manifesto Anti-leitura”, da autoria de José Fanha, e referiu “abaixo a leitura, pim! Andam por aí elementos suspeitos que se escondem nas sombras das bibliotecas e chegam a ir as escolas para espalhar um vício terrível e abominável especialmente junto dos mais novos! Dos mais tenros! Dos mais ingénuos! Um vício que se chama Leitura!”. Foi assim que grupo enalteceu a importância da leitura, dos livros e das bibliotecas.

Depois desta intervenção, foi a vez da poetisa Rosita Orfa, de 91 anos, recitar os poemas “Primavera”, “Poesia” e “Fantasia da Vida”, da sua autoria.

Todavia, a Troupe das Palavras Vivas tomou a palavra e declamou, entre outros nomes, Aristides Silva, Alice Queiroz e Lourdes dos Anjos. O “Poema mal escrito na geografia de Moçambique” da autora moçambicana Deusa de África também foi recitado por Eduardo Roseira e pela irmã, Ana Maria Roseira, num momento comovente, a propósito da passagem do ciclone Idai por Moçambique.

Por fim, o grupo proporcionou uma viagem além-fronteiras através da lusofonia em forma de palavras vivas, na qual os presentes puderam assistir a uma performance poética baseada em excertos de 30 poemas que foram selecionados após uma pesquisa de 26 poetas da lusofonia e da Galiza.

João de Melo, Monteiro dos Santos, Neves e Sousa, Júlio Saraiva, Olavo Bilac, Osvaldo de Andrade, Osvaldo Alcântara, Ovídio Martins, Vasco Cabral, Carlos Brito, Glória de Sant’Anna, Rita Júlia, José Craveirinha, Mia Couto, Rui de Noronha, Sebastião Alba, António Nobre, Ary dos Santos, Eugénio de Andrade, Zeca Afonso, Luís Veiga Leitão, Alda Espírito Santo, Tomás Medeiros, Fernando Silvano e Xosé Lois García, foram os poetas que permitiram ao público visitar Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor e Galiza.

Não só de poesia se fez a noite, uma vez que o fado e o gospel também estiveram presentes pela voz de Irene Silva e de Aswin Barros, respetivamente.

A noite terminou com a interpretação do Hino da Troupe das Palavras Vivas e do Hino da Associação Recreativa e Cultural de Serzedo e, no final, os presentes beberam um chá e comeram uns bolinhos com sabor a poesia.
No dia 21 de março, realizou-se um concerto dos professores da Academia de Música e no dia 22 de março, decorreu um Café Concerto que contou com a participação de dois jovens.

O dia 23 de Março começou com a celebração do Dia do Pai, por parte da Academia de Dança e da Academia de Música e terminou com o Jantar de aniversário no restaurante Luso Venezolano, que encerrou a semana. “As comemorações dos 100 anos vão-se prolongar até ao dia 12 de outubro, aí sim, vamos ter o Jantar de Gala do Centenário, com um grande espetáculo de música ao vivo e até lá vamos ter várias iniciativas”, sublinhou António Lucas.

O presidente da direção da Associação Recreativa e Cultural de Serzedo destacou o desejo e ambição da existência de um espaço com outras condições.

“Nós já iniciamos a obra das novas instalações da Academia de Dança. A primeira fase está pronta, que é a fase de pedreiro, o prédio já está no ar e agora estamos em diálogo e em conversações com a Câmara de Gaia, para que o resto da obra termine. Acreditamos que vamos chegar a bom porto e que a Câmara nos vai presentear, pelos nossos 100 anos, com a conclusão da obra, o que para nós será fantástico, porque liberta-nos o espaço onde temos a Academia de Dança para nós instalarmos melhor a Academia de Música, porque a outra parte da Associação, que diz respeito às atividades recreativas, tem ficado para trás por falta de espaços próprios”, mencionou António Lucas, revelando que “neste momento, a Associação tem bem definidos os seus objetivos, a Academia de Dança, a Academia de Música, o Grupo Coral Adulto e a Orquestra e depois as atividades recreativas, nas quais um dos meus sonhos é criar um clube de poesia, assim como voltar a ter aqui os grandes bailes de carnaval. Com novas instalações nós pretendemos continuar a trabalhar para elevar, cada vez mais, a qualidade de todas estas atividades”.

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