O Clube de Futebol de Oliveira do Douro foi fundado em 1932 e identifica-se como sendo uma instituição desportiva eclética que, para além do futebol masculino e feminino, tem na sua história mais recente a criação de uma Academia de Atletismo. Fernando Silva, membro da Comissão Administrativa do Clube de Futebol de Oliveira do Douro, falou, em entrevista ao AUDIÊNCIA, sobre as dificuldades sentidas pelo clube devido à propagação do novo coronavírus, sobre as perspetivas para a época que se avizinha e sobre os projetos ambicionados para o C. F. Oliveira do Douro.

 

 

O Clube de Futebol de Oliveira do Douro tem 88 anos de existência e inaugurou há 4 anos um novo Estádio, o que culminou com a concretização de um sonho antigo. Qual é a relevância desta edificação?

O Clube de Futebol de Oliveira do Douro tem 88 anos de existência e já desde há 50 ou 60 anos, mais ou menos, que havia uma Comissão para o Estádio. Comissão essa que foi angariando algumas verbas e foi sempre trabalhando para a construção do Estádio. O que é certo é que, durante esses anos todos, nunca foi possível concretizar esse sonho. Há quatro anos atrás, com a entrada da direção liderada por João Paulo Correia, houve como que um acelerar do processo e, juntamente com a Comissão Administrativa e depois com a direção que estava na altura, foi possível inaugurar o Estádio, que é uma obra do clube. Portanto, não é um estádio municipal, é mesmo do clube, embora que, se não fosse também com o apoio da Câmara Municipal de Gaia e da Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, não era possível realizar esta obra, que eu penso foi para o clube, neste momento, nestes 88 anos, o marco mais importante da história do C.F. Oliveira do Douro, porque já há muito que se ansiava este Estádio.

 

A Sala de Troféus João Pinto foi erigida durante o ano transato, aquando da celebração do 87º aniversário do clube, e está repleta de troféus, fotografias, recortes de jornais, revistas e documentos históricos. O nome dado ao espaço em questão advém do facto de o antigo jogador do Futebol Clube do Porto ter começado no C. F. Oliveira do Douro? Na sua opinião, qual é a importância do mesmo?

É muito importante, porque marca a história do clube. O João Pinto foi o jogador do clube que mais alto esteve a nível de futebol profissional e começou realmente aqui, no Clube de Futebol de Oliveira do Douro, depois foi para o Futebol Clube do Porto e, portanto, é para todos nós, Comissão Administrativa, e para todos os associados, principalmente para aquelas pessoas fundadoras do clube, muito importante ter uma pessoa como o João Pinto ligada à história do clube. Entretanto, depois disso, também ajudou sempre o clube, chegou a ser presidente da direção do C. F. Oliveira do Douro e a direção decidiu inaugurar esta sala e dar-lhe o nome de João Pinto, como forma também de lhe agradecer, porque não é possível agradecer tudo aquilo que ele fez pelo clube, mas é uma forma, também, de materializar o nome do João Pinto.

 

A Academia de Atletismo do Clube de Futebol de Oliveira do Douro foi criada em 2012 e já conquistou inúmeros títulos regionais e nacionais. O que está na origem da sua fundação?

A Academia de Atletismo foi fundada, na altura, pela direção liderada por João Paulo Correia, e surgiu de uma junção de ideias do João Paulo Correia e de alguns atletas, que gostavam de atletismo, que idealizaram o projeto como sendo uma escola de formação, propuseram-no à direção e as coisas foram correndo bem. Eu sei que a Academia tem imensos atletas, sei que tem ganho muitas provas, mesmo a nível internacional e, mais recentemente, temos connosco o Lenine Cunha, que já ganhou algumas provas.

 

Relativamente à modalidade de futebol masculino e feminino, quantos atletas estão inscritos, em quantos escalões?

