A Junta de Freguesia de Campanhã uniu-se à família de Ernesto Santos e organizou uma homenagem ao eterno autarca campanhense, que aconteceu no passado dia 22 de maio, na data em que celebraria 75 anos. A cerimónia, que decorreu no Auditório desta localidade, reuniu familiares, representantes das mais diversas forças políticas, entidades civis e militares, num momento de exaltação, memória, partilha, amor e saudade. Neste âmbito, o edil foi, ainda, agraciado, a título póstumo, com a Medalha de Mérito da Freguesia de Campanhã, Grau Ouro.

 

 

 

Ernesto Santos nasceu em 1947, no Bairro de São João de Deus, em Campanhã, no Porto. Começou a trabalhar com 11 anos e, ainda muito jovem, apaixonou-se pelo associativismo. Com uma vida de conquistas e de amor em prol da sua freguesia, o autarca foi distinguido, em 2016, pelo AUDIÊNCIA, com o Troféu Presidente de Junta, e, em 2022, com o Troféu Prestígio, pela função que desempenhava, de forma exemplar, desde 2013.

Descrito como sendo um homem humilde, amigo, genuíno e solidário, o então presidente da Junta de Freguesia de Campanhã faleceu, no passado dia 12 de março, vítima de uma doença prolongada.

Neste seguimento, a Junta de Freguesia de Campanhã realizou, no dia em que o autarca comemorava 75 anos, uma cerimónia de homenagem ao edil, no Auditório desta localidade, que contou com a presença de inúmeros familiares de Ernesto Santos, elementos da Câmara Municipal do Porto, presidentes de Juntas de Freguesia e representantes das mais diversas forças políticas, coletividades, assim como entidades civis e militares.

A sessão de tributo ao eterno presidente campanhense foi inaugurada com a projeção de um pequeno documentário, sobre a vida de Ernesto Santos, que contou com depoimentos de várias individualidades, que o acompanharam ao longo do seu percurso.

Após a apresentação do vídeo, chegou o momento das intervenções, que foi encetado por António Nunes, professor universitário e membro da Junta de Freguesia de Campanhã, que fez questão de afirmar que “o Ernesto era um homem de extrema simplicidade e falar da simplicidade é muito difícil”.

Mencionando a última entrevista que o eterno presidente da Junta de Freguesia de Campanhã deu em vida e que foi publicada na Magazine, do Jornal AUDIÊNCIA, que contemplou todos os galardoados na XVII Gala deste órgão de comunicação, o professor ressaltou que “o Ernesto Santos era um homem simples, era um homem amigo do seu amigo e era um homem grato à vida. (…) Era um homem que chorava, que tinha sentimentos e que nos amava a todos”.

Para António Nunes, “o Ernesto era um homem tão simples, que era filho de uma peixeira, teve uma vida na construção civil, uma vida fora dos livros, da escola e da universidade, mas que conseguiu aquilo que muitos de nós, com as vidas plenas da universidade, de mestrado e doutoramento, nunca fomos capazes de conseguir. Ele atingiu o pico da humanidade, o pico da sensibilidade e das relações humanas”.

Assegurando que “a população de Campanhã e fora de Campanhã nutriu, por ele, um carinho enorme”, o elemento da autarquia campanhense voltou a referir as declarações prestadas por Ernesto Santos ao AUDIÊNCIA, ressaltando que “quando nesta entrevista, lhe perguntaram, quais eram os seus maiores sonhos, ele disse: «o meu maior sonho é que a democracia continue». (…) O sonho do Ernesto é o meu sonho e eu, também, espero que o vosso sonho seja que a democracia continue”.

Seguidamente, Manuel Pizarro, presidente da Federação Distrital do Porto do PS e presidente da delegação do PS no Parlamento Europeu, foi convidado a intervir, sublinhando, comovido, que “de facto, o Ernesto Santos é uma pessoa de quem nós temos uma enorme proximidade. (…) Eu sou um enorme devedor do Ernesto Santos, porque não há nada que eu não tenha feito na política, em que não tenha tido o apoio dele”.

Frisando que, “o Ernesto via a política como uma forma de ajudar, solidariamente, as pessoas”, o presidente da Federação Distrital do Porto do PS asseverou que “ele nunca deixou de aceitar, de tratar bem os outros e de fazer aquilo que, do meu ponto de vista, era a ordem certa da política, pois ele, acima de todas as coisas, servia as pessoas e o interesse delas, da freguesia e da cidade. O Ernesto Santo fez sempre isto com elegância. Era um homem que personificava, em si, a ideia de solidariedade, pois era um homem, profundamente, solidário com tudo, com a família, com o partido que militava, com as pessoas de quem gostava, com as pessoas mais pobres e com as pessoas mais desprotegidas. O Ernesto Santos fez isto na política, em todos os momentos da sua vida. (…) Eu acho que é isto o que devemos recordar do Ernesto, esta disponibilidade, esta generosidade sem limites e o sorriso, que o acompanhava sempre”.

