Manuel Azevedo é presidente da União de Freguesias de Sandim, Olival, Lever e Crestuma, também conhecida por SOLC. O autarca, que começou novo na política, garante que sempre se manteu fiel à sua simplicidade e soube lidar com a junção destas quatro freguesias, cada uma única à sua maneira. Os tempos revelam uma possibilidade de desagregação das freguesias. Manuel Azevedo diz que só quando a lei vier para cima da mesa a discute, mas acredita que “as pessoas estão a marimbar-se para se as freguesias estão juntas ou separadas, querem é as coisas feitas”. Quanto a obras que mais o orgulham na freguesia, confessa que “nunca fui homem de muitas inaugurações”, no entanto acabou por referir algumas como a Capela Mortuária de Sandim, recentemente inaugurada, bem como muitas ainda em andamento, como a Urbanização do Wilson e o Pavilhão de Olival.

 

 

Conte-nos um pouco do seu percurso na política local, até ao momento que se candidatou e ganhou as eleições.

É simples de responder. Comecei novo. As pessoas andavam atrás de mim, queriam que eu tivesse começado ainda mais novo. Depois disso apareceu o senhor Moura, foi candidato e perdeu. Foi a segunda vez às eleições e perdeu. O senhor Moura, e outras pessoas, mas principalmente ele, entendeu que era eu a pessoa indicada para me candidatar. Obrigaram-me, é essa a palavra, obrigaram-me a meter nisto. Certo é que eu gosto disto, e por diversas razões: gosto de ajudar as pessoas mais fracas e gosto de informar o máximo possível. É a minha maneira de ser, por isso, nada foi estranho para mim. Concorri, ganhei, e neste momento cá estou ainda em funções na vida autárquica. Fiz o meu percurso como membro da assembleia, estive um mandato inteiro na assembleia e depois concorri, foi quando ganhei.

 

Lembra-se do seu primeiro dia como presidente? Estava nervoso?

Estava um bocadinho nervoso. Eu tinha uma perspetiva de que quando cá chegasse, ou se cá chegasse melhor dizendo, que teria hipótese de ajudar toda a gente e de colaborar com toda gente. Isso é um erro, porque depois de cá chegarmos, vemos muitas situações, analisamos anta coisa, e somos impedidos de fazer muita coisa. Isso, por vezes, desanima. Mas fico satisfeito por conseguir resolver problemas que surgem, logo que possa, fico satisfeito.

 

Agora, como presidente, tem uma visão diferente daquela que tinha antes de chegar ao cargo?

A imagem, no fundo, vai ao encontro daquilo que eu estava a dizer. É lógico que somos confrontados com situações que, hoje mais do que nunca, ou melhor, hoje em relação a antigamente, são muito mais difíceis. Eu posso dar um exemplo. A lei 75 veio causar-nos muitos problemas. Eu não digo que a pessoa faça obra, mesmo sem dinheiro, mas é muito ingrato, por vezes, termos dinheiro e não conseguirmos realizar os concursos para poder avançar com as obras. Na minha opinião, isto é desgastante e as pessoas não conseguem perceber esta parte, que eu também confesso que se estivesse do lado de fora também não conseguia entender, há que reconhecer que as coisas não são tão fáceis do que parece.

 

Era habitante de Olival e presidente de Olival, mas, de repente, viu-se responsável por quatro comunidades diferentes, que apesar de se terem unido, não deixam de ter as suas individualidades. É difícil esta gestão de quatro freguesias diferentes?

