As festas em honra de Santa Eulália, padroeira da freguesia de Oliveira do Douro, estão agendadas entre os dias 21 e 24 de agosto e estão a ser organizadas por uma nova Comissão de Festas. André Gomes, presidente da Comissão de Festas de Santa Eulália, Fábio Pinto, secretário da Comissão de Festas, e Pedro Castro, tesoureiro da Comissão de Festas, falaram, em entrevista ao AUDIÊNCIA, sobre os objetivos desta Comissão, sobre a importância destas festas e sobre as novidades da edição que se avizinha.

 

 

Como surgiu a vontade de reunir este grupo de pessoas para tomar os destinos da Comissão de Festas de Santa Eulália?

André Gomes (AG): Esta Comissão é composta por um grupo de amigos que já desde há uns anos para cá pensava em estar à frente e tentar organizar a Comissão de Festas. A oportunidade não surgiu antes, mas surgiu agora para abraçarmos este projeto, ainda assim com a ajuda de membros da anterior Comissão, que nós quisemos convidar para que se mantivessem e temos alguns que se quiseram manter e com estes novos que somos nós, entramos oito membros novos e estamos com cinco elementos ainda da antiga Comissão para, no fundo, com este conjunto de pessoas, com a experiência das pessoas que aqui estão e com agora novas ideias e novos pensamentos fazermos uma festa ao nível que a nossa padroeira merece.

 

Porque assumiram esta responsabilidade?

AG: Este grupo de pessoas é composto por pessoas da paróquia, são pessoas da Freguesia de Oliveira do Douro. Nós, os oito elementos novos que entraram, tivemos aqui catequese, fazemos parte de outras associações da freguesia, todos ou quase todos já demos catequese aqui na nossa paróquia, fizemos o nosso percurso religioso todo aqui até ao crisma, portanto nós somos conhecedores daquilo que é a realidade da nossa paróquia e da freguesia e, como amigos que somos, decidimos avançar e propusemos à Comissão que estava e ao senhor Padre avançarmos e perguntamos-lhes se estavam disponíveis a avançar connosco, porque gostávamos de fazer parte deste projeto e foi assim que tudo começou. Nós esperamos que com esta nossa iniciativa de vontade e de querer fazer, que mais pessoas olhem, queiram e sintam vontade, no próximo ano, de se juntarem a nós e de quererem também fazer parte. Nós queremos que as pessoas sintam que fazem parte da festa e nós queremos fazer esta festa em comunidade, em paróquia, em sociedade, como freguesia que somos, paróquia que somos e que o façamos todos juntos e que estejamos cá para ajudar quando for preciso. Nós temos vários eventos, vamos precisar de muita ajuda e contamos com todos para que se realize da melhor maneira.

 

Quais são os vossos objetivos?

AG: O nosso objetivo principal é que o feedback das pessoas na segunda-feira de festa seja positivo, que as pessoas gostem, que as pessoas celebrem em família, aqui, em comunidade, na paróquia e, principalmente, que as pessoas possam vir também à igreja e celebrar com a igreja cheia, repleta, como já é costume, e que saiam satisfeitas. O nosso objetivo principal é que as pessoas gostem e que possamos pegar em algumas tradições que nós quando eramos crianças tínhamos, como é o exemplo dos jogos tradicionais, porque há várias coisas que ao longo dos tempos se perderam um bocadinho e nós gostávamos de pegar nisso, fazendo com que as pessoas também se sintam e se lembrem dos tempos de infância e que os mais novos também possam gostar de vir à festa e que saibam que há aqui outros momentos que não só a noite e que haja outros momentos mais lúdicos para as pessoas.

 

O que mudou com a vossa chegada?

AG: Nós não queremos fazer mudanças e só temos a agradecer a quem por aqui passou e àqueles que durante estes anos todos mantiveram esta tradição viva e não deixaram que as festas morressem, porque elas existiram e é muito graças a essas pessoas que até hoje estiveram à frente e estiveram na Comissão de Festas. Aquilo que nós queremos fazer é com que as pessoas se interessem cada vez mais pelas festividades e que Oliveira do Douro tenha uma festa ao nível da nossa padroeira e ao nível da população que é gigante e que possamos fazer uma grande festa este ano.

 

Qual é a importância das festas em honra de Santa Eulália? O que é que elas representam para a população?

AG: Este é o ponto mais alto, religiosamente falando, na paróquia, porque é a padroeira de Oliveira do Douro e é o ponto anual mais importante na nossa paróquia. Logo por aí, é o momento em que as pessoas dão mais relevância e estão em peso nas celebrações religiosas relacionadas com a nossa padroeira. Esta festa é o festejar a padroeira da freguesia e da paróquia, é um dos pontos altos das festas religiosas que temos e é onde as pessoas se reúnem, vêm todas para a rua na procissão e, numa freguesia tão populosa, é possível vermos isso durante todos os dias da Festa, durante as noites de festa, durante o sábado, que é quando andam os bombos pela freguesia e as pessoas aderem porque gostam e é um momento de família e de comunidade, onde as pessoas estão todas juntas e o ponto mais alto é, claro, a festividade religiosa, ou seja, o momento em que vamos à celebração eucarística, o momento em que estamos na procissão e a isso as pessoas dão muito valor e são muito devotas.

 

Quando é que se vai realizar a festa? Quais são as novidades?

Fábio Pinto (FP): As datas são de 21 a 24 de agosto e em termos de cartaz, para já, nós procuramos que o cartaz seja atrativo e variado para as pessoas, mas podemos desde já anunciar que um dos dias vai ter como cabeça de cartaz a artista Rosinha e a Banda Lusomix para a abertura da festa, que será na sexta-feira, no dia 21 e a nossa expectativa é que as pessoas gostem. Já no dia 22 o palco vai ser pisado pelo cantor Iran Costa e pela Banda Delta7.

