“A Ratoeira” de Agatha Christie esteve em cena no Coliseu do Porto, entre os passados dias 30 e 31 de março. Neste seguimento, o AUDIÊNCIA esteve à conversa com Paulo Sousa Costa, encenador e diretor artístico da Yellow Star Company, sobre esta obra, que continua a lotar as salas de espetáculos por onde passa e que está registada no Guinness Book, como sendo a peça há mais tempo em cena. Agradecendo ao público portuense pela adesão constante, o fundador desta companhia mencionou, ainda, os mais diversos espetáculos em palco, enaltecendo a importância de voltar a ter uma sala, depois da saída do Teatro Armando Cortez.

 

 

 

“A Ratoeira”, para além de ser uma das mais incríveis histórias de Agatha Christie, está registada no Guinness Book of Records, como a peça em cena há mais tempo. O que o levou a encenar esta obra?

Eu ando sempre atrás de textos bons, que façam parte do nosso portefólio e que tenham algum interesse, primeiramente para mim, e, depois, obviamente, para o público e só o nome da autora já é motivo suficiente. Depois, é uma peça que, quando eu a vi, estava há 67 anos em cena. Portanto, tinha todos os condimentos para ser um sucesso. Na altura, eu fui ver este espetáculo a Londres e gostei bastante, pelo que, a partir daí foi tratar de tudo o que implicava ter cá a peça.

 

Qual é a importância desta peça?

Eu acho que é uma excelente oportunidade para os portugueses verem este clássico, que está no Guinness Book como a peça há mais tempo em cena, em todo o mundo. Por outro lado, é uma excelente oportunidade para verem um texto que é da Agatha Christie, em cena, e se juntaremos isto ao elenco, que está enriquecido com o Ruy de Carvalho, já são vários motivos, para as pessoas perceberem que é uma peça muito importante, que só se vê uma vez na vida.

 

Através do mistério e suspense, na busca pelo assassino, qual é a mensagem que pretende transmitir?

A mensagem da peça é muito clara, que é: todos são suspeitos. Às vezes vemos as coisas de uma determinada perspetiva, mas nem tudo é o que parece. Esta peça é muito na linha daquilo que é um thriller e a forma de escrever da Agatha Christie. Depois, é mantido o suspense até ao fim, até se revelar, finalmente, quem é o(a) assassino(a). Posso revelar-lhe que, inclusive, no intervalo, os expectadores ficam, entre eles, a dar palpites sobre quem será o(a) assassino(a) e isso é muito interessante.

 

O final desta peça é, com certeza, uma surpresa…

Sim, aliás, é o que tem dado longevidade à peça. De facto, há uma relação no final que é muito surpreendente porque, tal como se faz em Londres, no final da peça, um ator pede aos expectadores segredo e, a partir daquele momento, passam a ser cúmplices, pelo que o segredo desta peça é, precisamente, manterem o segredo.

 

Interpretada por um elenco de luxo, composto por nomes como Ruy de Carvalho, Daniel Cerca Santos, Sara Cecília, Elsa Galvão, Sofia Portugal, Filipe Crawford, Henrique de Carvalho e Luís Pacheco, esta peça está em tour pelo país e esteve em cena no Coliseu do Porto entre os dias 30 e 31 de março. Como foi a adesão?

A adesão foi muito grande, porque nós já tínhamos aberto uma sessão, a do dia 31 de março, que esgotou rapidamente, o que nos fez abrir outra no dia 30. Isto significa que, mais uma vez, o público do Porto diz que sim ao teatro e à cultura, o que, para nós, não é uma surpresa, é mais uma constatação.

 

Que outros espetáculos tem a Yellow Star Company em cena, neste momento?

Nós estamos a tentar voltar à normalidade. Quando se deu a proliferação da covid-19, nós estávamos com sete espetáculos, inclusivamente estávamos com o “Saturday Night Fever” no Coliseu do Porto, que foi o nosso último espetáculo, aquando da pandemia. Depois, naturalmente, com o que adveio, tivemos de desligar alguns botões e passamos quase para mínimos e, agora, estamos a tentar recuperar outra vez. Ainda não temos sete espetáculos em cena, em simultâneo, mas já temos alguns, nomeadamente os “Monólogos da Vagina”, que tem sido um enorme sucesso, também no Porto, onde já estivemos sete vezes no Coliseu, e é uma peça que continua com muita vida e que ainda tem muito para dar aos expectadores. Fomos, agora, recentemente, à Sala Tejo do Altice Arena, com o “Madagáscar”, que também já está apontado para ir ao Coliseu do Porto. Acabamos de estrear o “Boeing Boeing”, no Politeama, mas também já está agendado para o Coliseu do Porto e temos “O Homem da Amália”, que já esteve no Coliseu do Porto, é uma encenação minha, mas a autoria é do Virgílio Castelo, e é de salientar também a interpretação, pois ele faz 12 papéis. Portanto, estes são os trabalhos que, neste momento, temos em carteira e que têm circulado por todo o país. Ainda há pouco temos tivemos quatro destas peças em cena, em simultâneo. Portanto, estamos, aos poucos, a tentar voltar à normalidade.

 

O que é que o público pode esperar brevemente do Paulo Sousa Costa e da Yellow Star Company?

Posso adiantar-lhe que o Shrek será a nossa grande aposta para as famílias, no final deste ano. Contudo, outros virão.

 

Enquanto encenador e diretor artístico da Yellow Star Company, quais são as suas perspetivas para o futuro?

Eu quero acreditar que as coisas vão voltar à normalidade. Nós já temos sentido bastante isso, inclusive temos tido muito público, felizmente, nos últimos tempos. Portanto, as perspetivas são bastante elevadas. Queremos, de facto, continuar com o ritmo que temos tido até aqui, porque existe o mito urbano de que o público português não gosta de teatro e isso não é verdade e nós, assim como as outras companhias, somos a prova disso. As salas enchem quando os espetáculos são bons e eu quero continuar a encenar bons espetáculos, que o público goste, isto é, peças para o público. De facto, neste momento, o que nós precisamos mesmo é de ter uma sala, porque, há cerca de um ano, fomos convidados a sair do Teatro Armando Cortez e continuamos sem sala, o que é uma grande dificuldade, porque nós, durante seis anos, tivemos uma residência, o que nos dava alguma estabilidade e, agora, nesta altura tão instável, acabamos por perdê-la. Nós ansiamos que alguém olhe para nós e nos dê casa.

 

Que mensagem gostaria de transmitir?

Desejo muitas felicidades aos portuenses, que são um público que eu gosto muito. Infelizmente, eu não consegui ir à a apresentação da peça “A Ratoeira”, mas estive no Porto com os Monólogos e é sempre um prazer ver o Coliseu cheio, assim como é sempre um gosto fazer teatro no Porto. Quem sabe, talvez um dia estejamos residentes na Invicta.