Hong Kong passou a integrar a República Popular da China a 1 de Julho de 1997, na sequência da instalação no território de uma Região Administrativa Especial, em tudo idêntica à de Macau, presidida até 16 de junho de 2005 por Tung Chee-Hwa, a quem sucedeu Donald Tsang.

Colónia da coroa britânica desde 1843, Hong Kong incorporou no seu território a 1 de Julho de 1898 e por um prazo de 99 anos várias ilhas adjacentes os chamados Novos Territórios, num acordo para caducar em finais do século XX, porém a pressão da doutrina «Um País, dois Sistemas» e a vontade política de ambas as partes de resolverem a questão do território, desencadearam a elaboração em 1984 da Declaração Conjunta Sino-Britânica, firmada por Deng Xiaoping e Margaret Thatcher, a 19 de Dezembro desse ano.

Foi assim definido que todo o território sob administração colonial britânica passaria a designar-se Região Administrativa Especial de Hong Kong a partir de 1 de julho de 1997 e a passagem do poder decorreu nessa data de forma pacífica, como mais tarde sucederia também em Macau.

Acresce que em Hong Kong não havia precedentes de criminalidade, pois não existiam tríades ligadas ao jogo como na vizinha Macau, onde por essa razão sucederam vários conflitos que tiveram firme combate pelas autoridades.

A Declaração Conjunta previu que Hong Kong não integrasse, no período de transição até 2047, um governo de economia socialista como em Pequim, dada a vigência do regime «Um País, dois Sistemas», ou seja, como acontece em Macau, existiria autonomia em tudo menos em matérias de defesa e relações internacionais e assim ambas as regiões pertencem, por exemplo, como entidades económicas distintas de Pequim, à Organização Mundial de Comércio, ao contrário da República Popular da China.

Mas se em Macau a transição tem corrido bem, principalmente em termos económicos, em Hong Kong a governação de Tung Chee-Hwa não foi a melhor, com os valores dos preços do solo a diminuírem, a afluência turística a baixar drasticamente e mesmo algumas liberdades a serem também postas em causa, além de se ter instalado em certa medida a corrupção, factos estes  que levaram a que, desde 2003, o modelo de gestão do território fosse posto em causa por Pequim.

O princípio «Um País, dois Sistemas» e a integração de Macau e Hong Kong como aplicação dessa doutrina têm sido implementados com sucesso e garantias de futuro, sem grandes problemas e com indicadores de desenvolvimento que fazem o governo de Pequim apontar aqueles dois territórios como exemplo para um projeto de reunificação há muito desejado, embora com processos e soluções diferentes, em que falta incluir a ilha deTaiwan esta, no entanto, com contornos mais difíceis, pois existe uma grande aproximação à vivência ocidental, nomeadamente a mão pesada dos Estados Unidos com ajudas económicas e especialmente militares, levando a que uma boa parte dos habitantes deste território nacionalista se manifestem contra integração na China comunista.

Os últimos acontecimentos verificados em Hong Kong com violentos protestos e destruição de património, indiciam mais uma atitude de ingerência estado unidense se tivermos em conta as actuais relações entre Pequim e Washington, os antecedentes por todo o mundo e o facto de Pequim ter identificado claramente a provocação de revolução colorida mostrada nos protestos, com especial influência da NED-National Endowment for Democracy, fundação privada dita não lucrativa, dedicada globalmente ao crescimento e fortalecimento de instituições democráticas, contudo na prática facilitando a expansão de quintas colunas onde seja necessário e funcionando como assessoria da própria CIA.

É ainda difícil prever o futuro, mas as autoridades chinesas não costumam proporcionar o alargamento de manifestações de caracter violento com destruição de bens e ataque às forças da ordem com «coqueteils molotov», nem tão pouco irão aturar qualquer ingerência no seu País.

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