Surgem pela primeira vez na nossa secção, mas são dois dos mais ativos policiaristas da atualidade. Membros da TPL – Tertúlia Policiária da Liberdade (Lisboa). São marido e mulher. Ele nasceu em Coimbra, está desde há muito radicado na Grande Lisboa e é um dos mais conceituados atores portugueses.

Ela nasceu no Porto, mudou-se para Lisboa muito jovem e foi uma das nossas mais destacadas produtoras de televisão, atualmente aposentada da RTP, onde se iniciou no Centro de Produção do Monte da Virgem (Vila Nova de Gaia).

Formam a dupla Búfalos Associados, conquistaram a Taça de Portugal da modalidade na vertente de decifração no passado ano e perfilam-se como principais candidatos à conquista daquele troféu em 2018 e ao título de campeões nacionais desta temporada, ocupando neste momento um dos primeiros lugares da tabela classificativa da principal prova nacional. Por aqui, na nossa secção, fazem a estreia como produtores, vertente em que se destacaram com a conquista do campeonato nacional da categoria em 2014, submetendo à apreciação dos leitores do AUDIÊNCIA GP e em particular aos concorrentes do Torneio “Solução à Vista!” um enigma que apela ao raciocínio lógico e à “descoberta” dos nomes de alguns dos nossos maiores poetas sugeridos no enunciado.

 

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”

Prova nº. 5
“A Lógica Não é Uma Batata”, de Búfalos Associados
Toda a vida desgostoso por não ter tido netos, o inspetor Garrett substituía-os afetivamente por dois amiguinhos do prédio em que morava, netos de Miguel, um amigo também inspetor da PJ, e a quem gostava de dar muita atenção por serem dois rapazes espertos e encantadores. E como os miúdos tinham uma curiosidade inesgotável, passavam sempre as horas disponíveis em bate-papos de lógica ou matemática com o vizinho. O mais velho tinha 12 anos e chamava-se Cesário, o mais novo dava pelo nome de Eugénio e tinha 11 anos. “Nomes de poetas…”, como costumava dizer Garrett. – “Foi em homenagem à avó, explicava o pai. Ela chamava-se Florbela. Passou a ser uma tradição da família, mas já o pai dela se chamava Elmano. E o avô Bernardim.”

Um dia, ao fim da tarde, o Cesário vinha entusiasmado com uma coisa que aprendera na aula de matemática. O professor tinha falado numa história que se conta ter-se passado há mais de duzentos anos. Nesse tempo, numa escola em que a disciplina não andaria a ser muito praticada, o professor, para castigar os alunos, ordenou-lhes que fizessem a soma de todos os números de um a cem e que aquele que o fizesse mais depressa teria um prémio. Todos se atiraram com entusiasmo ao papel e ao lápis na ânsia do conseguirem o prémio. Apenas um garoto ficou quieto, pondo-se a pensar e ao fim de alguns minutos levantou o braço no ar e perguntou se já podia dizer o resultado. O professor aceitou e ficou espantado por o miúdo ter feito a conta de cabeça em tão pouco tempo. E foi a vez de o mestre acorrer ao lápis e ao papel. Espanto: o resultado estava correto!

– “Pois é, Cesário, essa é uma história muito conhecida e interessante. E ficou para sempre na história episódica da matemática. Mas olhem, agora vou propor-vos aos dois, um problema também já conhecido, de pura lógica e raciocínio. Gostam de histórias para pensar?”
– “Venha ela!” – gritaram os dois entusiasmados.
– “Sabemos que há três caixas, contendo cada uma delas duas bolas. Na primeira estão duas bolas pretas, na segunda duas bolas brancas e na terceira uma preta e uma branca. As bolas são todas iguais em tamanho e em peso, bem como as caixas. Por fora, as caixas dizem as cores das bolas que lá estão dentro: a primeira “Preto e Preto”, a segunda “Branco e Branco” e a terceira “Preto e Branco”.
– “Muito bem, e agora?”
– “Agora, longe das vistas dos assistentes, alguém muda o conteúdo de todas as caixas de forma a que nenhuma delas fique igual ao que tinha sido antes. Mas por fora nada se alterou, os dísticos é que estão agora todos errados.

E a pergunta é:
Qual será o menor número de bolas que é preciso tirar para ver a cor, e de quantas caixas e quais, para poder dizer com segurança que bolas estão agora dentro de cada caixa? Mas atenção que só se pode tirar uma bola de cada vez.”
– “Oh, o vizinho só nos põe problemas difíceis. Acha que nós somos génios?”

– “Meus amiguinhos, lembrem-se do que disse Einstein: Um génio é uma pessoa como toda a gente, só que nem toda a gente consegue ser um génio. Nada se faz sem trabalho. E já agora, além de responderem à minha pergunta, digam lá também qual é a soma dos números de um a cem inclusive, e qual a forma de o saber apenas por cálculo mental e em poucos minutos. Mas vou colocar-vos uma condição: desta vez, nessa sequência de 0 a 100 não podem estar os números 20 e 30. E não se esqueçam de que é preciso, num problema e noutro, descrever qual foi o raciocínio que seguiram.”
– “Oh, senhor Garrett! E essas contas todas têm de ser feitas de cabeça e em pouco tempo?”
– “Tentem. Vale sempre a pena. Tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Foi mais ou menos o que disse um poeta que se chamava Fernando, como o vosso pai. E se pensarem um bocadinho vão ver que é mais fácil do que parece.”

 

DESAFIO AO LEITOR

Além de responder integralmente aos dois desafios do inspetor, indique quais os nomes de todos os poetas portugueses que o texto sugere, através de relatório a enviar para o orientador da secção, até dia 18 de dezembro, através de um dos seguintes meios:
– por correio postal, para AUDIÊNCIA GP / O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel – Açores;
– por correio eletrónico, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.

E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pela dupla Búfalos Associados (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade). Recordamos mais uma vez que o vencedor do concurso de produção de enigmas policiários “Mãos à Escrita!” será encontrado através da pontuação média atribuída pelos participantes do torneio de decifração “Solução à Vista!” e pelo orientador desta secção.

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