A Câmara Municipal da Trofa escolheu o dia 13 de maio de 2021, data em que se comemoraram os 104 anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima, para anunciar a intenção de candidatar o saber-fazer dos Santeiros de São Mamede do Coronado a Património Cultural Imaterial da UNESCO.

 

 

A autarquia trofense explicou que a história do património dos Santeiros de São Mamede do Coronado está intrinsecamente ligada “ao ícone mariano mais conhecido do mundo”, a Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que chegou à Cova da Iria a 13 de junho de 1920, depois de esculpida pelas mãos do mamedense e mestre santeiro José Ferreira Thedim, herdeiro de uma longa tradição de santeiros, pai e avô, com quem aprendeu o ofício e de quem herdou a oficina.

Neste seguimento, no dia em que se comemoraram os 104 anos da aparição de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos, a Câmara Municipal da Trofa anunciou oficialmente o início do processo que vai culminar com a apresentação à UNESCO do pedido de inscrição do saber-fazer dos Santeiros de São Mamede do Coronado, na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, como “um projeto de cultura, de preservação da história e da memória da Trofa e de Portugal”.

O presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto, sublinhou, a este propósito, que “considerando que a produção de arte sacra é indissolúvel do território do Vale do Coronado, das suas gentes e da sua identidade cultural, marcando a história local, mas assumindo-se também como uma arte única em Portugal e no mundo, entendeu a Câmara Municipal da Trofa avançar com o processo de candidatar esta herança da cultura popular portuguesa à UNESCO”, explicando que “esta candidatura é sustentada pela necessidade de salvaguarda de um ofício ancestral documentado na localidade desde o século XIX. Neste contexto queremos proteger e preservar esta tradição, projetando-a no futuro, não podemos permitir que fique fechada e presa apenas ao passado”.

“Este vasto património tem vindo a ser estudado e amplamente divulgado como elemento estruturante da nossa política cultural, atingindo hoje patamares de visibilidade pública, sendo consensual a necessidade da sua salvaguarda, valorização e promoção. Os Santeiros, como localmente são conhecidos, esculpem e pintam à mão, em contexto oficinal, imagens de vulto devocionais em madeira. Pelas suas características, qualidades técnicas e artísticas, os trabalhos que realizam são expedidos, ainda hoje, para todo o mundo católico, sendo um importante produto de distinção e de divulgação internacional”, salientou o autarca.

Por conseguinte e tendo em vista a candidatura à UNESCO, a Câmara Municipal da Trofa está a desenvolver um plano de salvaguarda desta arte, apostando na criação de uma escola de formação que perpetue este ofício, classificando alguns locais ligados à história desta profissão como imóveis de interesse municipal e criando um espaço museológico multi-expositivo, que acolha, também, o espólio da autarquia ligado à arte sacra.

Segundo a edilidade, “em curso estão diligências de preparação do grupo de trabalho que integra, também, o professor e historiador José Manuel Tedim, estudioso da área, filho e neto de santeiros, designadamente sobrinho neto de José Ferreira Thedim, autor da Imagem de Nossa Senhora de Fátima. Em paralelo, esta candidatura e todo o processo de salvaguarda permitirá a integração com outros projetos em preparação, como por exemplo, a dinamização de itinerários culturais de valorização e promoção do património material e imaterial local, relacionando-os com a dinamização dos Caminhos de Santiago e dos Caminhos de Fátima”.

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