De terras do Sado, mais precisamente de Setúbal, cidade natal de Bocage e Luísa Tody, chega o enigma que constitui a prova nº. 6 do torneio de decifração “Solução à Vista!”. E não vem só. Com ele chega também a resposta ao esclarecimento solicitado por alguns leitores sobre a identidade do ator que integra a dupla Búfalos Associados, autora da prova nº 5.

Mas…a satisfação dessa curiosidade será feita em forma de passatempo, deixando que sejam os próprios “detetives” a descobrir o nome do ator através de uma breve resenha biográfica, pedindo-lhes que façam a sua respetiva identificação na solução do enigma daquela dupla, cujo prazo de envio expira no dia 18.

TORNEIO “SOLUÇÃO À VISTA!”

Prova nº. 6
“Um Regresso do Outro Lado”, de Abrótea

Sempre gostei de acompanhar as conversas de meu Pai, o “Velho inspetor Rick”. Mal imaginava eu que um dia mais tarde seguir-lhe-ia as pisadas, apesar de estar a tirar um curso de montador eletricista… Cadê isso?, já não serve p’ra nada.
Invariavelmente o “blá-blá” começava sempre pela noite de lua nova, com chuva torrencial. Isto quando se juntavam todos os “velhos”, já com os pés quase para a reforma. E como não me deixavam ir ao cinema ver “daqueles” filmes, apenas acompanhava as conversas… mas fixava. Com estas recordações aprendi, e posso dizer que aprendi muito, tanto que nem precisava de estudar, só cabular (o que só por si já é estudar). E como recordar é “biber” vamos lá…
Reunidos meu Pai, Smaluco, Mister Ioso e Flo, que grande POKER.
Era eu “puto”, meu Pai, claro, estava ainda para as curvas. Acabara de chegar de Angola. Em Lisboa, como era de madrugada e sem transporte decidiu “dorminhar” no aeroporto Sá Carneiro. Ele que nunca conseguia dormir em qualquer que fosse o transporte. Mal tinha fechado os olhos, mesmo com os “ólicos” para sonhar a cores, sentiu um abanão. Quase lhe saiu um palavrão e meio estremunhado reconheceu o seu “velho amigo Artur” ou Sir Aldra sénior.

  • Para aonde se dirige o meu caro amigo Inspetor – pergunta Sir Aldra.
  • Não me dirijo, cheguei há vinte minutos de Angola, e nem me deixas dormir c’a porra (tradução literal) – resmungou.
    Entretanto meu Pai expunha aos seus companheiros o resto da interessante conversa.
  • Que coincidência, também cheguei agora de lá, mas se calhar numa outra companhia aérea. Cheguei faz cinco minutos – respondeu Artur – detestei aquilo e tu? Só de viagem cinco horas, dá para ficar com calos no rabo.
  • Bem, (acho que foi precisamente o que respondeu meu Pai) eu fui lá tirar um curso, estive na cidade, e ali vive-se noite e dia apesar de ser uma cidade cara, tens mulheres frias, carros quentes e cervejas (cucas) rápidas.
  • Sabes, amigo Rick, cheguei lá a 12 de Setembro, e daí a pouco era o feriado da nossa santa terrinha, então saí de Lourenço Marques e, não sei como, dei comigo numa mata cerrada. Mais tarde é que soube, e foi pelo meu filho que me mandou mensagem no telélé, (já depois do feriado do Bocage, para aqui também nem consegui ligação) que era a Mata do Maiombe. Já de noite, ali perdido no meio do nada, só a lua brilhava, o céu com suas estrelas, eis que cai uma daquelas trovoadas e uma tromba d’água como só acontece nos países asiáticos. Valeu o luar, noite de lua nova, via perfeitamente a nossa estrela guia, a Estrela Polar, foi assim que consegui…
    Imediatamente foi mandado calar o Artur, mais conhecido por Sir Aldra, e com razão.
  • DESAFIO AO LEITOR
    “Quais as gaffes cometidas pelo Artur, e uma pelo menos pelo meu Velho”? – pergunta o autor. Envie a resposta para o orientador, até 18 de janeiro de 2019, através dos meios habituais: por correio postal, para AUDIÊNCIA GP/ O Desafio dos Enigmas, rua do Mourato, 70-A – 9600-224 Ribeira Seca RG – São Miguel/Açores; por e-mail, para salvadorpereirasantos@hotmail.com.
    E, já sabe, não se esqueça de identificar a solução enviada com o seu nome (ou com o pseudónimo adotado), nem de indicar a pontuação que atribui ao enigma proposto pelo confrade Abrótea (entre 5 a 10 pontos, em função da sua originalidade, qualidade e grau de dificuldade).

QUEM É O ATOR DA DUPLA BÚFALOS ASSOCIADOS?
Nasceu em Coimbra em 1937, filho de pais lisboetas. Lisboa seria, aliás, a cidade onde iniciaria a sua carreira artística. Em 1955, após terminar o curso dos Liceus, cria os cenários para o espetáculo fundador do Grupo de Teatro da Faculdade de Direito de Lisboa, em colaboração com o pintor Rafael Calado. No ano seguinte, inscreve-se na Escola de Belas Artes para tirar o curso superior de Arquitetura. Paralelamente estreia-se nos palcos profissionais como ator, no Teatro da Trindade, integrando o elenco da peça “A Ilha do Tesouro”, com produção do Teatro do Gerifalto, grupo onde se manteve durante cinco anos como ator e cenógrafo. Neste período, participou igualmente em diversos espetáculos nas companhias do empresário Vasco Morgado e na companhia de Teatro Nacional Popular, iniciando-se também no teatro radiofónico. Em 1961, abandona o curso superior de Arquitetura, que nunca viria a concluir, para cumprir o serviço militar, não sem antes desempenhar pequenos papéis nos filmes “Raça” (1961) e “Dom Roberto” (1962), que marcam a sua estreia cinematográfica. Em 1965, após o seu regresso de Angola, onde combateu na guerra colonial, integra o elenco de algumas peças do Teatro Moderno de Lisboa, tendo fundado em 1966, em conjunto com os colegas João Lourenço, Irene Cruz e Morais e Castro, o Grupo 4, um dos embriões do teatro independente português. Esteve depois ligado à renovação do teatro de revista, primeiro no Teatro ABC e mais tarde no Teatro Adoque. Nos derradeiros anos do Estado Novo, o SNI – Secretariado Nacional da Informação distingue-o com os Prémios de Melhor Ator do Ano e Melhor Ator em Teatro Musical, que recusa receber em protesto contra a Censura e contra a falta de apoio ao teatro. Após abril de 1974, exerce as funções de professor da Escola Superior de Teatro e Cinema (ex-Conservatório Nacional), onde fica até atingir a idade máxima permitida legalmente para o exercício da docência superior. A sua primeira experiência como encenador aconteceu em 1968 com a peça “O Mestre” de Ionesco, no Grupo de Teatro da Philips Portuguesa, criando mais tarde, nessa mesma qualidade, os espetáculos “Três Irmãs” de Anton Tchekov, para o Teatro da Cornucópia (1988), e “Sonho de Uma Noite de Verão” de William Shakespeare, para o Teatro da Malaposta (1991), entre muitos outros. No cinema, deixou ainda o seu cunho como ator em filmes como “A Caçada do Malhadeiro” (1969), “Francisca” (1981) e “Os Abismos da Meia-Noite” (1983). Na televisão, participou em inúmeras peças de teatro, telenovelas e séries, sendo inesquecível o seu protagonista na icónica “Duarte e Companhia”. Será preciso mais para descobrir o nome do ator?

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