AG: Nós não vamos nem queremos mudar aquilo que é tradição, porque as tradições são para serem mantidas e há coisas que não se podem mudar. Aquilo que podemos garantir e dizer é que tudo faremos e já estamos a fazer desde setembro de 2019, desde o término das festas anteriores, que é uma angariação de fundos, para que possamos ter um cartaz mais atrativo e ter umas festas religiosas também a esse nível, mas isso só é possível se financeiramente assim o conseguirmos e é por isso que já estamos a trabalhar desde cedo. O primeiro evento que organizamos de angariação de fundos foi o magusto em outubro, ou seja nós começamos em setembro, logo após o término das festas em agosto de 2019. As angariações de fundos não aconteciam com muita regularidade, tivemos o magusto, organizamos também em fevereiro uma peça de teatro com o grupo cénico da paróquia com o jantar incluído com o valor de oito euros, em que os fundos reverteram para a Festa de Santa Eulália. Nós temos várias ideias, vários momentos de angariação de fundos que queremos fazer para colmatar essas coisas novas que nós queremos trazer para a festa.

 

Qual é o orçamento para a próxima edição das festas em honra de Santa Eulália?

AG: Os elementos da Comissão anterior têm-nos ajudado muito a fazer esse processo e o orçamento que nós estipulamos foi entre os 35 e 40 mil euros. Nós, para além das angariações de fundos, também contamos com o apoio da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro e da Câmara Municipal de Gaia quer a nível de logística, quer financeiramente, depois temos várias iniciativas, entre as quais uma que já era habitual que é a venda de bilhetes anuais, que se passam todos os anos para a festa e que têm o custo de cinco euros. A única coisa que nós diferenciamos dos anos anteriores para este ano é o facto de termos três prémios, 1º, 2º e 3º, que são bens, o 1º é uma Bimby, o 2º é um cruzeiro para duas pessoas para duas noites com tudo incluído e o 3º é um LCD, para que as pessoas também possam receber algo em troca, palpável, pela ajuda que estão a dar à Comissão de Festas. Nós também estamos a angariar patrocinadores como tem sido habitual em todas as festas, das empresas da freguesia e, claro, da paróquia em geral, porque existem outros eventos na paróquia de angariação de fundos e tem-nos sido disponibilizada e têm-nos sido abertas as portas por parte dos outros grupos da paróquia para nós colaborarmos com eles e também de certa forma, parte do valor por eles angariam é para a Comissão de Festas e isso é uma grande ajuda.

FP: Nós, enquanto Comissão, estamos à frente das coisas, mas não conseguimos sozinhos, sem ajuda, organizar a festa da melhor maneira e, portanto, é essencial o envolvimento da comunidade, da própria freguesia, para a festa ser cada vez mais atrativa.

 

Acreditam que as Festas em honra de Santa Eulália levam mais longe o nome de Oliveira do Douro e de Vila Nova de Gaia?

AG: Claro que sim, apesar de Oliveira do Douro ser das freguesias mais populosas e de Vila Nova de Gaia ser um concelho gigante, não vêm só pessoas de Vila Nova de Gaia, mas o mais importante é que as pessoas venham e que se interessem. Nós estamos num sítio privilegiado, falando da localização, e já tivemos até a sondagem de pessoas que querem vir para a festa no âmbito do aluguer de espaços para a venda de produtos, porque as pessoas sabem que é uma festa que tem bastantes pessoas e que é uma festa que atrai gente não só da freguesia e isso é um sinal de que as pessoas querem vir para aqui. Os espaços são limitados, nós temos preferencialmente, e aqui logisticamente falando, uma zona que é virada para esses espaços e são limitados. Todavia, as pessoas podem contactar-nos através das nossas redes sociais e do nosso e-mail e podem perguntar-nos como é que isso funciona.

 

Na vossa opinião, as festas em honra de Santa Eulália em Oliveira do Douro vão ter continuidade, ou a extinção das mesmas é uma possibilidade?

AG: Nunca acontecerá isso, porque como se tem provado até hoje, as festas sempre existiram e, com mais ou menos dificuldades, sempre foram feitas graças a pessoas que se empenharam, que estiveram aqui durante anos e que continuam algumas delas nesta Comissão atual, e que fizeram sempre de tudo para que as festas se mantivessem e não houve um único ano em que elas não se realizassem. Portanto, isso não vai acontecer seja a Comissão que vier a festa irá sempre ser realizada é preciso é que as pessoas queiram fazer a festa e é preciso que a comunidade também se interesse por fazer a festa, porque é preciso ajudar a realizar as festas, porque não é fácil, são quatro dias de festa e envolve logisticamente muito trabalho, financeiramente muito dinheiro e não é fácil e nós damos, efetivamente, muito valor a quem durante estes anos fez as festas, porque nós agora estamos a ver e estamos a perceber que não é nada fácil a realização deste evento de quatro dias.

Pedro Castro (PC): Como se costuma dizer, as organizações não são substituíveis, mas as pessoas são e foi um bocado isso o que nós viemos fazer aqui, não foi romper com o passado, porque o passado foi bem feito à sua maneira, pelas pessoas que estavam no momento, viemos sim criar algum dinamismo naquele que é o nosso conhecimento, trazer dinamismo, trazer juventude na maneira como se organiza a festa e, por isso, juntando o conhecimento de quem quis continuar, com a irreverência dos novos que se juntaram a esta organização, faz da festa um momento ímpar do ângulo religioso para os paroquianos, que se mantém e que se vai manter e que daqui a 20 ou 30 anos sejam outros jovens que tenham a mesma rebeldia que nós tivemos a pegar na festa.

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