Esta semana que passou foi aflitiva em Rabo de Peixe. Os números da COVID-19 voltaram a disparar e impõe-se mais proactividade por parte das entidades oficiais, designadamente do Governo Regional e do poder local, Câmara Municipal da Ribeira Grande e Junta de Freguesia de Rabo de Peixe.

É com grande preocupação que tenho acompanhado diariamente os números oficiais – sempre divulgados em formatos, canais e horas diferentes – e auscultado, informalmente e em segurança, a população Rabopeixense.

Mas não é preciso ser grande especialista – encomendado de fora e sem qualquer tipo de tato – para perceber que, apesar das recomendações emitidas e das medidas tomadas, algumas pessoas continuam a concentrar-se nos cafés e bares da Vila de Rabo de Peixe.

É óbvio, entra pelos olhos dentro, para quem conhece e vive na freguesia, que se impõe maior presença das autoridades. As equipas multidisciplinares só foram para o terreno há apenas alguns dias e depois de 27 casos de COVID-19 num só dia. Estas equipas deveriam ter sido acionadas em Rabo de Peixe imediatamente após o fim das cercas, mantendo-se até deixarem de ser necessárias. Para alertar e advertir, para atuar sempre que identificarem concentrações em proximidade e sem uso correto de máscara.

O resultado de deixar este território com grande densidade populacional em completa roda-viva está bem à vista. Só esta semana, contabilizámos dezenas e dezenas de novos casos que nos poderão condenar a mais um confinamento forçado.

Hoje é claramente evidente que os muitos meses de confinamento de Rabo de Peixe, as cercas sanitárias desproporcionais, policialmente musculadas, não surtiram o efeito desejado.

O fecho das escolas da Vila, fundamentais para a potenciação da mobilidade social destas crianças e jovens, mas também para a própria supressão de necessidades alimentares de inúmeras crianças, não deve e não pode voltar a acontecer.

Os empresários de Rabo de Peixe – e são muitos – não podem continuar entregues a si mesmos e forçados a manter portas fechadas, de forma indeterminada, sem conseguir por pão na mesa das suas famílias.

A solução não passa por enclausurar novamente a população de Rabo de Peixe durante semanas e meses afio, mas antes por uma maior presença diária, no terreno, com as pessoas. Lembrando, informando, sensibilizando. Em última análise, autuando e detendo.

É preciso acelerar o processo de vacinação, especialmente nas freguesias mais afetadas pela pandemia na nossa Região, onde se inclui Rabo de Peixe.

Espero, verdadeiramente, que quem está no poder não continue a negligenciar os potenciais efeitos de estigmatização social, potenciadora de discriminações em relação a Rabo de Peixe. Espero que quem está no poder perceba que atuar sobre Rabo de Peixe é vital para iniciar a recuperação da ilha e da Região.

Só com uma ação concertada e mais proactiva entre o Governo dos Açores, a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia e as autoridades poderemos reduzir os números da COVID-19 em Rabo de Peixe.

Em benefício de podermos regressar a uma vida normal – desconfinada mas com cuidados – tão breve quanto possível.

 

Valdemira Gouveia

Deputada do PS à Assembleia Regional

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