Mais uma vez, vamos comentar o que temos lido no Jornal AUDIÊNCIA. “Não tecerei quaisquer comentários a pedido de qualquer freguês ou força política” e “assumi para comigo não fazer qualquer comentário”. Frases do presidente da Junta, sendo a segunda, resposta a uma pergunta da deputada Susana Beleza, sobre o assunto em título. Na nossa opinião, a pergunta fazia todo o sentido, pois é um direito que assiste a quem é membro de uma Assembleia de Freguesia, merecendo, por isso, respostas objetivas e honestas.

O AUDIÊNCIA, na sua edição de 15 de maio de 2021, tornou pública uma carta aberta da  autoria de Joaquim Camarinha,  dirigida ao presidente do executivo. No comentário que fizemos, na edição de 20 agosto de 2021, dissemos que “respostas assim não prestam, não valem e não dignificam a democracia”, que vejo, cada vez mais desrespeitada nos seus princípios e ideais e que respostas como estas, são apenas um sinal de fraqueza e de fuga às responsabilidades públicas, livremente, assumidas.

O Jornal AUDIÊNCIA tem o seu espaço próprio e de fidelidade ao serviço de bem informar, dentro da área da sua projeção, como órgão de comunicação regional, pois se fosse de âmbito nacional, estou certo que alguma autoridade já teria atuado, incluindo o próprio Tribunal de Contas.

Voltemos aos acontecimentos da última Assembleia de Freguesia, na qual, para além da intervenção do público, constava a apreciação e votação do Relatório e Contas do exercício de 2020. Indo direto ao Relatório e Contas, o presidente endossou para o tesoureiro as explicações e respostas a todas as dúvidas, o que podendo estar certo, não é de todo habitual e, por isso, algumas dúvidas se avolumaram. Será que a Junta, para fins contabilísticos, como deu a entender, tem três contas, sendo uma delas, “onde caem os donativos dos membros do executivo?”. Mas, aqui, o presidente já interveio, dizendo que são donativos “que fazemos desde 2013, para onde, mensalmente, os membros do executivo contribuem”. Para quem e para que fins? Há algum documento? É isto que não deixa de merecer dúvidas!

Em princípio, o ex-elemento do executivo, Joaquim Camarinha, referiu duas pessoas como contribuintes, mas, agora, já são todos os elementos do executivo. Se tudo isto fosse esclarecido a 15 de maio, quando a questão foi levantada, hoje, não estaríamos para aqui a escrever e a manter dúvidas se estes movimentos são legais, qual o suporte em que assentam e se são tornados públicos.

Se é um acordo de cavalheiros, de índole privada, feito por gente adulta e que nada tem a ver com os movimentos financeiros da autarquia, é, para nós  assunto arrumado. Mas, como foi divulgado publicamente, a nossa dúvida mantém-se.

Nessa sessão da Assembleia, o senhor  Florindo Santos, quis saber qual a posição do presidente da Junta sobre a eventual desagregação das freguesias, defendida por um Grupo de Trabalho público de cidadãos, obtendo como resposta “que não é contra, mas recusa-se a protagonizar o movimento. Não contem comigo para andar de bandeiras no ar, para dizer que eu fiz parte do Grupo da Desagregação. Não fiz, não faço e não farei”. Protagonizar? Mas, protagonizar o quê? Alguém o terá convidado? O Grupo de Trabalho, desconhece quem o terá convidado e bom seria que clarificasse mais esta embrulhada. Foi, sim, convidado para o debate público promovido e, ao qual, recusou marcar presença.

Assim, hoje, não temos qualquer dúvida de que o presidente da Junta tem a posição, “nim” ou melhor,  contra a desagregação das duas freguesias, cuja opinião respeitamos, pois é um direito de opinião que lhe assiste, num regime “democrático”.

Agora, uma síntese relacionada com a “desagregação” e troca de correspondência com o presidente. Em 2 de maio de 2019 recebemos um e-mail em que diz não se fazer representar no debate, pois este assunto tem local próprio e nunca de forma anónima, pois não anda a reboque de um qualquer cidadão que, pouco ou nada tem feito pela comunidade e que apenas visa protagonismo pessoal, protagonismo bacoco… Isto não será um insulto?

No mesmo dia, pedimos-lhe para clarificar o seu e-mail, dizendo-lhe que não queremos entrar em polémicas, mas, sim, propondo-lhe disponibilidade para um diálogo franco e honesto.

No dia 4 de maio e via Facebook o presidente da Junta de Freguesia relatou o e-mail que nos tinha enviado. E quanto ao local escolhido, que foi a sede de uma coletividade, teve tanta dignidade, como se tivesse sido num Salão Paroquial. Como até 16 de maio não recebemos qualquer resposta, fizemos um novo pedido de esclarecimento, respondido no dia 18, por e-mail e em que diz nada ter para esclarecer, que não vai alimentar este tema, mas ficando disponível para o diálogo, em data oportuna! Deu mesmo para rir. Nem do senhor Presidente da República aceitaríamos tal missiva. Esqueceu-se de que fomos nós que propusemos o diálogo. E, passados mais de 25 meses, a oportunidade não surgiu. A isto chama-se proximidade? Não será isto uma falta de respeito, por um documento subscrito por mais de um milhar de cidadãos eleitores?

Em 6 de junho de 2019, demos o assunto como encerrado, lamentando que não tivesse tido coragem para pormenorizar o nosso  primeiro e-mail, maltratando gente de bem. E a 1 de agosto de 2020, numa entrevista que concedeu, repetiu o mesmo insulto: “pessoas que pouco ou nada fizeram pela freguesia, etc”.

Entretanto, o trabalho do Grupo-Movimento de cidadãos “arrefeceu” um pouco, na medida em que a Lei da Desagregação de Freguesias não tinha data para avançar. Mas, quem diria que passados quatro meses, a proposta de Lei era aprovada em sede da Assembleia da República. Como anda desatento o senhor presidente!

Para terminar, apenas pedimos aos cidadãos de Serzedo e de Perosinho, que analisem, com isenção, o currículo de vida de todos os elementos do Grupo de Trabalho constituído, para lutar pela desagregação das duas freguesias.

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