“O que mais me cativou foi acreditar que podia servir as pessoas”

Assumindo-se como sendo mulher, filha, esposa, mãe, amiga e avó, Isabel Cruz garante que nunca se sentiu discriminada por ser mulher, na política. Herdou do pai o amor pela Trofa, uma vez que este lutou pela sua autonomia, enquanto concelho. Depois de quatro anos na oposição, Isabel Cruz foi eleita, em 2013, presidente da Assembleia Municipal da Trofa e orgulha-se de a ter transformado numa casa da democracia mais plural.

            

 

Quem é a Isabel Cruz?

Uma mulher que apesar dos seus 64 anos continua a correr atrás dos seus sonhos, pautando sempre a sua conduta pelos valores que herdou. Uma mulher determinada, resiliente e apaixonada. Gosta de estar ao serviço do outro. Desde cedo abraçou a educação como profissão e paixão. É professora, especialista em administração escolar e formação de formadores. Acérrima defensora do trabalho colaborativo e da partilha do conhecimento. A sua tendência natural para a liderança permitiu-lhe exercer vários cargos de gestão, como de Diretora Regional Adjunta da Educação do Norte, Diretora Regional de Educação do Norte e Subdiretora Geral dos Estabelecimentos Escolares e exerce o Cargo de Diretora do Centro de Emprego de Santo Tirso/Trofa. Paralelamente a esta vida profissional, existe uma mulher, filha, esposa, mãe, amiga e, muito recentemente, avó! O meu marido, companheiro de uma já longa caminhada de 43 anos é sem dúvida o meu “esteio” que me apoia, motiva e me ajuda a ser quem sou!

 

Como e quando a política surgiu na sua vida? O que a cativou para esta área?

A luta pela criação do concelho da Trofa foi o despertar para a intervenção política. O meu pai foi um dos grandes obreiros da luta e conquista da emancipação da Trofa enquanto concelho. Ele foi, para mim, um exemplo de vida, tal como a minha mãe, cuja característica maior era a sua bondade e capacidade de amar. Foi nesta simbiose que cresci e me tornei quem sou, interventiva, destemida e que levanta a sua voz para defender as causas em que acredita. A minha participação política tornou-se mais ativa quando, em 2009, a Trofa passou para gestão do PS. Foram quatro anos de oposição, que culminaram com a vitória da coligação Unidos pela Trofa, em 2013, e desde essa data que eu presido a Mesa da Assembleia Municipal. O que mais me cativou foi acreditar que podia servir as pessoas e, ocupando este lugar, dar o meu contributo para um concelho plural, desenvolvido, onde seja bom viver.

 

O mundo da política é maioritariamente dominado por homens. É mais difícil o percurso de uma mulher?

Sim. É uma questão cultural que à medida que surgem novas gerações vai sendo ultrapassado. Nunca senti que, por ser mulher, me foi vedado o acesso a qualquer cargo ou lugar, pois sempre ocupei os lugares pelo mérito e qualidade do meu trabalho. Nunca senti que esta condição fosse um obstáculo ao meu crescimento pessoal e profissional.

 

É presidente da Assembleia Municipal da Trofa. Quais as suas maiores preocupações e desejos para o município?

A minha maior preocupação no exercício do cargo e na gestão dos trabalhos, é dignificar a Assembleia Municipal no respeito pela pluralidade, capacitação dos membros, criação de condições para que todos possam exercer o seu mandato com acesso à informação, que permita tomar decisões fundamentadas. Esta preocupação levou à construção e negociação de regras com todas as forças políticas, que salvaguardam o respeito democrático. Por outro lado, integramos a ANAM – Associação Nacional de Assembleias Municipais, sendo vice-presidente. Desde 2013 até ao dia de hoje, são marcantes as alterações introduzidas nas práticas da Assembleia Municipal da Trofa, destacando a transmissão direta, a desmaterialização, a descentralização das Assembleias pelo território e a construção de projetos que permitam potenciar a participação do público. O meu maior desejo é que estas bases sejam estruturantes para o futuro e que não mais o concelho necessite de chamar a “Troika” e tenha sempre, à frente dos seus destinos, gente competente que garanta o nosso futuro.

 

Como se sente com esta distinção do Troféu AUDIÊNCIA?

Este troféu foi uma surpresa. Estou mais habituada a agradecer, a reconhecer, a dar do que a receber. Confesso que senti orgulho no caminho percorrido e nas equipas que me acompanharam. Quero partilhar este troféu com todos os membros da Assembleia, que desde 2013 me acompanham, ou acompanharam, e ajudaram a crescer e a tornar-me mais madura. Também quero partilhar com o executivo municipal, na pessoa do seu vice-presidente, pela colaboração e apoio institucional recebido. Estou grata ao AUDIÊNCIA por este reconhecimento, que em si me transporta, para patamares mais elevados de qualidade e responsabilidade.

 

Que mensagem gostaria de deixar aos nossos leitores?

A mensagem que gostaria de deixar é de esperança! Nunca deixem de acreditar e seguir os vossos sonhos. Costumo dizer que no dia em que deixar de sonhar, morri, porque apesar dos meus 64 anos continuo a sonhar, a projetar a minha vida e a gostar de viver. Uma vida com sentido vale sempre a pena ser vivida.