Os 45 anos da Revolução de Abril foram celebrados Campanhã com referência às conquistas e aos desafios ainda existentes. O tema da habitação foi um dos mais falados, com todas as forças políticas a defenderem que é necessário fazer mais neste âmbito. O dia ficou ainda marcado por homenagens a figuras da freguesia e da cidade, desde desportistas ao presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa.

As cerimónias do 25 de Abril em Campanhã, este ano, ficaram marcadas pelo tema da falta de habitação, um dos direitos reivindicados após a liberdade.

O dia começou bem cedo, pelas 9h30, com o hastear da bandeira na sede da Junta de Freguesia e com a atuação da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários Portuenses. Seguiu-se a largada de pombos na Praça da Corujeira, em parceria com a Sociedade Columbófila da Invicta e a romagem ao cemitério para deposição de duas coroas de flores em memória dos autarcas e democratas falecidos e dos combatentes que deram a vida na guerra do Ultramar.

Já cerca das 11h, decorreu a sessão solene, presidida, este ano, pela presidente da Assembleia de Freguesia, na impossibilidade da presença do presidente da Junta, Ernesto Satos, que se encontrava hospitalizado. Na altura, todas as forças políticas eleitas na freguesia tiveram oportunidade de discursar, e embora todos relembrassem as vitórias conquistadas com a Revolução dos Cravos, não deixaram de parte o que ainda falta concretizar.
Filipe Oliveira, presidente em exercício no momento, aproveitou a ocasião para elogiar a presença de todas as forças políticas na cerimónia, algo inédito em Campanhã e deixou uma mensagem para os jovens, para também para os adultos, para que deem a conhecer aos mais novos um mundo diferente.

A representante do Bloco de Esquerda foi a primeira a usar da palavra e destacou que a evolução e as conquistas das mulheres nestes últimos 45 anos “no caminho da igualdade” mas também lembrou que “muitas das exigências não foram ainda concretizadas”.

“O Serviço Nacional de Saúde, apesar do progresso, ainda não chega a todos. A desigualdade e a pobreza, a violência contra as mulheres atingem ainda níveis intoleráveis, sem esquecer o direito à habitação e a precariedade do trabalho. É urgente lembrar todas as lutas, lutar contra os movimentos de direita emergentes que são um retrocesso aos direitos conquistados”, afirmou a bloquista.

Por sua vez, Cândido Correia, do RM, abordou a necessidade de aproximar os cidadãos dos eleitos e o tema da natalidade, que também Hugo Nascimento, do PS, preferiu salientar no seu discurso. “O SNS é o símbolo maior de Portugal, apesar das muitas e justas queixas, mas não nos podemos esquecer que em 74 tínhamos uma vergonhosa taxa de mortalidade infantil e que agora somos dos países com menor taxa. Isto são motivos de orgulho mas falta cumprir a habitação”.

“Vivemos a 2ª fase da democracia, os problemas são diferentes, novos, e os métodos também têm de ser diferentes. O que resultou em tempos já não resulta agora. É precisa uma nova geração de políticas para fazer face a novos problemas. Mas não são só os políticos, a responsabilidade social é de cada um, quer dos eleitos quer do povo. É preciso acabar com todos os atrasos, a começar pelo mais estrutural de todos: o atraso mental”, afirmou o socialista, acrescentando que “Campanhã vai modernizar-se, alguma parte já está no futuro mas ainda falta muito”.

Também o representante da CDU considera que “a luta é indispensável” principalmente no combate à precariedade. “Vale a pena lutar, porque é pela força do povo que podemos avançar. Abril está presente no povo, não desistimos de sonhar. Abril trouxe tempo de esperança, não esquecemos isto nem o papel que o PCP teve no processo. Abril são dezenas de anos de um caminho de quem acreditava que era possível liberdade sem censura”, referiu.

A cerimónia ficou ainda marcada pela homenagem a figuras e coletividades ligadas ao desporto quer na freguesia quer na cidade do Porto, entre elas o presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, pelos 125 anos do clube.

O distinguido, aproveitou a oportunidade para lembrar a história do clube, dando a conhecer que as cores simbolizam a bandeira da altura, porque já nesse tempo “tinham noção que era um clube que iria representar Portugal no mundo”. “E assim é de facto. Mas não esquecemos nunca que temos o nome da cidade e que estamos em Campanhã. Sempre tivemos as maiores provas de consideração pelos anteriores presidentes e esta homenagem para mim é muito grata porque mesmo correndo o mundo com o FC Porto, tenho um enorme prazer em estar aqui na freguesia. Para mim, uma das maiores conquistas do 25 de Abril foi terminar com o facto de os presidentes de Câmara e de Junta serem nomeados por Lisboa”, afirmou Pinto da Costa, dando ainda os parabéns a este executivo pela dedicação à freguesia, a qual tem “a honra de pertencer o FC Porto”.

Foram ainda distinguidos o Gimnocerco, Manuel Quintino Santos Oliveira, César António Silva Morais, o Bushido Dojo Clube de Karaté de Campanhã e Ana Catarina Vilarinho Ferreira da Silva pelos feitos desportivos conquistados ao longo do tempo.

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