A Junta de Freguesia de Canelas realizou uma sessão solene, no âmbito da comemoração dos 48 anos da Revolução dos Cravos, que culminou com a intervenção de todas as forças políticas com assento na Assembleia. A cerimónia contou, ainda, com a presença de inúmeros representantes de coletividades, entidades civis e militares.

 

 

A celebração dos 48 anos do 25 de Abril de 1974, organizada pela Junta de Freguesia de Canelas, contemplou um programa comemorativo, que foi inaugurado com o tradicional hastear de bandeiras, seguido de uma romagem ao cemitério, em homenagem a todos os que lutaram em prol da liberdade, que antecedeu a sessão solene, que decorreu no salão nobre do novo edifício da autarquia canelense.

No início da cerimónia, Manuel Benjamim Soares, presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Canelas, dirigiu-se ao público, afirmando que “o motivo da nossa presença nesta sessão solene é para homenagear, recordar o 25 de Abril, mas, também, aqueles que, ao longo dos anos e até aos dias de hoje, trabalham para um Portugal melhor e mais solidário”.

Neste seguimento, o presidente da Mesa da Assembleia deu início às intervenções políticas, passando a palavra a César Coutinho, representante da Aliança Democrática, que, depois de mencionar várias datas e acontecimentos históricos marcantes para o país, referiu que “falar sobre o 25 de Abril não é tarefa fácil. É falar de um acontecimento, que envolveu todo um povo e, por isso, não é, nem será, propriedade privada de alguém, ou tendência política”.

Garantindo que “na sua caminhada democrática, a Revolução de abril tem feito o seu percurso, tentando e perseguindo os seus ideais, os ideais de abril, de independência, liberdade, igualdade e fraternidade”, o deputado da Aliança Democrática salientou que “todos sabemos o que é viver em liberdade porque quisemos e conseguimos manter firmes os ideais do 25 de Abril”, desejando “25 de Abril sempre”.

Também, Vítor Machado, representante do Partido Socialista, interveio, ressaltando que “como o Dia da Liberdade celebra, hoje, os seus 48 anos, temos de ter memória e dar a conhecer aos outros povos, que a ditadura não é a solução. A opressão de liberdade, opinião e expressão é um dos maiores atentados à dignidade humana”.

Para o deputado socialista, “não nos podemos esquecer, mais uma vez, que o nosso pequeno país foi harmonioso. (…) Conseguimos fazer uma revolução, um golpe de estado, derrotando a ditadura, implantando a democracia, com cravos vermelhos, que enfeitaram as armas empenhadas pelos soldados. Façamos, hoje, esta imagem correr o mundo, que bem precisa. (…) Temos o dever de transmitir, aos mais novos, que Portugal não era o país que encontramos hoje e que tal só se deve à revolução dos capitães de abril e às conquistas subsequentes”.

Por outro lado, o presidente da Junta de Freguesia de Canelas, Arménio Costa, fez questão de sublinhar, no início do seu discurso, que “este é, para mim, um momento muito simbólico, porque, realmente, é o meu primeiro 25 de Abril, o nosso primeiro 25 de Abril, nas novas instalações da Junta de Freguesia de Canelas e do Centro Cívico”.

No contexto da celebração dos 48 anos da Revolução dos Cravos, o autarca enalteceu que “o dia 25 de Abril não é, para Portugal, apenas uma data no calendário, é, provavelmente, o dia mais marcante da história recente do país”, esclarecendo, ainda, que, ao realizar esta sessão, a Junta de Freguesia tem dois objetivos em vista: “prestar uma profunda homenagem, a todos aqueles que deram, a Portugal, a oportunidade de se reencontrar com liberdade e com a democracia. Segundo, reafirmar valores e princípios que, naquela madrugada revolucionária, na qual vieram os construtores da liberdade, em Portugal, e devolveram a esperança e, acima de tudo, o futuro ao povo português”.

Asseverando que “o 25 de Abril é um exemplo para todos, para nós, para a Europa e para o mundo”, Arménio Costa destacou que esta data “deve servir a todos de inspiração. Em abril, radica a liberdade, a democracia, a participação cívica, o rigor, a transparência e o poder local”, frisando que “continuamos a cumprir abril. Conseguimos cumprir abril”.

Por fim, foi Manuel Benjamim Soares, presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia de Canelas, quem encerrou as intervenções, atestando que “passaram 48 anos do 25 de Abril de 1974, é certo. Eu tinha 18 anos, nessa altura, sabia ler e escrever, mas não sabia o que se passava no meu país. Hoje, como, em anos anteriores, homenageamos os capitães de abril”.

Descrevendo o passado e presente de Canelas, o presidente da Mesa da Assembleia dirigiu-se a Arménio Costa, afiançando que “todos acreditamos na continuidade, no crescimento, no progresso da freguesia”. Depois, falou para os canelenses, deixando “uma palavra amiga. Vamos continuar a acreditar, a ter esperança, a termos um enorme orgulho de sermos desta grande Freguesia de Canelas”.

Deste modo, Manuel Benjamim Soares terminou o seu discurso demonstrando a vontade de “fazermos desta, uma terra onde todos se sintam bem. Precisamos de todos, para alcançarmos o objetivo do desenvolvimento e bem-estar”.

A celebração culminou, ainda, com mais um momento ímpar, no qual os presentes cantaram em uníssono o hino nacional, relembrando a importância de não poderem deixar de assinalar esta data.