Tudo o que se muda é sempre difícil. Acompanhei esta União e estou cá para a cumprir até a lei mudar. Não estou a dizer que a lei foi boa, não estou a dizer que a lei foi má, estou unicamente a dizer que foi uma lei que me impuseram e temos de a cumprir. Tive de me ajustar a ela. Agora, se eu convivi bem com as tradições e os costumes de cada uma das freguesias? É lógico que cada freguesia tem os seus costumes, mas eu adaptei-me, ou penso que me adaptei bem a esses costumes. Há aqui uma coisa que também deve ser reconhecida, nós, e quando digo nós, refirmo-me a esta União de Freguesias, somos pessoas humildes, pessoas de trabalho. Não são pessoas de andar para aí a dizer mal só por dizer, são pessoas sensatas. Assim, tornou-se mais fácil eu encaixar-me nessas tradições.

 

E as pessoas também se encaixaram bem? Havia algumas inimizades antigas, que hoje já não têm a força que tiveram noutros tempos, mas ainda se ouve falar um pouco delas. Sentiu isso?

Eu, muito honestamente, não senti assim tantas divergências como se fala. Não senti também por uma razão muito simples. Eu sou uma pessoa que gosta do exterior, sou pessoa do povo, não tenho vaidade, é a minha maneira de ser, e afeiçoei-me bastante e adaptei-me bem à realidade. Há uma coisa que tem de ser dita: as pessoas sentiram muita proximidade da minha parte. Não foi por acaso que as coisas que eu entendi que estavam boas numa determinada freguesia, trouxe para as outras. Pus as Juntas abertas ao sábado. A proximidade muda muito as pessoas. Eu não senti grande dificuldade e estou convencido que se dermos uma volta pelas quatro freguesias, a maioria diz que não notou diferença nenhuma. Eu esforço-me para que isso aconteça.

 

Faz atendimento um dia por semana em cada edifício da Junta de Freguesia. É desse tipo de esforços que fala?

Estou ansioso que isso volte ao normal para voltar a fazer isso porque acho que é o dever de um presidente de junta, primeiro. Segundo, porque decidi ter as Juntas abertas ao sábado? A meu ver, é normal, é para isso que serve uma Junta de Freguesia. A maior parte das pessoas sai de manhã para o seu trabalho e as Juntas estão fechadas, chegam do seu trabalho e as Juntas estão fechadas. Se precisarem de tratar de algum assunto, estão tramadas. Por isso, se eu tiver a Junta aberta ao sábado de manhã, que é lógico que fica caro, mas assim as pessoas podem deslocar-se lá com mais facilidade. Agora, isto é muto grande em área, em população não é assim tão grande como isso, mas em área é muito grande, e quando se diz isso, lá está, também há muita rua para limpar.

 

Qual o momento que considera o mais importante nestes últimos oito anos em que está à frente das quatro freguesias?

Durante todos estes anos, eu nunca fui homem de muitas inaugurações, porque acho que isso não me ilude, a mim ilude-me fazer o trabalho e depois disso as pessoas que analisem. As inaugurações, costuma-se dizer, é só para cortar a fita. Mas há algumas coisas que nos deixam um certo prazer, algumas obras que já há anos que se arrastavam e que eu sinto e vejo realizadas. Para mim, é uma grande alegria, não há dúvidas. Tenho pena de ainda não ter conseguido algumas que tenho na carteira, mas faz parte da vida, daí o que eu dizia de que há coisas que nós conseguimos porque a burocracia é de tal ordem que não conseguimos mesmo. Conseguimos preparar um projeto no início do mandato para aprová-lo no final. A recente inauguração da Capela Mortuária de Sandim, foi sempre um sonho, daqui de Sandim, ter uma capela mortuária com dignidade, que é isso que toda a gente gosta e quer. No fundo, é por onde vai passar toda a gente, ricos e pobres, nas suas últimas horas. Acho que enquanto cá andamos temos o dever de dar conforto às pessoas. Dignidade, é essa a palavra.

 

São também obras mais acarinhadas pela população do que certas obras mais avultadas em valor?

É verdade, muita gente não entende isso, mas é uma realidade. Ainda há pouco dei o exemplo aqui ao meu colega, ao senhor Neves. Às vezes um pequeno buraco numa rua, tapar esse buraco é muito mais importante do que fazer uma grande obra, mas, tudo isto, faz parte, temos de acompanhar o máximo possível.

