Vivemos um tempo anormal, onde uma pandemia surgida no outro lado do mundo nos colocou numa situação de grave crise económica e social. De repente, o país viu-se obrigado a entrar em confinamento, tendo em 18 de março sido decretado do estado de emergência, de forma a diminuir drasticamente a probabilidade de contágio. Os exemplos de Itália e Espanha onde se tinham que optar a que pacientes colocar ventiladores em detrimento de outros, assustavam-nos. Começamos a interiorizar essa ideia, de que chegaria também o momento onde o SNS teria que optar a quem colocar um ventilador, salvando vidas em detrimento de outras.

Felizmente, e até à data deste artigo, não passamos por essa dramática situação. Os portugueses, de uma forma geral, mostraram-se responsáveis, o SNS deu a devida resposta e a gestão política desta pandemia por parte do Governo não sendo perfeita, tem sido positiva.

 

Num ápice, ficamos privamos da liberdade que tínhamos e que não valorizámos pois tínhamo-la como dado adquirido. Os afetos tão característicos nos povos latinos deram lugar ao isolamento e distanciamento.

 

As empresas tiveram enormes quebras no volume de negócios, veio o teletrabalho (que acredito veio para ficar), o desemprego disparou, assistimos a uma contração sem precedentes da economia portuguesa (o PIB teve uma quebra record).

 

O cenário era muito desolador e os portugueses foram percebendo que o país não poderia continuar parado por muito mais tempo. Tínhamos de encontrar a razoabilidade na relação entre a economia e a saúde, sob pena de agravarmos a crise económica com mais desemprego.

 

No início de maio o país começou o seu processo de desconfinamento, de forma gradual e medindo o impacto que cada ação representava no aumento do risco de contágio.

Mais recentemente, assistimos ao regresso às escolas. De enaltecer o enorme esforço que alunos, encarregados de educação, professores e auxiliares fizeram e fazem para garantir a segurança de toda a comunidade escolar. O comércio e serviços, gradualmente, regressam à normalidade.

 

Com esta retoma, aliada à proximidade do inverno, iremos assistir a um aumento diário do número de infetados. O país necessita que saibamos agir de forma correta e assertiva. Com responsabilidade e sem alarmismo.

 

Neste período anormal que ainda atravessamos foi possível verificar in loco a importância do poder local e das IPSS para fazer face, de forma ágil e eficaz, às inúmeras dificuldades que de um momento para o outro as famílias começaram a sentir.

 

Uma palavra também para a comunicação social, ou melhor, para a influência da comunicação social. Influência essa que pode ser positiva (que é o que todos desejamos) ou negativa. Na gestão da informação relacionada com a pandemia, pareceu-me muitas vezes desajustada e exagerada, lançando constante e diariamente o medo e a ânsia.

 

Sentimos hoje o quanto felizes eramos e muitas vezes não valorizávamos. Estou certo de que juntos iremos conseguir ultrapassar esta delicada situação, em comunidade, enquanto país.

 

Façamos cada um a sua parte. Com responsabilidade e tranquilidade.

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