Começando pelo futebol feminino, que é mais recente, nós temos uma equipa sénior, que no último ano esteve a disputar a segunda divisão nacional e na próxima época, como há uma restruturação das divisões e vai ser criada mais uma divisão, nós, por uma diferença mínima, penso que de golos, caímos para a terceira divisão. A equipa tem à volta de 20 ou 25 jogadoras. Nós já conseguimos algumas vitórias importantes na Taça de Portugal, passar algumas eliminatórias. Nós também temos conseguido captar muito bem as atletas para cá e conseguimos também criar, a nível de formação, uma equipa de futebol feminino, que tem cerca de 16 ou 17 jogadoras e que o ano passado participaram, pela primeira vez, em provas oficiais e fizeram um excelente campeonato. No futebol masculino, nós temos na nossa área o departamento de formação, que engloba 15 equipas no total, divididas por escalões, desde os infantis até aos juniores, que agora não se chamam infantis nem juniores, agora é sb-19, sub-18, sub-17 e também temos equipas de futebol de cinco e de futebol de sete, o que engloba um total de cerca de 300 atletas. Temos depois o futebol sénior, que engloba duas equipas, isto é, temos a equipa sénior e temos a equipa de sb-23. A equipa de sb-23 é mais recente, pois foi criada o ano passado. Na soma das duas equipas, nós temos à volta de 40 atletas.

 

Que balanço faz desta época?

O balanço é positivo. A nível de formação, nós conseguimos várias subidas de divisão, portanto, vamos ter na próxima época, à exceção dos sub-19, todas as equipas de formação a competir na 1ª Divisão da Associação de Futebol do Porto. A equipa de sub-23, foi o projeto iniciado na época passada e foi muito importante para nós conseguirmos segurar, e era esse o objetivo, alguns jogadores que saem dos sub-19, pois depois há uma diferença muito grande entre os sub-19 e a equipa sénior e, portanto, era mesmo necessário criar uma divisão a meio, que conseguisse ajudar os jogadores a evoluírem e, nesse sentido, foi muito importante. Também nesse sentido, vamos aproveitar a equipa de sub-23 para formar uma grande parte do plantel sénior para a próxima época. A nível de seniores, também foi importante, porque o nosso objetivo era andar sempre nos lugares cimeiros, mas houve uma altura a meio da época em que não estávamos muito bem, no entanto depois conseguimos recuperar e terminamos o campeonato da forma que todos sabemos, devido a esta pandemia, a três pontos do lugar de acesso à fase final, o que é muito importante para nós e, portanto, foi uma época, globalmente, em todos os aspetos positiva.

 

O Clube de Futebol de Oliveira do Douro tem quantos sócios neste momento?

Nós temos, pagantes, e que nós podemos considerar que, com mais ou menos atraso vão pagando as cotas, cerca de 1500 sócios. Nós também criamos o Bilhete Extra, suplementar, em que nós cobramos em todos os jogos e, portanto, também é um esforço que todos os sócios fazem, em todos os jogos, para pagarem esse valor e, portanto, temos toda a ajuda possível.

 

No que respeita à atual situação que vivemos, que está relacionada com a proliferação da covid-19 em Portugal e no mundo, quais foram as medidas implementadas pela Comissão Administrativa, com o objetivo de salvaguardar os atletas, a equipa técnica e os sócios?

Quando começaram a surgir os primeiros casos de infetados devido à covid-19, nós começamos a ter muito cuidado, nunca pensando que isto ia atingir as proporções que atingiu. Nós fomos logo dos primeiros clubes a cancelar os treinos, portanto, cancelamos toda a atividade quer a nível de formação, quer a nível de futebol sénior e mesmo a frequência aqui no Estádio e cancelamos logo a partir do dia 10 de março. Desinfetamos todas as áreas do Estádio e fizemos obras nos balneários, para que eles pudessem ser mais laváveis e para que conseguíssemos ter uma desinfeção mais adequada. Com estas restrições todas e agora com as exigências da Direção-Geral da Saúde, também tivemos de adaptar o Estádio a estas circunstâncias e criamos circuitos para os jogadores poderem frequentar o Estádio. Com as obras que fizemos nos cinco balneários que tínhamos e aos quais acrescentamos mais um balneário, para podermos dividir os jogadores em segurança, nós adaptamos o Estádio às medidas que a Direção-Geral da Saúde nos foi indicando e recomeçamos os treinos individuais no passado dia 6 de julho.