 

Vamos falar destes últimos oito anos, enquanto União, das obras e projetos de que mais se orgulha.

Eu vou-lhe dar duas ou três que me orgulham. Eu tenho muitas obras, mas isto vai sempre de encontro ao que eu tinha dito, por vezes, o que me falta é a tal publicidade, informação às pessoas. Eu começando pela Urbanização de Wilson, foram anos e anos para se resolver um problema que lá existia, e que se está a resolver, falta de saneamento, falta de águas pluviais, falta de arranjos exteriores como passeios, tudo isso está a ser realizado, estamos a falar de dois milhões de euros. Depois temos o Bairro da EDP, em Lever. Há anos que se arrastava, numa situação de ninguém, e este executivo se esforçou, negociou, resolveu e conseguiu legalizar aquilo e entregar de mãos beijadas a uma IPSS local. Posso-lhe dizer também, uma das obras que se fala muito em Sandim, há anos, é a zona industrial. A zona industrial de Sandim é uma situação muito complicada, porque é uma zona industrial, ou futura zona industrial, melhor dizendo, que tem muitos donos, e como se compreende, quando há muitos donos é sempre muito mais difícil juntar as pessoas, negociar. Neste momento posso dizer que está num bom caminho, está a andar muito bem. Infelizmente, a Covid-19 veio atrasar tudo e mais alguma coisa, se não, penso que já estaria em funcionamento. Temos outra obra em Olival, que é outra obra que, na minha opinião, é super importante e que há anos que se arrastava, há anos eu lutava: o pavilhão na escola. Só tínhamos um, e neste momento até está a precisar de obras, mas só tínhamos um. Aqui entra um pouco a minha maneira de ser, eu acho que pedir o pavilhão só não chega, há que pedir o pavilhão, mas tentar que este seja rentabilizado. É por isso que o pavilhão vai servir a escola durante o horário normal e, após o horário letivo, é para a população. Só assim é que se consegue ter alguma coisa. Por exemplo, em Crestuma, temos a sede da Sociedade Filarmónica que estava a cair quando cá cheguei, eles tinham de ter cuidado onde punham a cadeira para não furar o soalho. Fez-se lá uma obra quase de raiz. Eu acho que estas coisas, quase ninguém se apercebe. Ainda em Crestuma, foi assinado o auto de consignação do campo de futebol, um estádio que há anos se falava, só agora é que arranca legalmente, de facto já lá estava investido muito dinheiro, mas só agora arrancou oficialmente. O campo do Sandim. Recorda-me perfeitamente, e digo isto não em termos de critica, mas digo isto porque assisti, por diversas vezes, a jantares de futebol, uns nos quais eu ainda nem era autarca, outros já como autarca, era convidado e ia, ouvi mais do que uma vez o Menezes a dizer “este ano é que vai ser”. O que é certo é uma coisa: nunca foi. Tivemos de chegar cá nós e fomos nós que fizemos. Mas eu acho que o mais importante não é o que nós fizemos, apesar de ser, mas o mais importante é fazer. Eu estou, precisamente, a pensar no pavilhão da escola. Foi uma luta minha, está no terreno, supostamente, quando for inaugurado, se eu não ganhar as eleições, não estou cá, mas fico exatamente igual. Como o do Crestuma. E quem diz esses projetos, diz outros mais. Agora, por exemplo, o que me está a doer na alma: o Auditório de Lever. Mas porque é que ainda não está no terreno? Exatamente por causa da burocracia. A Rua Central de Lever. Eu acho que a Rua Central ainda vou conseguir. A terceira fase, alargamento, rua e passeios. Outra obra que eu ainda vou pôr no terreno é a Rota dos Moinhos. Anda-se no terreno e já temos entre quatro e cinco quilómetros feitos de reconhecimento, eu acho que ainda vou conseguir pôr isso em funcionamento, ainda que não na sua totalidade, que é um projeto que vem de Sandim a Crestuma. Esse é o meu objetivo e é para isso que se está a trabalhar. Eu, realmente, só estou a falar de algumas obras. É só ver o investimento. A obra que se está a fazer em Arnelas. As pessoas dizem que tem que ver com “as encostas do Douro”. Não, não tem. A obra que se está a fazer não tem nada a ver com As Encostas de Douro. O Estádio de Lever é outro exemplo. Quando cheguei, os balneários tinham vinte anos. Fizemos os balneários todos, fizemos uma bancada nova para os visitantes, metemos relvado e parte elétrica, foi um grande investimento. O Centro de Dia de Crestuma, quando lá cheguei estavam dentro de uma parte da igreja, sem condições físicas. Criamos condições na escola e passamo-los para lá. Quanto é que não se investiu lá? Eu acho que tudo o que lá se investiu foi pouco. Aí concordo. Agora há dias compramos mais um terreno para o Rancho Etnográfico de Crestuma. Quanto não se investiu nos Bombeiros Voluntários de Crestuma? Eu não digo que são de Crestuma, digo que são da União. Quanto não se investiu ou se está lá a investir? Tudo o que se está lá a investir ainda é pouco, é. Eu, por acaso, aqui há dias fiz umas contas que deu para assustar, são mesmo milhões. Já para não falar de que todas as escolas têm sido intervencionadas. Umas menos, outras mais, mas todas têm sido intervencionadas, o amianto está a desaparecer. Se fizermos essas contas todas, foi muito dinheiro, é verdade. Mas ainda não se nota muito. Não porque nós estávamos muito aquém. E não vou dizer que era só em Olival, ou só em Sandim, não, estávamos aquém nas quatro freguesias.

