“No fim de semana de 22-24 de outubro regressamos a casa. O Teatro São João, reabilitado e modernizado, reabre as suas portas, a esperança de vida reforçada. Ao devolvê-lo ao público, celebramos e interrogamos a sua longevidade, o seu passado e o seu futuro. Inauguramos a exposição 10 Atos 100 Anos, que rememora a história deste monumento nacional serpenteando por dez dos seus momentos mais marcantes.

Damos a primeira palavra ao teatrólogo norte-americano Marvin Carlson para abrir o debate sobre as encarnações e os desafios dos teatros nacionais no colóquio internacional Teatros Nacionais: missões, tensões, transformações. No novo palco do São João pré-apresentamos Lear, de William Shakespeare, pela mão de Nuno Cardoso, que ao reutilizar equipamentos técnicos e de cena, adereços e figurinos de anteriores produções nos revela afinal um palco assombrado pela memória. Em três dias do resto das múltiplas vidas do São João, confrontamos o que fomos, o que somos, o que queremos ser. E partilhamos com júbilo o regresso a casa.

Num gesto de reflexão e de autoquestionamento, o Teatro Nacional São João promove um colóquio internacional em que se fará o diagnóstico inter pares de uma instituição já um tanto vetusta, mas não menos viva. Ao longo de três dias, sondamos as missões, as tensões e as transformações dos Teatros Nacionais nas suas infinitas encarnações, problematizando o conceito em várias línguas e geografias. E interrogamos como prosseguir o imenso legado que estas instituições vêm acumulando, e como celebrar o seu inesgotável potencial, artístico e político, enquanto lugares colaborativos de criação, representação e participação. Num evento que privilegia a mesa-redonda como dispositivo de debate, destacamos as conferências de abertura, do teatrólogo norte-americano Marvin Carlson, e de encerramento, a cargo da ensaísta polaca Elzbieta Matynia.  C

arlson vem dedicando o grande fôlego da sua investigação à história do teatro ocidental e é autor, entre outros, de Palco Assombrado, livro que o TNSJ publicou na coleção Empilhadora. Matynia fundou e dirige o Transregional Center for Democratic Studies (Nova Iorque). Numa das suas obras de referência, Performative Democracy, identifica as condições para uma performatividade na vida pública.”O Rei Lear e o regresso do William Shakespeare ao TNSJ –“Tu não devias ter ficado velho antes de ter ficado sábio.” (W. Shakespeare -Rei Lear) –  “Concluídas as obras de reabilitação do interior do São João, prosseguimos caminho aos ombros de gigantes. É do alto de Rei Lear, de William Shakespeare, que vislumbramos a curva de um tempo pós-Centenário. Num palco novinho em folha e com um clássico de sempre, amplificado por uma nova tradução de António M. Feijó, o encenador Nuno Cardoso dirige um elenco que combina atores da nossa companhia quase residente com outros que aqui fizeram história, articulando tempos, memórias, afetos. Vasta e poderosa como a mente do seu protagonista, de Lear irradia uma espécie de “ansiedade cósmica”. (informação do TNSJ)

 

 

Salvador Santos

No dia 22, antes da primeira apresentação do Rei Lear, o antigo administrador do TNSJ, Salvador Santos, foi homenageado pela Ministra da Cultura, ao qual lhe foi outorgada a Medalha de Mérito Artístico. Tendo sido realizado o elogio do homenageado pelo antigo Diretor Artístico do TNSJ, Ricardo Pais.

Salvador Santos distinguiu-se nas funções de Produtor no TNSJ e foi um elo importantíssimo de comunicação com as Companhias Profissionais de Teatro e com as Escolas de Formação Teatral da cidade do Porto. Sendo um homem do teatro pela sua natural modéstia e competência nunca foi um homem de palco, mas sim de bastidores, servindo o teatro com humildade, profissionalismo e competência, afastado dos holofotes e do “barulho das luzes”! Foi muito emocionante para os seus amigos e conhecidos constatar o respeito, a amizade de tanta gente reunida na sessão de celebração.

A ele se deve a criação de um Festival de Teatro na cidade de Vila Nova de Gaia que homenageia o poeta, letrista e dramaturgo José Guimarães na Tuna Musical de Santa Marinha. Festival que este ano está na sua 3ª edição. Salvador Santos, destaca-se, também, no campo da ficção e do jornalismo, colaborando semanalmente com o Semanário Audiência na edição do Grande Porto, neste semanário foram publicadas uma quase centena de crónicas sobre diversas personalidades do teatro português, autores, dramaturgos, actores e actrizes com o belo e sugestivo título No Palco da Saudade, que esperamos sejam algum dia publicadas como um documento mais para revisitar a História do Teatro em Portugal feita pelos seus intérpretes.

 

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