Também Nuno Fonseca, membro do Conselho Diretivo da ANAFRE e presidente da Junta de Freguesia de Rio Tinto, aproveitou a ocasião para dirigir “uma palavra muito especial à família, principalmente à dona Leopoldina, pois, nos últimos 8 anos, nós tivemos a oportunidade de privar tantas e tantas vezes. Quero deixar às filhas, netos, bisnetos e genros, um cumprimento muito especial”.

“Em nome da Associação Nacional de Freguesias, que eu represento, aqui, hoje, quero deixar um abraço muito especial a alguém que esteve connosco, até ao último dia. Nós estávamos em pleno Congresso da Associação Nacional de Freguesias, onde o Ernesto terminaria o seu mandato, quando recebemos a notícia. (…) Lamentamos a perda de um amigo”, revelou o autarca, evidenciando que “eu sempre vi a proximidade com que o Ernesto falava da família e da paixão da dona Leopoldina pelo Futebol Clube do Porto”.

O representante da ANAFRE usufruiu, ainda, do momento para parabenizar a Junta de Freguesia pela homenagem, uma vez que acredita que “é verdadeiramente merecida, não apenas porque o Ernesto era presidente da autarquia quando faleceu, mas é muito merecida pelo homem que o Ernesto foi, pelas saudades que o Ernesto nos deixou e pelo facto de nós todos nos sentirmos muito mais pobres, porque perdemos um amigo, porque o Ernesto Santos era, efetivamente, um grande amigo”.

Por conseguinte, o atual presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Paulo Ribeiro, foi convidado a discursar, porém, a emoção apoderou-se do edil naquele momento e impediu-o de se dirigir ao público. “Eu não tenho muitas palavras. Eu via o Ernesto Santos como um pai. Custou-me muito, está-me a custar muito. Peço desculpa, mas eu não consigo dizer mais nada”, divulgou o autarca.

Neste contexto, Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, marcou presença nesta cerimónia de homenagem, em representação de Rui Moreira, presidente da autarquia, destacando que “as palavras que, aqui, ouvimos, também devem servir para homenagearmos aquela, que era uma pessoa importante para Campanhã. (…) A vida pública, que é tão importante, e que o Ernesto tão bem soube representar”.

Garantindo que “é um facto de que o Ernesto nunca foi um opositor de ninguém, pelo contrário, foi sempre uma pessoa muito próxima, com quem nós gostávamos muito de trabalhar e não podia ser de outra forma”, o autarca atestou que “a nossa relação sempre foi de grande proximidade. (…) “O Ernesto era um homem de soluções”. (…) Esta homenagem é mais do que justa para um homem, como eu digo, muito especial, um homem especial de Campanhã”.

No final, foi a filha de Ernesto Santos, Sandra Santos, quem se dirigiu aos presentes, em representação de toda a família, enaltecendo que “hoje é uma homenagem ao meu pai, ao nosso pai, marido, avô, filho, sogro e bisavô. Portanto, hoje estamos, aqui, em família”.

Sustentando que “ele sempre teve muito orgulho em nós e sempre nos apoiou”, a secretária do executivo da Junta de Freguesia de Campanhã salientou que “esta família jamais, alguma vez na vida, o vai esquecer e as lágrimas caem-nos e escorrem-nos, naturalmente, e, ainda, vai ser assim, acho eu, durante muito tempo. Porém, efetivamente, ele está, aqui, presente connosco, mas fisicamente não está e esta ausência é muito forte, porque ele deixou-nos um legado muito forte, tudo aquilo que ele fez por todos, ele também fazia pela família”.

“Ele está, aqui, connosco e, realmente, era um humanista, adorava toda a gente e tentava sempre fazer alguma coisa, em prol dos outros”, declarou Sandra Santos, afiançando que “devemos estar honrados, por aquilo que ele nos transmitiu e por aquilo que ele nos deixou e felizes, porque continuamos juntos”.

Posteriormente, o presidente da Junta de Freguesia, Paulo Ribeiro, atribuiu a Medalha de Mérito da Freguesia de Campanhã, Grau Ouro, a Ernesto Santos, a título póstumo, “pelos atos em benefício da Freguesia de Campanhã, nomeadamente na defesa da sua identidade, divulgação dos seus usos e costumes e na defesa da melhoria das condições de vida da população”. Este galardão foi recebido por Leopoldina Esmeralda, esposa do homenageado. Na insígnia, estava inscrita a frase proferida pelo presidente Ernesto Santos, na sua última entrevista, que foi publicada na Magazine, do Jornal AUDIÊNCIA, “o meu maior sonho é que a democracia continue”.

A homenagem ao homem que se dedicou a Campanhã, até ao último dia da sua vida, terminou com um momento musical, que antecedeu a ocasião na qual todos os presentes cantaram, em uníssono, os parabéns ao eterno presidente campanhense, Ernesto Santos.