 

Quer dizer que a necessidade era tão grande, que por muito que tenha feita, ainda parece pouco, é isso?

Sim, exatamente. A necessidade era de tal ordem, nós estávamos um pouco esquecidos, e por muito que agora se faça, primeiro que as pessoas se comecem a aperceber, demora. E temos um problema grave. Não temos transportes públicos, infelizmente, nas quatro freguesias. Como não temos esses transportes, temos o problema de que as pessoas de Sandim, por exemplo, não sabem o que estou a fazer em Lever e as pessoas de Lever não sabem o que eu estou a fazer em Olival.

 

O projeto SOLC a circular foi uma tentativa para colmatar esse problema?

Foi, mas nem sempre consegue colmatar essas coisas. Foi um projeto piloto, nós decidimos pôr em funcionamento e neste momento decidimos alargar o período. Ainda há pessoas que aproveitam esse transporte, mas não é assim tanta gente quanto isso.

 

Mas acha que as pessoas têm conhecimento dele ou poderá haver aqui alguma falta de conhecimento das condições, dos percursos?

Vai ao encontro do que eu disse. Como a área é muito grande, a comunicação às vezes não passa. A culpa, por vezes, é nossa, aí tenho de dar o braço a torcer, porque nós podíamos ser mais ativos nas redes sociais.

 

Mas para que é que as pessoas recorrem a esse serviço em específico?

Vão recorrendo de várias maneiras. Nós temos um circuito feito que percorre as quatro freguesias e os seus pontos mais importantes, no caso, igrejas e Juntas de Freguesias. Mas as pessoas podem usá-lo para o que quiserem, até para visitar um familiar. Ou se a pessoa quiser ir, por exemplo, a Lever e não sair lá, voltar, ir dar só um passeio, também pode. É diferente do MOB+. Não vai demorar muito a que nós também tenhamos o MOB+ aqui nas freguesias, mas mesmo isso as pessoas não vão notar muito, porque eu já tenho uma espécie de MOB+. Eu tenho duas carrinhas, quase diariamente, a trabalhar para as vacinas. As pessoas telefonam a marcar dia e hora. Ainda há dias a carrinha, num sábado, veio de lá quase às dez da noite. Toda a gente tem sido servida, só quem não precisa. Se calhar há pessoas que não sabem, mas eu acho que quase toda a gente já sabe, pelo menos deste apoio para a vacina. As Juntas têm todas ajudado nesta situação, e acho muito bem, é para isso que se diz que se trabalha em rede.

