O jantar/palestra do Rotary Club Gaia Sul de outubro contou com a presença de Pedro Gil Vasconcelos. O profissional da área da comunicação foi falar sobre os Caminhos a Santiago, que já fez doze vezes, tendo sido a primeira em 1999. Apaixonado por lendas e histórias, Pedro contou a sua e tudo o que o fazia repetir o caminho vezes e vezes sem conta. Ainda nesse jantar, o Rotary Club Gaia Sul entregou o Prémio Mário Laredo a Diogo Rodrigues, que foi o melhor aluno do 12º ano das escolas públicas de Gaia, tendo já iniciado o seu percurso no ensino superior, no curso de Engenharia Mecânica.

 

 

Pedro Gil Vasconcelos foi o convidado para o jantar/palestra do Rotary Club Gaia Sul do dia 19 de outubro. Profissional da área da comunicação e produção, já percorreu os Caminhos de Santiago mais de uma dezena de vezes e partilhou com os presentes a sua experiência. No mesmo evento, o Rotary Club Gaia Sul procedeu à entrega do Prémio Mário Larego, que distingue o melhor aluno do 12º ano das escolas públicas de Vila Nova de Gaia. Diogo Rodrigues, da Escola Secundário Almeida Garrett, foi o premiado de 2021.

Margarida Maques, presidente do Rotary Club Gaia Sul, explicou a escolha do Pedro Gil enquanto orador: “é um comunicador nato, alguém de quem bebemos as palavras”. A época, segunda ela, é propícia a falar de caminhos, até porque a entrega do prémio representa também “o fim de um caminho e o começo de outro”, referindo-se ao fim do ensino secundário para Diogo e o início da faculdade. Ainda sobre as histórias das dezenas de viagens que Pedro Gil Vasconcelos fez a Santiago, Margarida Marques referiu que ”quando ele fala das viagens, conta os episódios dentro dessas viagens, são várias viagens dentro de viagens”.

Pedro Gil Vasconcelos fez os Caminhos de Santiago doze vezes. A primeira, como contou ao Jornal AUDIÊNCIA, foi em 1999, e em tom de brincadeira diz que dessa para a última, mudou os 20 quilos a mais, e tudo o resto, uma vez que diz que nem o sentimento da viagem é o mesmo, muda a cada caminho. E o que o fez apaixonar-se pelos Caminhos de Santiago? “Uma pedra que me apareceu no caminho”, foi o que contou Pedro Gil, uma enorme pedra junto a Porto Marim que lhe pareceu estranha e que, naquele momento, na primeira viagem, ele sentiu que “falou” com ele. “É um sítio onde passam cerca de 800, 900, 1000 pessoas por dia nas épocas de maior afluência, e eu penso, cada pessoa que ali passou deixa ficar um pouco de si, mas tirou um pouco daquela pedra, ela é o conjunto de angústias e medos das pessoas que já passaram por ali”, transmitiu aos convidados do jantar/palestra.

Além desta vertente, Pedro Gil ainda salientou as lendas e histórias em torno dos Caminhos de Santiago. Sempre teve “gosto pela história”, e depois da primeira visita a Santiago, ainda de carro, sentiu-se em casa, afinal de contas, o seu bisavô era natural de lá. Já conhecia alguns pormenores, mas deu-lhe vontade de pesquisar e saber ainda mais, até porque gosta de contar histórias e lembra que as lendas são muito importantes para o imaginário dos dias atuais. Partilhou com os presentes, por exemplo, que na Idade Média se dizia havia três peregrinações fundamentais, e Santiago era uma delas.

Em doze caminhos que fez, foi sempre acompanhado. Já cultivou este bichinho em muitas outras pessoas. Apesar de ir acompanhado, não esconde que grande parte do percurso é feito sozinho e em forma de reflexão. “Há ritmos diferentes e há quem fique para trás, às vezes anda-se horas sozinho, eu já cheguei a andar um dia inteiro sozinho”, e Pedro disse que era fundamental cada um respeitar o seu ritmo para que nenhum vá em esforço.

“O caminho é isso, as várias camadas de experiência que temos, a camada da superação, de chegar, para alguns é a camada religiosa, para outros a camada física e turística, mas mais do que tudo, é todas aquelas micro-histórias, narrativas curtinhas, que nos fazem viver aquilo de outra forma, é o tempo de qualidade que temos, é o exercício que fazemos, é o estarmos connosco horas e horas seguidas, só a pensar, é o entrarmos numa dimensão diferente do dia a dia”, confessou Pedro Gil Vasconcelos.

