Concluímos hoje a publicação do penúltimo conto do concurso “Um Caso Policial em Gaia”, do confrade setubalense Ricardo Azevedo, mais conhecido nas lides literárias e policiárias por Abrótea (ou A.B.Rótea), autor do livro policial “As Aventuras do Inspetor Rick”, editado em 2019 com a chancela da Chiado Books. No final da primeira parte do conto a concurso, o protagonista levou a sua mulher, Marta, a uma das mais importantes caves de vinho do Porto. Era o dia da noite mais longa de todas as noites nas cidades das duas margens da Foz do Douro. O início dos festejos de São João não tardava e ele tinha tudo planeado ao mais ínfimo pormenor. A “outra” sabia de tudo, mas a sua mulher não! E será que correu tudo como ele tinha idealizado?

 

CONCURSO “UM CASO POLICIAL EM GAIA”        

Conto nº. 12   

“Aconteceu em Gaia…”, de Abrótea

II – Parte (conclusão)

Chegara a hora, tinha acontecido tudo o estava planeado nas caves Ferreira, tinha tudo pensado, e era a noite “do barulho” portanto pouca importância teria mais uma ou duas pessoas entre aquela multidão, apenas havia uma coisa que mais ninguém sabia, duas entravam mas apenas uma saía. E esse era o momento, convidei Mara para uma aventura, a qual ela aceitou de imediato. Com um molho de chaves no bolso, para quem passava julgaria que eram martelinhos das festas São Joaninas, na entrada das caves, abri a porta, de seguida, levei Mara, para um dos corredores mais fundos onde se situavam os toneis mais velhos. Abri essa porta, e disse para Mara – traz-me umas quantas garrafas dessas porque o vinho do Porto é como a mulher, quanto mais velho melhor.

Assim que Mara entrou fechei a porta, o seu grito ficou abafado pela pesada porta toda feita em madeira de carvalho. Após a saída fechei a outra porta e ia trauteando a velha canção “vou beijar, vou dançar, vou curtir toda a noite…”…

Dois anos mais se passaram, estava solitário, a “outra” fora apanhada pela Judiciária, um golpe em que eu sem querer estava envolvido, o Baixinho estava com a avó, o que era bom para ele, e o meu trabalho continuava, sabem, é que sou especialista em todas as fechaduras e em todo o tipo de cofres…

Até que um dia, talvez fosse uma coincidência, recebo um convite para o mesmo hotel, mesmo quarto, com tudo pago. Uma amabilidade da gerência que tinha sido toda mudada, eu fui classificado como cliente VIP. A assinatura estava ilegível. Como não tinha nada para fazer aceitei.

No dia seguinte eis-me a caminho de Gaia, depois do check-in dirigi-me ao meu velho quarto que tantas recordações me trazia, diga-se de passagem, boas e más. Depois de tomar um banho dirigi-me ao restaurante, passando primeiro pelo bar. Enquanto tomava uma bebida, quem sabe para esquecer, um diligente funcionário chegou-se perto.

– Senhor, tem uma oferta para jantar num quarto perto do seu, uma senhora simpática oferece-o.

– Tudo bem, mais vale comer bem acompanhado do que estar sozinho, qual o número do quarto?

– 236, senhor – que digo? – oferta aceite, diga-lhe por favor. Não liguei ao número do quarto, nem liguei para a data em que estávamos, nem sequer ooutro pensamento me passou pela cabeça, mas acontecera nessa data…

Ao subir a porta do quarto encontrava-se aberta, este na penumbra, cortinas fechadas, a senhora ou senhorita com o rosto tapado, não deixava ver as suas feições, apenas mostravam uns olhos verdes que me faziam lembrar uns outros verdes olhos. Em cima da mesa, os acepipes, uma garrafa que desconhecia, pois esta vinha sem rótulo, uns copos e pouco mais. Calmamente a senhora ou senhorita começou a falar sobre coisas, a sua voz soava estranha, não sei bem porquê também estranhei aquela voz.

Vamos fazer um brinde? – perguntou-me. E abriu a garrafa. Um cheiro intenso a amêndoas amargas saiu daquela botelha. Então perguntou-me seu percebia de venenos.

– Não, respondi eu, desconheço tudo sobre isso. Mas porque pergunta?

– Simples curiosidade, eu gosto de saber sobre coisas assim, e como sou a sócia gerente deste hotel queria saber mais, também lhe posso dizer, meu caro senhor, que dentro de momentos sentirá uma morte atroz, sentiu este odor meu anjo? Sentiu sim estou a ver o seu rosto, e com a sua morte não se perderá nada.

Mara – gritei eu – mas como? Agora antes de a morte chegar via as coincidências, o número do quarto, a data, 23 de junho, mas como ela estava viva?

– Antes de entrar dentro daquela porta que você fechou, meu bem, descalcei os sapatos, no dia seguinte alguém os viu e abriu a mesma, porque a data que você também olhou meu mal-amado estava certa “abrir daqui a vinte anos”, só não viu que seria aberta no dia seguinte, e já agora meu benzinho, antes de você partir para outro lado…

A mulher se quer como a sardinha, meu bem pequena e gordinha… pode entrar inspetor – foi a última coisa que ouvi. Veredito do inspetor Rick: ingestão de amêndoa amarga, mas esta caseira, produzida pelo pai do próprio inspetor.

 

CONVITE AO LEITOR 

E pronto, caro leitor. Agora o passo seguinte é seu. Para tal, repetimos o nosso convite à sua participação na escolha dos melhores contos. O processo é simples. A partir de hoje, tem trinta (30) dias para fazer a avaliação, em função da sua qualidade e originalidade, do décimo-segundo conto do nosso concurso, da autoria de Abrótea, e enviar a respetiva pontuação, numa escala de 5 a 10 pontos, para o email do orientador da secção (salvadorpereirasantos@hotmail.com).

A competição termina na próxima edição com a publicação do décimo-terceiro conto, desta vez com assinatura de Hayes, repetindo-se o processo de avaliação crítica dos nossos leitores durante o mesmo espaço temporal de 30 dias. A sua colaboração é imprescindível, caro leitor!

 

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