 

Agora que falamos da questão dos transportes, fale-nos um pouco do anfíbio que acabará por servir também a União de Freguesias?

Fico satisfeito, mas eu acho que não vai servir tanto como parece.

 

Porque acredita que vai ser mais turístico do que para usufruto da população local?

Acho que sim. Ficava mais bonito eu dizer o contrário, mas a minha opinião é essa. É apresentado como uma alternativa ao trânsito da N222, e é verdade. Mas, quem morar em Sandim, por exemplo, para ir para Arnelas ou para Crestuma, tem de arranjar transporte de Sandim para lá para poder apanhar esse anfíbio. Se vai arranjar transporte de Sandim para Crestuma, também arranja transporte daqui para o metro. Eu acho que vai ser bom, mas vai servir sobretudo as pessoas de Crestuma, de Lever, Arnelas e pouco mais. Eu não estou a dizer nenhuma mentira, é a realidade.

 

Mas então, uma vez que acredita que vai ser maioritariamente turístico, pensa que aquela zona à beira-rio se vai desenvolver mais?

Sim, isso vai, vai desenvolver. Repare, vai ser fácil estar na Ribeira ou no Cais e dizer “vou dar um passeio a Arnelas”. Até lhe disseram que em Arnelas se come umas papas, um sável ou uma lampreia de categoria. Pronto, no domingo ou assim, saio às 10h, vou lá dar uma voltinha e como uma postinha de sável. Acho que vai funcionar mais assim, como turístico. Mas também é um transporte alternativo ao trânsito da N222, é, é lógico, principalmente para as pessoas que vivem na parte baixa de Crestuma ou em Arnelas. Se não vamos ter aqui já outro problema, sabe qual? Fazer lá um bom parque de estacionamento, gratuito, para as pessoas deixarem lá os carros, apanharem esse meio de transporte para irem trabalhar. Mas o nosso serviço SOLC a circular, com o percurso que tem neste momento, passa em duas paragens do anfíbio, em Crestuma e Arnelas.

 

Qual é a obra que a população mais ansiava e que se sente orgulhoso por ter conseguido concretizar?

Aqui em Sandim o que a população mais ansiava era a Zona Industrial e a Capela Mortuária. Daí que, quando eu cá cheguei, já havia projeto para a capela mortuária. Eu modifiquei porque entendi que não se dava dignidade à capela. Houve muita gente que eu envolvi e que disse que não. Tentamos arranjar outro lugar, não foi possível. Depois estudou-se e analisou-se e instalou-se onde está, que foi a terceira alternativa. Nas outras freguesias é difícil responder com toda a sinceridade. Se formos a Olival, as pessoas que viviam na Urbanização do Wilson ansiavam as obras lá. Aquilo era um pandemónio. Agora, pessoas doutra zona de Olival, podiam não estar tão preocupadas com essas obras e estar com outras. Em Lever, há muita gente que critica a Rua Central, mas, muita gente, dessas que reclamam, se calhar não cediam um centímetro para o alargamento da rua e houve lá pessoas que nos deixaram alargar o que quisemos, temos de ser verdadeiros. Cada freguesia tem a sua realidade, e cada obra tem mais importância para a franja da população mais próxima dela. Por exemplo, aqui em Sandim, temos uma escola entregue a uma associação, que não está em funcionamento, já não estava quando cá cheguei e as instalações já estavam entregues a essa associação, e ao lado temos um ringue de categoria. As pessoas não estão a usufruir daquilo. Tem um barracão a criar bichos, mandou-se limpar, para “abrir as portas” à população, porque é o que ainda falamos à pouco, são as pequenas obras que representam muito para a população.

