A Escola Profissional da Ribeira Grande abriu portas em 1998 como um projeto da Fundação para o Desenvolvimento Sócio-Profissional e Cultural de Ribeira Grande. Mais tarde, por imperativos legais, a Escola ficou sob alçada da Cooperativa de Ensino e Desenvolvimento “A Ponte Norte”, que é controlada pela Câmara Municipal da Ribeira Grande.

Essa Cooperativa de Ensino e Desenvolvimento da Ribeira Grande tem por objeto principal o ensino, na vertente técnica ou profissional através da Escola Profissional, mas a título secundário também promove e apoia atividades no âmbito da cultura, turismo, tempos livres, desporto e outras iniciativas referentes ao desenvolvimento local do Concelho da Ribeira Grande.

Recentemente, Alexandre Gaudêncio – presidente da autarquia da Ribeira Grande e do PSD/Açores, anunciou que pretende “dar um novo impulso ao Ensino Profissional na Região”. Já antes o mesmo Alexandre Gaudêncio tinha prometido que a Câmara da Ribeira Grande se iria “substituir ao Governo Regional dos Açores no que concerne à mudança de rumo no que às políticas de ensino profissional diz respeito” porque, acrescentou, a Região viveria “dias conturbados e de falta de estratégia.”

Perante tais afirmações, e sendo a Cooperativa “A Ponte Norte” uma entidade controlada pela Câmara Municipal da Ribeira Grande, que desenvolve o ensino profissional no concelho, seria de esperar que a autarquia atribuísse à Cooperativa as verbas suficientes para “dar um novo impulso ao Ensino Profissional”.

Contudo, para nossa surpresa, verificamos (através do Portal BASE http://www.base.gov.pt/Base/pt/Pesquisa/Entidade?a=714824 ) que em pouco mais de um ano e meio Alexandre Gaudêncio transferiu cerca de 215 mil euros, da Câmara Municipal da Ribeira Grande para a Cooperativa de Ensino Profissional, não para o ensino profissional, mas sim para a realização de festas e eventos, como a “Aldeia de Natal”, a “Feira Quinhentista”, as “Marchas de São Pedro”, as “Festas da Cidade” ou o “Cantar às Estrelas”.

Que fique claro que não desvalorizo os eventos de natureza cultural. O que pretendo partilhar é a minha estranheza quanto aos montantes transferidos e às prioridades do PSD para o desenvolvimento do nosso concelho.

Sendo certo que o ensino profissional é fundamental no desenvolvimento socioeconómico da comunidade onde se insere, também é verdade que a utilização abusiva do veículo “Escola Profissional” para meros fins recreativos e de lazer, não se afigura estratégico para a formação e educação dos jovens, mas sobretudo não contribui para o desenvolvimento do Concelho da Ribeira Grande.

Não basta pregar que se vai apoiar o ensino profissional na Ribeira Grande, dizendo ainda que se vai substituir ao Governo Regional, quando depois, na prática, o que se vê é muito “poucochinho”, quando comparado com o valor gasto nas festas e eventos (os acérrimos defensores dirão que é “para dinamizar a economia local”).

São opções, legitimas e sufragadas nas urnas pelos eleitores, que denotam incoerência, mas sobretudo uma ausência de estratégia para o desenvolvimento sustentável da Ribeira Grande.

Por fim, mas não menos importante, destaco o excelente trabalho e a dedicação dos colaboradores e alunos da Escola Profissional da Ribeira Grande, que todos os dias contribuem para melhorar o ensino nos Açores. Cabe agora aos alunos aproveitarem, também, o importante investimento que é feito no seu desenvolvimento humano e profissional!

Carlos Silva

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