Na noite de 23 de abril, o Grupo Dramático de Vilar do Paraíso recebeu, no seu Salão Nobre, dezenas de pessoas para comemorar a Revolução dos Cravos e participar no evento “Abril! Fomos, somos e seremos!”. O espetáculo musical foi protagonizado pelo Coral de Letras da Universidade do Porto e pelo grupo Os Burricos, e, além de festejar abril, também marcou o regresso dos eventos das coletividades ao seu pleno, e sem máscara.

 

O Grupo Dramático de Vilar do Paraíso comemorou a Revolução dos Cravos com o evento “Abril! Fomos, somos e seremos!”, um espetáculo musical, realizado no dia 23 de abril, no Salão Nobre da coletividade. A primeira parte do concerto foi protagonizada pelo Coral de Letras da Universidade do Porto e, depois de uma pausa para mudança logística do palco, entrou em cena o grupo Os Burricos, que puseram todos a dançar na plateia.

A sala do Grupo Dramático encheu-se de pessoas, que fizeram questão de participar no evento de comemoração dos 48 anos do 25 de Abril. Entre o público estava Alexandra Amaro, presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, e Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia.

No final das atuações, Sara Magalhães, presidente do Grupo Dramático de Vilar do Paraíso, subiu a palco e agradeceu a todos, admitindo que não estavam preparados para a enchente, no entanto, que estavam muito felizes com ela. A data, essa, será sempre relembrada. “Temos celebrado sempre o 25 de Abril e enquanto aqui estivermos, quer nós, quer os que vierem a seguir, tenho a certeza absoluta, que esta data será sempre celebrada”, garantiu a presidente, que agradeceu também aos grupos e justificou o porquê de não ter sido, como de costume, o Dramático a atuar. “Temos tido a prata da casa, que também nos tem sempre trazido canções e poemas do 25 de Abril, mas, este ano, exatamente também na continuidade das comemorações do centenário desta casa, trouxemos algo um bocadinho diferente, no fundo, para que os nossos, neste caso, associados, também se possam sentar um bocadinho desse lado, e olhar para o palco, não estarem sempre aqui, e conseguirem viver este espírito”, concluiu.

Principalmente a atuação d’Os Burricos levou toda a gente a levantar-se e a dar um passinho de dança, por isso Sara Magalhães lembrou que “após dois anos de pandemia, estamos agora a retomar lentamente, apesar de com cuidado, mas estamos a retomar os nossos hábitos. A verdade é que isto já nos fazia falta. Fazia-nos falta estarmos uns com os outros, fazia-nos falta dançar e cantar”.

No final da sua intervenção, Sara Magalhães ainda lembrou a importância da revolução, principalmente nos dias que correm, fazendo uma alusão simbólica à Guerra na Ucrânia. “Que nunca nos esqueçamos daquilo que outros viveram para que, hoje, pudéssemos estar assim, aqui, e, pelos vistos, não foi suficiente, porque há erros do passado que continuamos, infelizmente, a cometer novamente”, constatou a presidente do Dramático de Vilar do Paraíso.

Alexandra Amaro, presidente da União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, em conversa com o Jornal AUDIÊNCIA, também fez questão de referir que, este dia, “é uma oportunidade para recordarmos que somos livres e não esquecermos os princípios basilares que nos trouxeram até aqui”. Além disso, a autarca ainda lembrou que o regresso à normalidade tem sido gradual e que “é um privilégio estar aqui e assistir a este movimento, a esta alegria, e este recomeço do associativismo, tendo em conta todas as dificuldades que passou nestes últimos dois anos”.

Paulo Rodrigues, presidente da Federação das Coletividades de Vila Nova de Gaia, também estava deliciado com o retomar da vivência associativa. “O concerto foi espetacular, ambos os grupos aqui presentes nos proporcionaram momentos fantásticos para comemorar o 25 de abril e, por outro lado, também, foi possível estarmos aqui todos reunidos, sem máscara, a cantar e a dançar, foi um momento muito importante para retomarmos as atividades nas coletividades”, disse. Além disso, Paulo Rodrigues ainda recordou o papel importante das coletividades durante a ditadura, uma vez que eram os locais onde “era possível as pessoas juntarem-se, ainda que com os devidos cuidados, por causa da polícia política, mas, era lá que se podiam reunir, e foram fundamentais para o desenrolar da revolução”.

O evento, de entrada gratuita, além de marcar a data da revolução, foi ainda uma oportunidade para tornar abril mais solidário, uma vez que o Grupo Dramático de Vilar do Paraíso pediu a quem participasse no evento para contribuir, à entrada, com bens alimentares para serem, posteriormente, entregues às Vicentinas de Vilar do Paraíso.

O Grupo Dramático de Vilar do Paraíso comemorou o seu centenário no ano de 2021, mas devido aos constrangimentos da pandemia, à data, as comemorações estendem-se pelo ano de 2022. Exemplo disso são as mudanças no XXI Encontro de Teatro Amador, que se estenderá de 30 de abril, data de apresentação da primeira peça, “Falar Verdade a Mentir”, até ao final de 2022, em vez de se realizar apenas nos últimos meses do ano, como acontecia anteriormente. ”A nossa ideia é termos, todos os meses, uma peça diferente e conseguirmos, no final do ano, apresentar algo novo aqui do Dramático, é esse o nosso objetivo”, disse Sara Magalhães, que ainda prometeu mais atividades, diferentes, para cativar, também, outros públicos, nomeadamente, os mais jovens, que serão o futuro da coletividade e do associativismo em Vila Nova de Gaia.