 

E a nível de projetos sociais?

Isso, projetos sociais há alguns. Aqui em Sandim estão a avançar com o Lar. Recebemos de mãos abertas. Acho que é muito importante para esta União de Freguesias, envelhecida e, hoje mais do que nunca, na área social, primeiro há pouca gente que quer tomar conta dos mais velhos, segundo, temos de criar condições para que essas pessoas, com mais idade, os seniores, que tenham dignidade, afinal de contas, foram eles que nos puseram cá. Muito honestamente tenho vaidade, e é esta a palavra que eu vou usar, pode haver quem não goste, mas eu tenho vaidade das IPSS que tenho na União de Freguesias. Aqui cabe também a menina dos meus olhos [Olival Social], não fujo dessa realidade. Mas acho que eles merecem e as IPSS, todas elas, umas mais, outras menos, umas de uma maneira, outras de outra, todas estiveram na linha da frente e deram tudo o que podiam, que sabiam, que tinham. Nesta fase foi mais notório ainda, por isso, há que reconhecer o trabalho que eles têm feito, é de louvar. E não posso esquecer, nem esqueço, os bombeiros porque estiveram mesmo na linha da frente, mesmo que muita gente não se tenha apercebido. A Junta de Freguesia fez aquilo que podia e que sabia, não vou dizer que estivemos parados.

 

Queria aproveitar para lhe perguntar, até porque esta pandemia já se prolonga há dois anos, é metade deste último mandato. Em que é que a pandemia veio atrapalhar os projetos em andamento? Foi mais ao nível de atrasos logísticos ou existiram fundos que tiveram de ser desviados de obras e/ou projetos para apoiar a situação da pandemia?

Não. Isto só veio atrasar no tempo porque não mexeu nos fundos. Tudo aquilo que demos e que tínhamos possibilidades para dar, eu acho que foi pouco. Não quero falar muito disso, porque se dei dez, acho que devia ter dado vinte, mas se não dei vinte foi porque não os tinha mesmo para dar. Agora, reconheço que fiz tudo aquilo que podia, que sabia e até que não sabia. Ia-se buscar as refeições dos alunos e levá-las a casa, ia-se buscar as fichas dos exercícios, tirava-se fotocopias e ia-se levar a casa, deu-se computadores, ia-se buscar a medicação, foi-se buscar alimentação. Eu acho que se fez um trabalho excelente, foi pouco, devíamos ter feito ainda mais. Fomos aprendendo e ainda continuaremos a aprender, apesar de agora a coisa estar muito mais calma. É muito triste, já tive muitas pessoas que perguntam pelo passeio da terceira idade, por exemplo, e não é pelo que eles vão comer, é pelo convívio, é isso que faz falta, e eu noto que faz mesmo falta às pessoas. Quem diz o passeio da terceira idade, diz a colónia de férias e até a própria piscina, tudo um pouco. Eu tenha pena de não fazer o passeio da terceira idade, ainda há uns tempos tivemos a pensar na possibilidade, mas é um risco muito grande.

 

Que projetos espera ainda ver terminados até às eleições?

A maioria das obras terminam depois, mas isso não me preocupa. É obvio que quero ganhar as eleições, ponto. Mas estou como o Nelson Mandela dizia “eu nunca perco, ou ganho ou aprendo”. Eu estou exatamente igual. É óbvio que se me vou candidatar é porque quero ganhar, isso não é discutível. Agora, se por acaso perder, se não for eu a inaugurar as coisas, isso não me importa, o que importa é que a obra está feita.

 

Enquanto candidato, e a pensar num cenário em que ganha, quais são os projetos que ainda ambiciona pôr em prática aqui nas quatro freguesias?