 

Qual foi o impacto causado pelo novo coronavírus no Clube de Futebol de Oliveira do Douro?

O impacto é sempre negativo, porque nós estávamos numa fase em que tínhamos alguns patrocínios para receber, portanto, é uma fase da época, a partir de março até ao final de maio, em que os nossos patrocinadores também se comprometem a ajudar. É uma fase final da época e, depois, também perdemos um bocado o à vontade para ir bater à porta das pessoas e pedir os patrocínios, quando todos estávamos a passar por dificuldades. Felizmente, conseguimos cumprir com todos os nossos atletas e funcionários, pagamos tudo sempre na íntegra e equilibramos as contas, para que agora possamos arrancar na nova época. Há sempre aquelas ajudas que vêm, nomeadamente da Associação de Futebol do Porto, que na próxima época isentou em 50 por cento a inscrição em cada escalão e, portanto, ajuda sempre. Mas o mais difícil agora é tentar recuperar e chamar de novo os nossos patrocinadores, os nossos amigos, porque todos passamos por dificuldades.

 

Como referiu, nesta altura, os apoios são importantes tanto para a sobrevivência de muitos clubes, como para a realização de projetos, que dependem de orçamentos, muitas vezes encolhidos. Como tal, acha que aquilo que a Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, a Câmara Municipal de Gaia e a AF Porto deram ao Clube foi o suficiente, ou acredita que podiam ter ido mais longe?

Nós, em relação à Câmara Municipal de Gaia e à Junta de Freguesia de Oliveira do Douro, sinceramente, não podemos apontar nada de negativo. Portanto, são duas instituições que nos ajudam bastante e penso que a todos os clubes no geral, mas falando do Clube de Futebol de Oliveira do Douro, ajudam bastante e nós não temos nada a apontar e, nesta fase, também, estiveram sempre presentes e com aqueles materiais mais necessários à prevenção e segurança, também estiveram sempre disponíveis. A Associação de Futebol do Porto, como eu já disse, também ajudou da forma que achava que era e que foi possível da parte dela, portanto, de um modo geral, como as instituições públicas, como as instituições com as quais trabalhamos, não nos podemos queixar de falta de apoio.

 

O Clube de Futebol de Oliveira do Douro assinou recentemente um acordo de colaboração com o Rio Ave, que permite agilizar o intercâmbio de recursos humanos entre as duas instituições. O que está na origem da criação deste acordo? De que forma é que o clube vai beneficiar do mesmo já na próxima época?

A origem do acordo está num juntar de interesses. Portanto, o Clube de Futebol de Oliveira do Douro tem sempre interesse em estar ligado e criar parcerias com grandes instituições. O Rio Ave é, sem dúvida, uma das grandes instituições do norte do país, e propôs-nos esta situação. Com o acordo, vai existir uma observação constante dos jogos do Clube de Futebol de Oliveira do Douro por parte de responsáveis pelo scouting do Rio Ave e vai haver, a nível de formação, também, projetos que englobam, por exemplo, a área médica, em que os nossos fisioterapeutas vão poder frequentar cursos e estágios com os fisioterapeutas do Rio Ave, os nossos treinadores vão poder fazer estágios, também, no Rio Ave e vai haver uma troca de jogadores sempre que for possível entre as duas instituições e, eu gostava de salvaguardar isso, sempre que sendo do interesse do jogador, porque ninguém é obrigado a vir do Rio Ave para o Oliveira do Douro, nem do Oliveira do Douro para o Rio Ave, portanto havendo o interesse nós falamos, acertamo-nos e depois se for do interesse do jogador e dos pais, nomeadamente a nível da formação, o jogador seguirá. Na próxima época, por exemplo, nós já iremos ter dois atletas que irão fazer parte do nosso plantel sénior e que vêm do Rio Ave, através deste protocolo, e vamos beneficiar com essa situação, como eu referi anteriormente, com os estágios e as ações de formação que vamos poder realizar com o Rio Ave, na área médica, na área de scouting e também na área da comunicação, mais propriamente, na gestão de redes sociais e da comunicação, em que a pessoa responsável pela nossa comunicação também vai poder estagiar com elementos do Rio Ave e isso é muito importante.

