Em pleno Dia Nacional da Agricultura (comemorado no Mercado Agrícola de Santana no passado dia 22 de maio), Jorge Rita, presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA) e da Associação Agrícola de São Miguel (AASM), falou sobre os desafios por que os agricultores passam e quais as eventuais soluções, bem como demonstrou o seu contentamento por ver o recinto onde se encontrava cheio de crianças curiosas sobre questões agrícolas.

As comemorações do Dia Nacional da Agricultura realizadas no Mercado Agrícola de Santana, na Associação Agrícola, juntaram 4.000 crianças que, durante um dia, tiveram a oportunidade de estar em contacto com o setor agrícola através de diversos ‘stands’ onde os jovens podiam perceber vários temas relacionados com a agricultura, como por exemplo o cultivo do chá, de legumes, vegetais, etc., mas também sobre os cuidados a ter com os animais domésticos, muitos deles ali em exposição.

Na ocasião, em declarações aos jornalistas, Jorge Rita afirmou que a agricultura é “sempre um setor desafios”, sendo que os agricultores estão “habituados a eles”. Tal como já é conhecido, o leite continua a ser um dos maiores problemas dos agricultores pelas dificuldades “derivadas do preço” e também “da forma como o leite é pago.

O Presidente da AASM relembrou que embora este produto de “excelência” seja o “melhor leite do mundo”, é também o “mais mal pago da Europa”. Por isso mesmo afirma que esta situação tem que mudar, sendo que “as indústrias têm um papel importante nessa alteração”.

Jorge Rita destacou, ainda, quanto ao evento fruto da circunstância em que falava, “o entusiasmo da juventude” e a “forma ordeira como estão cá todos”. Arrematou ainda: “precisamos do apoio das crianças na agricultura, porque são essas que irão ensinar aos pais e a toda a sociedade que a agricultura, para além de ser um setor importante e vital na nossa economia, é também aquele que mantém uma paisagem extraordinária”.

Também presente no Mercado Agrícola de Santana esteve o Secretário Regional da Agricultura e Florestas que afirmou que esta comemoração permite apresentar “uma amostra do melhor da agricultura açoriana, a capacidade instalada, o saber fazer, a excelência das produções, em resultado do dinamismo de crescimento e da aposta por parte dos agricultores e da indústria que se assiste neste setor nos Açores”.

De acordo com João Ponte, a presença das crianças e dos jovens nesta iniciativa é capaz de semear nestes o gosto pela terra, despertando futuras vocações e fomentando a importância de produzir e consumir na Região.
O governante salientou ainda que, apesar dos desafios, “o setor agrícola nos Açores continua a desenvolver-se e a modernizar-se” e continua, destacando que existem bons exemplos de projetos de investimento levados a cabo por jovens agricultores nos setores do leite e da carne, mas também nas áreas da diversificação agrícola.

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) também acompanhou de perto o evento ocorrido no Mercado Agrícola de Santana, onde destacou que a solução para a agricultura açoriana está na “inovação e tecnologia”, e também onde relembrou que os Açores não vão ter “nenhum corte no seu pacote financeiro POSEI”.

Segundo Eduardo Oliveira e Sousa, inovar “leva tempo e é preciso envolver os cientistas e os técnicos que gostam de desenvolver essas características e essas inovações no setor”.

O presidente da CAP relembrou que o ano passado o comissário Phil Hogan garantiu aos Açores que “não iria ter nenhum corte no seu pacote financeiro POSEI” e que “mesmo que haja algum decréscimo nos apoios da União Europeia, no âmbito da Política Agrícola Comum, em princípio os Açores estarão salvaguardados”, considerando serem estas “boas notícias dentro de um quadro de alguma dificuldade”.

Eduardo Oliveira e Sousa considerou ainda, quanto à iniciativa promovida pela AASM, que este é “um exemplo de como se mobiliza as escolas, de como se mobiliza os professores, de como mobilizamos as crianças para lhes mostrar o que é ser agricultor, o que significa cuidar do campo, tratar bem os animais e estar na base da nossa principal necessidade humana, que é a alimentação”.

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Alexandre Gaudêncio, também marcou presença nas comemorações do Dia Nacional da Agricultura, onde demonstrou a sua preocupação com o setor agrícola. No entanto, Alexandre Gaudêncio espera que “com a nova PAC (Política Agrícola Comum) e com o novo programa de apoio comunitário possam melhorar a qualidade de vida dos produtores agrícolas na região”. Por isso mesmo defende que os agricultores “tenham uma boa atividade e dela retirem bons rendimentos, situação que não se tem verificado” e que “importa melhorar porque são, sem dúvida, o motor da economia com reflexos positivos no turismo e ambiente”.

O autarca ribeiragrandense também congratulou esta iniciativa, afirmando que é um “orgulho receber um evento desta natureza, promovido por uma associação que tem um peso e uma importância preponderantes na economia do concelho”.

Ainda durante o Dia Nacional da Agricultura o AUDIÊNCIA passou pelos ‘stands’ da Azores Fresh e do leite Terra Nostra, e também falou com Rúben Tavares, um dos tratadores dos animais que ali estavam expostos.
Telma Machado, funcionária da Azores Fresh, explica que esta marca da empresa GelValados dedica-se à produção e comércio de legumes e ervas aromáticas embalados, prontos a consumir.

De acordo com Telma, esta é uma “iniciativa bem concebida porque há crianças que, à semelhança do que acontece com o leite que não sabem de onde vem, também nunca viram alfaces na terra e não sabem de onde vêm”, sendo esta uma oportunidade para verem “como tudo começa e como chega aos pratos”.

O interesse dos jovens em saber quais as fases por que passam os legumes é muito, bem como em participarem nas pequenas atividades desenvolvidas pelos ‘stands’. Neste caso, as crianças tinham a oportunidade de selar os sacos com legumes, enquanto que no ‘stand’ do leite Terra Nostra podiam ver como se faz um batido, bem como saboreá-lo.

Micaela Cordeiro explica que “banana e morango com leite de pastagem das vacas felizes, que pertence à Bel, faz um batido saudável e saboroso” e que a reação das crianças não poderia ser melhor: “estamos a ter muita adesão, além de que muitas destas crianças não esperavam que algo saudável poderia ser tão saboroso”.

Por outro lado, e também junto das reações dos mais pequenos, estava um dos funcionários da Associação Agrícola destacado para cuidar e tratar dos animais que ali estavam. Rúben Tavares conta que no seu posto se ensina as crianças a tirar leite. Ainda que “quase todas saibam como se tira”, outras não tinham conhecimento de onde vinha o leite. No entanto, “sabem o que fazer com o leite. Sabem que se faz manteiga, queijo e as natas para os gelados que tanto gostam”.

As reações dos mais pequenos foram positivas e podia ver-se o entusiasmo em todo o lado: todos gostaram deste convívio. Foi uma forma de aprenderem fora da escola, estando em contacto primário com o setor agrícola.

Esta iniciativa foi promovida pela Associação Agrícola de São Miguel, e contou com o apoio da CAP e do Governo dos Açores. A edição deste ano foi dedicada ao leite e contou com a presença de 4.000 crianças, do 1.º ao 6.º ano de escolaridade, provenientes de várias escolas de todos os concelhos da ilha de São Miguel.

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