Acabei por ir mencionado alguns. O Auditório de Lever será um dos principais, e porquê? Por uma razão muito simples, ele vai albergar-me a Junta e a Banda da Música, porque a banda também merece, neste momento não tem condições. E o Centro de Dia também vai continuar lá. Portanto, eu tenho ali três ou quatro instituições dentro do mesmo prédio, e essas vão usufruir daquele espaço, além de ter outra dignidade.

 

E ambições além da vitória? Talvez uma maioria absoluta?

Isso fica nas mãos das pessoas. Se eu digo que quero ganhar, quero ter a maioria, como é óbvio. Ter a maioria com muita vantagem ou pouca, não é essa a parte que interessa, interessa é ter a maioria porque é muito difícil governar sem maioria.

 

Estamos aqui a falar sempre de Sandim, Olival, Lever e Crestuma, a já conhecida SOLC. Entretanto a lei pode vir a mudar. Acredita que essa mudança vai acontecer, que vai haver a separação das quatro freguesias?

Sem querer defender se a lei está bem ou está mal, foi o que eu já disse, eu tenho de cumprir. Eu acho que se perguntarem às pessoas, neste momento, e isto é apenas a minha opinião pessoal, estão de tal maneira estáveis que não querem a desunião. Agora, se assim é que está bem ou se está mal, pode-se discutir. Agora, há aqui uma coisa que é certa, eu acho que as pessoas, neste momento, as pessoas estão a marimbar-se para se as freguesias estão juntas ou separadas, querem é as coisas feitas.

 

Presidente, os resultados dos Censos mais recentes demonstram que esta foi a zona de Gaia que perdeu mais habitantes. Entristece-o?

Entristece-me muito, muito mesmo, mas isto deve-se a muitos fatores. Alguns que já falamos, como a falta de transportes. Não só, mas sim, esse é um dos primeiros. Outro, é o problema de não haver criação de emprego na própria freguesia ou arredores, nomeadamente emprego mais qualificado para a juventude que tem outro grau de formação académica. Há vários fatores, mas verdade seja dita, não se compreende como é que na Avenida da República há muitas lojas, mas historicamente, as pessoas quando precisavam, por exemplo, de uns sapatos, iam ao Porto para os comprar. Eu acho que isto são costumes. Agora, compreendo que se houvesse emprego mais emprego, qualificado e sem ser qualificado, a malta ficava mais por aqui. Há outra coisa que é importante, antigamente, e agora também já se está a começar a notar, mas antigamente, uma pessoa estava na Câmara e se lhe dissessem “vá a Olival”, a resposta era “tão longe”. Neste momento se lhe disserem a mesma coisa, você vai a Olival tomar café, são 15 minutos. Arnelas, por exemplo, uma Veneza daquelas, não haver um café, não haver um tasco onde se possa ir comer umas papas. Em Arnelas temos outro problema, aquilo tudo está na mão de duas ou três pessoas. Existem lá oitenta ou cem pessoas.

 

Agora sim, para terminar, a mensagem aos habitantes da SOLC.

A mensagem que eu quero deixar a toda a gente é simplesmente uma: muita saúde. É hora de levantar a cabeça, porque isto de termos estado em sofrimento, e ainda estarmos a sofrer, com a Covid-19, tem de ser combatida com fé e esperança. Temos de ter esperança que isto vai passar, que seja o mais rápido possível e que toda a gente possa sentir de novo o calor humano, porque uma das coisas que eu acho que estamos a perder, e muito rápido, é a palavra família, essa palavra está a desaparecer e este afastamento, por obrigação, levou-nos por um caminho cada vez menos familiar. Eu tenho pessoas de idade a dizer-me que já não vêm os filhos há não sei quanto tempo. Isto magoa muito. Eu quero dar essa palavra de esperança. Isto vai passar, que seja o mais rápido possível, para que nós, em breve, possam estar todos juntos a confraternizar. Muita saúde e força, porque vamos todos vencer isto.

 

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