A Beneficência Familiar – Associação de Socorros Mútuos voltou a atribuir mais cinco Bolsas de Estudo Mutualistas, no valor de mil euros, a alunos que ingressaram, pela primeira vez, no ensino superior, com base na alocação de verbas resultantes da consignação do IRS. A cerimónia de entrega das bolsas decorreu no passado dia 22 de outubro, no Arquivo Distrital do Porto, e contou com a presença de Carlos Jorge, presidente da direção d’A Beneficência Familiar do Porto, Alberto Silva, presidente do conselho de administração da União das Mutualidades Portuguesas, Paula Roseira, representante da Associação Portuguesa de Mutualidades, Vítor Saraiva, responsável da ENTRAJUDA – Apoio a Instituições de Solidariedade Social, e associados.

 

 

A Beneficência Familiar – Associação de Socorros Mútuos do Porto tem como missão proporcionar proteção social e qualidade de vida aos seus associados e familiares e foi neste âmbito que, em 2018, criou o programa de Bolsas de Estudo Mutualistas, destinado a cinco que ingressam, pela primeira vez, no ensino superior. Em causa estão cinco bolsas, que perfazem o valor total de cinco mil euros, que são atribuídas, anualmente, com base na verba resultante da consignação do IRS.

João Longa Ferreira, que ingressou na Universidade de Aveiro, Beatriz Correia da Silva, na Escola Superior de Enfermagem do Porto,  Valter Matos da Silva, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Inês Gonçalves da Silva, na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, e Dinis Rodrigues Machado, no Instituto Superior de Engenharia do Porto, foram os estudantes associados que obtiveram melhores resultados académicos e, neste seguimento, foram congratulados com uma bolsa, no valor de mil euros, que foi entregue durante uma cerimónia, que se realizou no passado dia 22 de outubro, no Arquivo Distrital do Porto.

Para Carlos Jorge, presidente da direção d’A Beneficência Familiar, esta iniciativa “terá algum efeito nas famílias, porque ficam, naturalmente, agradadas e os próprios jovens também, porque eles têm de ser associados para terem acesso à Bolsa de Estudos Mutualista, uma vez que esse é um dos aspetos do regulamento. Portanto, é uma forma de, por um lado congratulá-los, por outro mostrando-lhes que o mutualismo não existe, apenas, para os avós, mas também para eles. Nós fazemos muitas outras iniciativas, mas, esta em concreto, é só dirigida aos jovens, porque o mutualismo e, neste caso, a associação preocupam-se com os jovens e foi por essa razão que criou este incentivo. Esta consignação do IRS podia ter ido para outros destinos, mas achamos que era um sinal, exatamente, mais do que o valor em si, que vale o que vale, que estamos a dar aos mais jovens, de que a associação não se esquece de deles, que os quer cá e que quer apoiá-los”.

Referindo o desafio de atrair os jovens para o espírito mutualista e evocando os princípios da mutualidade, entreajuda e reciprocidade, o presidente da direção d’A Beneficência Familiar, garantiu que “só cooperando é que nós temos futuro” e dirigiu-se aos vencedores das Bolsas de Estudo Mutualistas sublinhando que “ao contrário do que muitas vezes nos querem fazer crer, não é em rivalidade que chegamos seja onde for, é sendo solidários, é cooperando, é organizando de forma cooperativa”.

Explicando que as Bolsas de Estudo Mutualista “podiam ter, sobretudo, uma intenção social” e que “não o fizemos, porque esse não é o espírito do movimento mutualista, o espírito do movimento mutualista é a igualdade, não vai atrás das questões do rendimento de cada família, vai, sim, atrás daquilo que é um direito que os associados adquirem, pelo facto de serem associados mutualistas e é igual para todos”, Carlos Jorge reforçou que “se estão aqui cinco, é porque foram os que tiveram as melhores médias e nós temos de ter um critério e foi este o que escolhemos”.

Relativamente ao futuro da iniciativa, o presidente da direção d’A Beneficência Familiar – Associação de Socorros Mútuos do Porto revelou que “nós já pensamos, anteriormente, em renovarmos sequencialmente e acompanharmos, pelo menos, o primeiro ciclo de estudos da licenciatura e é algo que gostaríamos que assim fosse, mas nós temos cerca de 45 mil associados e as decisões têm de ser muito equilibradas, porque não nos podemos esquecer que uma parte significativa dos nossos associados são pessoas com poucos recursos, em que, naturalmente, a quota que dão mensalmente, mesmo não sendo muito elevada, não deixa de ser algo que pesa no seu orçamento, por isso, qualquer medida que nós tomemos nesse sentido, que represente um acréscimo de despesa, tem de ser muito bem pensada”.

A cerimónia também contou com a intervenção de Vítor Saraiva, responsável da ENTRAJUDA – Associação para o Apoio a Instituições de Solidariedade Social, que enalteceu que “fico contente por estes jovens receberem as bolsas, pela sua dedicação, também. Aquilo que eu espero é que a solidariedade seja para todos e com todos”.

Por outro lado, Paula Roseira, representante da Associação Portuguesa de Mutualidades, aproveitou a ocasião para afirmar que “tenho muito orgulho de estar presente nesta sessão, onde vamos homenagear jovens e que eu tenho a certeza de que serão futuros mutualistas na cidade do Porto”, ressaltando “colaborem, colaborem nas vossas cidades, colaborem com quem precisa, porque, de facto, nós precisamos uns dos outros”.

Também Alberto Silva, presidente do conselho de administração da União das Mutualidades Portuguesas, fez questão de marcar presença na entrega das Bolsas de Estudo Mutualistas, frisando que “é com um sentimento misto de honra e de alegria que eu estou a participar nesta cerimónia” e mencionando que “sinto-me feliz aqui, A Beneficência Familiar do Porto está a dar um exemplo do que deve ser o caminho a percorrer pelas associações mutualistas, para atrair os nossos jovens. É assim que os podemos familiarizar com o mutualismo e mostrar-lhes que as mutualidades podem fazer muito por eles e pelo seu futuro. Como muitas outras instituições, A Beneficência Familiar do Porto registou-se no Portal das Finanças, enquanto entidade beneficiária da consignação do IRS, mas fê-lo não com o propósito de aumentar as suas receitas, mas para alocar um montante arrecadado por essa via à criação de bolsas, destinadas a estudantes que ingressem no ensino superior, assim as probabilidades de sucesso são bem maiores”.

Apelando aos alunos que beneficiaram das bolsas que sejam “embaixadores do mutualismo, junto das vossas comunidades académicas, de professores e de colegas”, o presidente do conselho de administração da União das Mutualidades Portuguesas, mencionou que “é seguindo este e outros exemplos que construímos o futuro do mutualismo em Portugal”, desafiando A Beneficência Familiar a “havendo aproveitamento dos jovens possa ajudar mais um ano e, depois, outro ano, até obterem a licenciatura”.