A frase «Ser ou não ser, eis a questão» surge-nos através da peça teatral A Tragédia de Hamlet, de William Shakespeare, e é frequentemente usada como fundamento filosófico profundo, sendo também uma das mais famosas frases da literatura mundial.

Por outro lado e ao procurarmos o significado de Filosofia considerada no grego como «amor pela sabedoria», preferimos vê-la como o estudo de questões gerais e fundamentais sobre a existência, conhecimento, valores, razão e espírito.

Os tempos actuais convocam-nos com certa frequência a questionarmos as causas e razões de acontecimentos que nos preocupam e influenciam a nossa vida quotidianamente, quantas vezes exacerbando as nossas emoções.

No passado mês de Maio tivemos oportunidade de assistir pela RTP 1 e no programa Fronteiras XXI, a um debate subordinado ao tema: Putin Deu Um Novo Propósito à UE?

Foram intervenientes o Embaixador João Vale Almeida antigo jornalista e actual representante da União Europeia em Londres, Fernando de Oliveira Neves, Embaixador jubilado, agora reformado e com uma carreira diplomática em que a Europa e as Nações Unidas constituíram suas passagens centrais, Ana Santos Pinto, Professora e Investigadora, antiga Secretária de Estado da Defesa Nacional e Nuno Severiano Teixeira, actualmente Professor Catedrático na Universidade Nova de Lisboa e antigo Ministro da Defesa e da Administração Interna.

Em breve sinopse, podemos considerar que foi consensual a condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia, assim como a necessidade da União Europeia se tornar ao nível mundial um parceiro mais credível que possa assumir posições com mais independência dos Estados Unidos, inclusive no campo militar, o que não tem acontecido, ou seja, o militarismo, a confrontação e a guerra, «moda» presente, ganhando pontos em relação à Paz e ao respeito pela soberania dos povos e dos acordos internacionais que alguns não cumprem frequentemente.

Entretanto, o decorrer do debate evidenciou uma vez mais as fracturas preconceituosas existentes na sociedade europeia, em que nos inserimos e, independentemente da liberdade de expressão como valor constitucional que aplicamos entre nós, acabaram por falar mais alto, pois quando o Embaixador Fernando Neves teve a «ousadia» de lembrar que os Estados Unidos têm sido uma potência desestabilizadora a nível mundial com as constantes invasões de países soberanos, das quais destacou o Iraque, Panamá e Granada, com semblante carregado, o Embaixador João Almeida retorquiu, à falta de melhor argumento, que Granada é um País pequeno, certamente considerando que a importância das invasões estará directamente subordinada à dimensão territorial de cada um dos invadidos, o que é um erro crasso conforme salientou constrangido o seu colega de profissão, causando algum mal-estar entre os restantes intervenientes no debate.

O caso não é para menos, pois a ideia veiculada não se compadece nem é compatível com a designação de um cidadão responsável para o exercício das funções de Embaixador da União Europeia em Londres ou qualquer outro local e País.

Sinais dos tempos, dirão alguns, mas outros estarão mais propensos para afirmar hoje que «dizer ou não dizer a verdade, eis a questão», será a nova questão global.

E a propósito, desculpem-me a «ousadia» de perguntar: o que fizeram todos os ilustres participantes no Fórum Económico Mundial realizado em Maio passado em Davos como contributo para tentarem acabar com a guerra na Ucrânia?