A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata (Virgínia Woolf)

Dificilmente podemos deixar de lembrar a Zita Duarte, a atriz que muito cedo abandonou o palco da vida e que fora fundadora com Carlos Avilez do teatro Experimental de Cascais. Ela notabilizou a personagem de Ivone Princesa de Borgonha e foi unanimemente reconhecida como uma das maiores atrizes portuguesas, faleceu aos 55 anos, vítima de cancro.

O seu nome foi atribuído a um prémio de teatro da Escola Profissional de Teatro de Cascais, bem como a uma praça na mesma Freguesia. Ivone, Princesa de Borgonha (1938), volta aos palcos portugueses desta vez numa coprodução de Ar de Filmes/Teatro do Bairro (Lisboa), TNSJ (Porto), com tradução de Luísa Costa Gomes, com encenação de António Pires.

A tradutora acrescenta, como quem pergunta: “Que espécie de coisa é esta paródia de tragédia, que parece mais leve do que realmente é, bem mais profunda e complexa do que aparenta ser, talvez num movimento palaciano de dissimulação dos horrores sobre os quais assenta todo o poder…”Mimado pelos pais, o príncipe Filipe de Borgonha tem tudo e ainda pode ter mais. As mulheres mais belas, é só querê-las. Quando lê no horóscopo que as estrelas propícias lhe oferecerão “iniciativas de grande envergadura”, prepara-se para o encontro com o destino. Porque vai encalhar, horrivelmente excitado, numa aventesma queda e muda como Ivone?

Nascido na Polónia em 1904, e exilado na Argentina durante mais de vinte anos, Witold Gombrowicz construiu uma obra original, inovadora, e “provocadora”, como ele próprio gostava de dizer. Mais conhecido pelos seus romances e contos, legou-nos três peças onde exercitou um pessoalíssimo “teatro de ideias”.

Dividida em atos, à maneira clássica, Ivone, Princesa de Borgonha (1938) evolui num crescendo de bestialidade, selvajaria, idiotice e falta de sentido. “É um texto implacavelmente obtuso”, resume-o lapidarmente Luísa Costa Gomes.” (informação do TNSJ) Witold M. Gombrowicz (1904-1969) escritor e dramaturgo polaco. As suas obras caracterizam-se por uma profunda análise psicológica, um certo sentido do paradoxo e absurdo.

Em 1937, publicou seu primeiro romance, Ferdydurke, que resume muitos dos temas que aborda na sua obra: os problemas da imaturidade e da juventude , a criação da identidade por meio da interação social e um exame irónico e crítico do papel das classes na sociedade e cultura da Polónia do início do século XX. Pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial emigrou para a Argentina, onde viveu cerca de 23 anos. A edição francesa de dois dos seus romances nos anos sessenta do século XX trouxe-lhe o reconhecimento público sendo atualmente considerado um dos maiores nomes da literatura polaca.

Em reposição A Grande Vaga de Frio a partir de Orlando de Virgínia Woolf, numa produção do Ensemble – Sociedade de Actores, Centro Cultural de Belém, TNSJ. “A personagem contínua atraente. Tem trinta e seis anos há pelo menos cem anos. É homem? É mulher? Não tem dúvidas sobre os sexos a que pertence e, no entanto, não pode ter certezas. Fazendo o balanço da sua vida de mulher, de mulher casada e de poeta publicada, Orlando ouve o som do vento no carvalho, o mesmo que levou o marido para o Cabo Horn. Adensa-se a nuvem de humidade que tudo permeia no século XIX. Mas é na Grande Vaga de Frio que foi realmente (realmente?) feliz e Orlando prepara-se para o regresso ao Grande Carnaval no Gelo…

Com dramaturgia de Luísa Costa Gomes e direção de Carlos Pimenta, A Grande Vaga de Frio rememora essa “biografia” que Virgínia Woolf compôs sobre uma figura camaleónica, sempre jovem, que muda caprichosamente de sexo e identidade: um jovem nobre do século XVI que percorre três séculos, culminando como escritora na própria época de Woolf. Orlando é uma nova prova ao raro sentido de composição e à desenvolta plasticidade da atriz Emília Silvestre.” (informação TNSJ)

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