A Junta de Freguesia da Matriz fez-se representar nos convívios dos Amigos da Ribeira Grande de Montreal, Brampton e Fall River nos passados dias 13, 20 e 27 de outubro, respetivamente.

Em entrevista ao Audiência, Hernâni Costa fez uma síntese da visita, dando destaque para os contactos estabelecidos entre os órgãos do poder local e a comunidade açoriana radicada no Canadá, contando ainda que o principal objetivo desta visita é manter o contacto com os emigrantes, potenciar o turismo e o investimento local na Matriz.

Qual o rescaldo que faz da visita ao Canadá?
A minha visita a Montreal e a Toronto, deveu-se ao convite do Grupo de Convívio dos Amigos da Ribeira Grande de Montreal, que estava inativo há 10 anos. Decidimos, juntamente com a Câmara Municipal, apoiar este grupo indo a Montreal. Acabámos por ficar na zona de Toronto também para fazermos diversos contactos a nível político, na comunicação social, e também a instituições da nossa comunidade, nomeadamente a Casa dos Açores, sindicatos de trabalhadores, também procurámos saber quais as dificuldades que os emigrantes encontram… portanto, tudo isso foi importante para termos um melhor conhecimento da realidade na nossa diáspora. Também quisemos saber qual a opinião da nossa comunidade em relação à Azores Airlines, tendo em conta que é um elo preponderante de ligação aérea entre os Açores, o Canadá e os Estados Unidos da América. Portanto, esta foi uma jornada de trabalho intensa.

Desta sua visita, o que é que encontrou nos locais onde esteve?
Nós estamos a perder a ligação que temos com a nossa diáspora. Os jovens da terceira geração, ou seja, que já nasceram no Canadá e nos EUA, já não têm grande ligação com a terra natal. Ora, através destes convívios, é objetivo conseguirmos despertar a curiosidade em visitar a terra dos pais e dos avós. O feedback que tivemos é que, de facto, quando cá vêm, ficam com uma ideia diferente da que tinham. Os relatos que conhecem é que isto era uma terra pouco desenvolvida, com muitas dificuldades… quando os jovens chegam cá e veem o turismo que temos, as tecnologias de informação e de comunicação, as infraestruturas… eles começam a ter uma perceção oposta à opinião que tinham. Esta ligação pode ser muito importante a nível turístico, mas também ao nível do investimento privado. O que temos assistido agora é que os emigrantes querem investir nas freguesias. Estas visitas que nós fazemos podem por vezes ser mal compreendidas. No entanto, o objetivo é fazer ver que temos de reforçar os laços que temos e que se estão a perder aos poucos. Pela minha experiência nos dois convívios a que fui (o ano passado aos EUA e este ano ao Canadá), acho que estas visitas têm dado frutos. O Dia do Emigrante que a Junta de Freguesia organizou demonstrou isso mesmo, e espero que nos próximos anos essa relação seja mais intensa. Foi através desses convívios que conseguimos que um grupo de cerca de 40 emigrantes venha participar no Cantar às Estrelas. É algo inédito. É este tipo de interligação que devemos fomentar. É importante não só a nível social, mas também económico.

Uma grande dificuldade para a autarquia é obter melhores resultados ou manter os que vai conquistando, é a parte financeira. Como é que uma junta que tem muitas limitações e não pode dispor de grandes verbas para este efeito, conta angariar verba suficiente para não ter de cortar esta forma de intensificar contactos com a diáspora?
Quando fazemos o Plano de Orçamento para o ano seguinte, já contamos com essas despesas. Logicamente que não chega. Desde que aqui estamos que tentamos cortar em algumas despesas como por exemplo a nível de telecomunicações ou alguma publicidade que se possa fazer. Vamos cortando nalgumas coisas para deixar capital suficiente para as despesas que achamos ser fundamentais.

Para além disso não têm recebido apoio para este vosso reforço de ligação com o exterior da parte do Governo Regional ou da Câmara Municipal da Ribeira Grande?
Não. Não se pode esconder que a ligação com a Câmara tem corrido normalmente a nível institucional, mas em relação ao Governo Regional, denotamos que de facto existem muitos atrasos em relação a protocolos que nos vão fazendo falta na gestão diária da Junta de Freguesia. São limitações que numa Junta de Freguesia pouco superior a 100 mil euros traz constrangimentos difíceis de ultrapassar.

Para além da presença desse grupo de emigrantes no Cantar às Estrelas, há mais alguma coisa projetada para 2019 neste campo?
Para 2019, por acaso temos também um artista que contactámos aquando da visita, para fazer a animação do Dia do Emigrante cá no próximo ano nas festas do Coração de Jesus. Chama-se Tony Câmara e vem animar a terça-feira, que é o dia de encerramento das festas. Logicamente que no próximo ano haverá a continuidade dos convívios.

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