“Só quem tem amor à sua terra, consegue ultrapassar as dificuldades”

Além de presidente da Junta de Freguesia de Avintes, é um avintense de gema, nascido e criado na terra que hoje lidera. Cipriano Castro garante que o amor à freguesia é um ingrediente importante na política e aponta a inauguração do Pavilhão Salvador Guedes como a maior felicidade que teve como autarca, uma vez que era um desejo dos avintenses com mais de duas décadas.

 

 

Quem é o Cipriano Castro?

Tenho 59 anos, sou natural de Avintes, terra onde nasci, resido e onde vivi a maior parte da minha vida. Sou casado e tenho uma filha. Tenho uma licenciatura em Informática e Matemáticas Aplicadas, tendo exercido funções de direção nesta área durante 12 anos em duas empresas e, depois, durante cerca de 20 anos, tive uma empresa ligada ao ramo dos consumíveis informáticos reciclados. A nível autárquico, sou presidente de Junta de Freguesia desde 2013, estando a exercer o meu terceiro mandato, fui ainda deputado de freguesia e municipal durante vários mandatos e vogal do executivo, de 2005 a 2009.

 

Em que altura da sua vida teve o primeiro contacto com a política e o que o cativou para esta área?

O meu contacto com a política vem desde 1974, após a revolução do 25 de Abril. Nessa altura, tinha 11 anos, a política era vivida intensamente pela generalidade das pessoas e o meu pai teve uma grande influência, pois participou sempre ativamente na atividade política a nível local, e eu acompanhava-o a reuniões, comícios e manifestações, que nesses primeiros anos da revolução, eram muito frequentes.

 

Recue ao primeiro dia enquanto presidente. Como se sentia e quais eram os seus maiores objetivos? Conquistou-os?

Nesse outubro de 2013, sentia-me, por um lado, satisfeito e contente por ter merecido, juntamente com a minha lista, a confiança dos avintenses, mas, ao mesmo tempo, sentia muito a responsabilidade de não defraudar essa confiança. O nosso principal objetivo era tirar Avintes de um certo marasmo em que se encontrava, fruto do esquecimento por parte da Câmara Municipal de então, que emperrava o desenvolvimento da nossa terra. Em geral, os principais objetivos que nos propusemos alcançar, foram ou estão a ser concretizados.

 

Qual o momento que mais o marcou, até hoje, enquanto presidente de junta?

Há vários momentos que me marcaram pela positiva: o dia da inauguração das obras de reabilitação do Areinho de Avintes, ou das obras de requalificação das Casas Mortuárias, a reabilitação da antiga escola primária do Magarão (a minha escola primária) que passou a albergar o Centro de Inclusão Social, mas existem muitos outros, como o dia das eleições para o segundo mandato, em 2017, quando a minha lista obteve a maior votação de sempre desde que há eleições em Avintes. Mas, naturalmente, o principal foi o dia da inauguração do Pavilhão Municipal Salvador Guedes, que contou com a presença do Sr. Presidente da República. Era uma reivindicação dos avintenses com mais de duas décadas.Há alguns momentos difíceis que estão igualmente gravados na minha memória, como os que ocorreram em março/abril de 2020, logo no início da pandemia, quando fomos obrigados a encerrar os cemitérios e a impedir que os familiares e amigos assistissem aos funerais.

 

Mais do que autarca de Avintes, é um avintense. O amor à terra é um ingrediente importante na política?

Na minha opinião, para se ser um bom autarca de freguesia é fundamental gostarmos e conhecermos bem a terra e os habitantes desta localidade, mas também ter uma equipa de mulheres e homens que nos acompanhem nesta tarefa. A disponibilidade que é preciso ter, os sacrifícios familiares e profissionais que muitas vezes nos são pedidos, alguma incompreensão por parte dos cidadãos, que também existe, face às dificuldades em gerir uma freguesia, onde as necessidades são muitas e os recursos são poucos, só mesmo quem tem amor à sua terra, consegue ultrapassar as dificuldades e atingir os objetivos a que se propôs. É nisto que eu me revejo e acredito.

 

Quais são as perspetivas para o futuro? Estando a exercer o último mandato, passarão pelo abandono da vida política?

Neste momento ainda é cedo para falar disso, pois ainda tenho três anos e meio pela frente, para me dedicar a este projeto que abracei em 2013. Ser presidente de Junta é uma tarefa exigente e, neste momento, estou apenas focado e dedicado a esta função. Mais para a frente, em 2025, pensarei no que vou fazer a seguir, embora confesse que sempre gostei da atividade política, por isso, sinto-me bem e não fugirei a responsabilidades futuras, se vierem a aparecer.

 

Como se sente com esta distinção do Troféu AUDIÊNCIA?

Confesso que foi uma surpresa, quando recebi a notícia do Ferreira Leite. Não estava mesmo à espera. Mas uma vez que o Jornal Audiência decidiu assim, sinto-me agradecido e feliz, não só por mim, mas também por todos os meus amigos e camaradas que, ao longo dos últimos oito anos, me acompanham nesta tarefa, de com o nosso trabalho e dedicação, contribuirmos para o progresso e desenvolvimento da nossa terra.