 

Quais são as suas perspetivas para a nova época? Vão existir novidades no que respeitam os treinadores e os jogadores?

As expectativas são sempre elevadas aqui no Oliveira do Douro, porque as pessoas estão habituadas a ver o clube sempre a ganhar e sempre a estar a um nível elevado. Nós criamos sempre planteis que nos dão garantias de podermos obter bons resultados. Nós não tomamos aquelas decisões de numa época gastarmos os cartuchos todos e depois se a época até nem correr tão bem, existe a possibilidade de nós ficarmos em dificuldades, o que acontece em alguns clubes. Portanto, nós temos sempre as coisas equilibradas, queremos fazer sempre melhor do que na época anterior e temos vindo a conseguir. O ano passado ficamos a três pontos da fase da subida, portanto, este ano vamos querer fazer melhor e reajustamos o plantel nesse sentido. Posso dizer-lhe que temos já várias entradas de jogadores com provas dadas, nomeadamente de jogadores que vêm do Campeonato de Portugal, de outros que terminaram a época nas primeiras posições em equipas da Divisão de Elite. O treinador mantem-se o mesmo, o professor José Alberto, que transita da época passada e o objetivo é, como referi anteriormente, fazer sempre melhor e ficar sempre nos lugares cimeiros da Divisão de Elite e, se possível, eventualmente, podermos chegar a uma fase final e disputar a subida, mas sem estarmos obcecados com isso, naturalmente.

 

Quais são as ambições e projetos que tem em mente para o Clube de Futebol de Oliveira do Douro?

Nós começamos na direção do João Paulo Correia, que foi quem iniciou este processo, depois de uma fase menos positiva a nível diretivo do clube e o grande projeto foi, realmente, o Estádio. Agora, nós temos, todos os anos, a preocupação de manter estas instalações dignas, sempre a pensar no que podemos fazer. A nível desportivo, não podemos pensar muito alto, portanto, as limitações do clube também não ajudam, em termos desportivos, a pensarmos muito alto. Contudo, nós pretendemos andar sempre no topo da tabela, dignificando sempre o nome do clube, mas tendo os pés bem assentes na terra, sabendo até onde podemos ir. A nível de infraestruturas, o nosso próximo objetivo é, realmente, construir um campo de treinos, portanto, nós temos um terreno aqui encostado, que é nosso, e, portanto, pretendemos fazer lá um campo de treinos, se não for possível um campo de futebol de onze, pelo menos um campo de futebol de sete e nós daremos prioridade a isso em detrimento de um campo de futebol de onze, porque nós queremos fazer uma pista de atletismo, uma vez que a nossa secção de atletismo está no Parque da Lavandeira, no Estádio Municipal, e nós queremos trazer o atletismo para cá e, portanto, nesse seguimento e com o terreno que temos, se calhar em vez de fazermos um campo de futebol de onze, fazemos um campo de futebol de sete, mais pequeno, mas conseguimos fazer a pista de atletismo. Como tal, será esse o grande projeto em termos de infraestruturas.

 

Que mensagem gostaria de transmitir aos oliveirenses?

Eu quero aproveitar para agradecer a oportunidade ao Jornal AUDIÊNCIA e agradecer, também, a todos os nossos patrocinadores e a todos os nossos sócios, que, nesta altura difícil que todos atravessamos sempre estiveram ao nosso lado. Quero também dizer-lhes para acreditarem no clube e para manterem o apoio dentro das suas possibilidades, porque nós cá estaremos para trabalhar, para engrandecer e para levar bem alto o nome do Clube de Futebol de Oliveira do Douro.

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