A solução de autor da prova nº 4 do Torneio de Iniciação A. Raposo é hoje desvendada, juntamente com os resultados obtidos pelos nossos “detetives” na prova nº 3. Face a estes resultados, as classificações dos “detetives” em competição registam algumas alterações significativas, com destaque para a liderança isolada de Oluap Snitram no Grupo de Iniciados e para o “salto” significativo na tabela classificativa do Grupo Especial de Zé de Mafamude, graças à apresentação de uma brilhante e original solução que o coloca agora no grupo de concorrentes favoritos à vitória final. Nos “iniciados” salienta-se ainda, pela positiva, que apenas 5 (cinco) pontos separam os últimos classificados da liderança. E nos “veteranos” destaca-se ainda, mas pela negativa, a circunstância de um trio de concorrentes não ter obtido até ao momento qualquer pontuação. Mas a verdade é que ainda há muita competição pela frente, sendo de prever mais mudanças pelo caminho.

 

TORNEIO DE INICIAÇÃO A. RAPOSO

Solução da Prova nº. 4

“Tempicos e os Irmãos Sherif”, de A. Raposo & Lena

O preso na PJ era Hermann Sherif, o europeu, enquanto o muçulmano atuava em Frankfurt. Descobre-se isso por duas vias.

Um verdadeiro muçulmano não bebe álcool nem come carne de porco e, por isso, não iria pedir ao carcereiro uma sandes mista (queijo + fiambre) e a cervejola. Note-se que, embora se faça fiambre com carne de peru, este só é servido se for expressamente solicitado.

Um verdadeiro muçulmano, quando faz as suas orações diárias, também sabe orientar-se e dirigir a sua cabeça para Meca, lugar sagrado dos muçulmanos, que fica a oriente de Lisboa. Ora no texto diz-se que, naquele fim de tarde, quando o preso se ergueu após a oração, a sua cara ficou com os quadradinhos desenhados pelo sol que entrava pela janela gradeada. Isto indica que ele estava voltado mais para os lados do poente do que do oriente, ao contrário do que um bom e verdadeiro muçulmano faria. Vê-se que o Hermann não estava habituado a orientar-se para fazer as orações prescritas pela religião muçulmana.

Mas por que motivo, nos assaltos, os Sherif se preocupavam em não deixar qualquer dedada ou resíduo orgânico e, simultaneamente, pareciam não se importar de abandonar um alicate ou uma chave de parafusos com as impressões digitais do irmão encarcerado? Bom, dentro do esquema de um dos gémeos se fazer prender para fornecer um álibi ao outro, a descoberta do ADN, em qualquer resíduo orgânico atribuível ao ladrão, levaria à acusação do mano em liberdade. É fácil ver porquê. Eles, como gémeos monozigóticos, têm o mesmo ADN, que é um aspeto potencialmente vantajoso para os dois, enquanto delinquentes, por poder conduzir a alguma indecisão. Contudo, no presente esquema, isso nada ajudaria, visto ser evidente que, face à descoberta do ADN do larápio, só ao mano em liberdade podia ser imputada a autoria do assalto. No que respeita às impressões digitais o problema é diferente. Os gémeos monozigóticos têm impressões digitais muito semelhantes, mas distinguíveis entre si. Deste modo, o truque das ferramentas marcadas, que eles com certeza trocaram previamente, tinha em vista baralhar por completo as polícias, que se viam a braços com uma prova apontada a um indivíduo que, afinal, se encontrava à sua guarda!

Convenhamos que os manos Sherif devem ter querido, acima de tudo, troçar da polícia em geral, uma vez que acrescentaram riscos desnecessários aos bem preparados assaltos que levaram a cabo.

Esqueceram-se de que, para além dos inevitáveis erros, lhes podia aparecer pela frente um arguto e matreiro Tempicos, na circunstância representante de uma plêiade de policiaristas, sempre disposto a descobrir as mais pequenas falhas.

 

TORNEIO DE INICIAÇÃO A. RAPOSO

PONTUAÇÕES/CLASSIFICAÇÕES (após 3ª. Prova)

(entre parênteses assinala-se a soma das pontuações alcançadas nas duas primeiras provas e a pontuação obtida na terceira prova)

 

Grupo de Iniciados

1º. Oluap Snitram (20+10): 30 pontos;

2ºs. Agata Cristas (20+9), Bota Abaixo (19+10), Charadista (20+9), Chico da Afurada (19+10), Martelo (19+10), Mascarilha (20+9), O Madeirense (19+10) e Solidário (19+10): 29 pontos;

10ºs. Beira-Rio (19+9), Broa de Avintes (19+9, Detetive Bruno (20+8), Faina do Mar (19+9), Inspetor Mostarda (18+10), Mosca (20+8), Príncipe da Madalena (19+9), Tó Fadista (20+8) e Visconde das Devesas (18+10): 28 pontos;

19ºs. Mancha Negra (19+8), Moura Encantada (19+8), Pequeno Simão (19+8), Santinho da Ladeira (19+8): 27 pontos;

23ºs. Dragão de Santo Ovídio (18+8) e Zurrapa Verde (17+9): 26 pontos;

25º. Mula Velha: (16+9): 25 pontos.

 

Grupo Especial

1º. Detetive Jeremias (18+8): 26 pontos;

2º. Inspetor Mucaba (18+5): 23 pontos;

3º. Zé de Mafamude (6+10): 16 pontos;

4º. Inspetor Moscardo (8+3): 11 pontos;

5ºs. Madame Eclética (6+3), Ma(r)ta Hari (6+3) e Pena Cova (6+3): 9 pontos;

8º. Haka Crimes (8+0): 8 pontos;

9ºs. Arc Anjo (3+3), Inspetor Guimarães (3+3) e Talismã (3+3): 6 pontos;

12ºs. Holmes (3+0), Inspetor Madeira (0+3) e Necas (0+3): 3 pontos;

15ºs. Amiga Rola (0+0), Carlota Joaquina (0+0 e Vitinho (0+0): 0 pontos.

 

O DESAFIO DOS ENIGMAS NO CIBERESPAÇO

Relembramos os leitores que podem acompanhar a todo o momento o Torneio de Iniciação A. Raposo na Internet, através do blogue Local do Crime (localdocrime.blogspot.com) e do site Clube de Detectives (clubededetectives.pt), onde são publicados regularmente todos os problemas e respetivas soluções “oficiais”, bem como as pontuações obtidas pelos concorrentes em cada prova.

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