E no fim da viagem há o último dia. Pedro fala sobre a mistura de emoções desse dia de chegar à meta. “Eu costumo dizer que o último dia é o melhor e o pior de todos. É o melhor porque é aqueles em que sabemos que conseguimos, chegamos, já nada nos impede. É o pior porque nos interrogamos sobre o que vamos fazer no dia seguinte. Fiz este caminho todo durante dias, e amanhã o que vou fazer? Amanhã não vou andar, não vou ter a meta. O amanhã vai ser um dia estranho”, disse, afirmando que cada vez que está próximo do fim, é um momento de “extrema emoção”.

Para quem nunca foi, mas gostava de ir, Pedro Gil Vasconcelos deixou alguns conselhos: preparação física, caminhar antes e usar o material que vamos usar na viagem. “Preparar-se”, foram as palavras usadas pelo caminheiro. “Muito cuidado com o calçado”, foi outro dos pontos apontados pelo Pedro, afinal de contas, na caminhada, são os pés que nos levam à meta. “Eu, por exemplo, sou fã de botas. Há muita gente que fala das sapatilhas, não, de todo, principalmente quando falamos de caminhos mais duros, com mais monte. O caminho de Santiago não tem nada a ver com o caminho de Fátima, é um caminho mais antigo, com monte, com floresta, com relevo, com pedras e a sapatilha não resolve. Além disso, a bota defende o tornozelo das entorses e defende em questões de água, porque água dentro do pé é meio caminho andado para se rebentar o pé”, concluiu.

Para já, Pedro não tem mais nenhuma viagem programada, mas, como o próprio diz: “quando surgir a oportunidade, vou”, até porque, ao que parece, não há doze, sem treze.

 

Prémio Mário Laredo

Diogo Rodrigues, da Escola Secundária Almeida Garrett, recebeu o prémio do Rotary Club Gaia Sul, por ter sido o aluno do 12º ano, das escolas públicas de Vila Nova de Gaia, com melhores notas no ano letivo anterior. Margarida Marques, presidente do clube, salientou que entregam este prémio há décadas e que tem até se tornado num fator incentivador dos alunos, e confessou que, este ano, o vencedor foi apurado por centésimas. Margarida comentou que Diogo é a prova de que os bons alunos “podem ser pessoas na sua totalidade, sem estarem fechados a marrar só nos estudos”. No caso especifico do Diogo, o histórico de boas notas também já é longo, uma vez que é um dos melhores da escola desde o sétimo ano.

“Sinto-me concretizado”, disse Diogo Rodrigues. Depois de terminar o secundário com uma nota invejável, o jovem escolheu seguir o seu percurso entrando em Engenharia Mecânica, na FEUP. “Estudei sempre para alcançar o meu melhor, não era com os olhos postos neste prémio ou noutra coisa qualquer, era sempre com o objetivo de fazer o meu melhor”, contou. Mas escolher Engenharia Mecânica não foi fácil. “Felizmente não tive de olhar para as médias dos cursos, pude escolher à vontade, mas tive bastantes dúvidas. As áreas que me interessavam mais era a matemática e a física, e até cheguei a ponderar tirar mesmo o curso de física, mas optei por Engenharia Mecânica, acho que é um curso muito abrangente, muito completo, e que me será útil no futuro”, disse Diogo.

Mas desengane-se quem ache que o Diogo era um “rato de biblioteca”. “Gosto bastante de passar tempo com os meus amigos, ando nos escuteiros, estudei música, enquanto andava no secundário, fiz o curso de música no Conservatório de Gaia. Também faço bastante desporto. Na verdade, passo pouco tempo parado”, contou o jovem. Quanto ao truque dele para as boas notas: concentração. ”Não é preciso estudar muito, é preciso estudar de forma correta, estar concentrado, em vez de três horas, estar uma hora e descansar”.

A mãe do Diogo garante que nunca foi preciso obriga-lo a estudar, sempre o fez de “livre iniciativa” , no entanto, salienta que ele “faz sempre mais do que lhe é pedido”, além de estudar sempre um pouco, todos os dias, mas não durante muito tempo. Quanto à escolha do curso superior, recorreram à ajuda de uma orientadora, no entanto, a mãe de Diogo diz que lhe deu liberdade total para escolher. ”Estou extremamente orgulhosa e só espero que o futuro dele seja brilhante”, completou.

Paulo Mota, diretor da Escola Secundária Almeida Garrett, também esteve presente. Orgulhoso por estar, de novo, com a sua escola, na entrega deste prémio, e orgulhoso do Diogo, a quem só teceu elogios. “O Diogo sempre foi um aluno referência na escola”, disse, afirmando que a sua excelência ia além das boas notas: “Sempre foi uma pessoa extraordinariamente competente, sociável, participou na Associação de Estudantes, logo, é uma pessoa ativa na Comunidade Escolar, não se resumiu só ao percurso académico. Ele tem o seu percurso académico e tem um percurso como pessoa dentro da escola. O lema da escola é “aprender a ser” e ele aprendeu a ser com muita eficiência”.