A Síria é mais um mero ponto do globo como foram a Iugoslávia, a Líbia, o Iraque, a Somália, o Iémen, o Sudão, o Afeganistão e muitos outros que, se as instituições internacionais e os povos deixarem de agir e continuarem a sua atitude complacente, continuarão a surgir.

O objetivo não é ganhar uma guerra, é sim, criar e deixar para trás o caos, é roubar recursos naturais, é conquistar mais posições geoestratégicas e agora, no caso da Síria, é uma balcanização do país, tal e qual Clinton fez à Iugoslávia.

E, curiosamente, esta linha de conduta ainda funciona, pois as pessoas ainda estão cegas em relação a essas estratégias de guerra antigas e rudimentares que provocaram as duas maiores conflagrações mundiais e continuam a não querer ver, por preconceito ou cegueira ideológica, preferindo aceitar as mentiras.

O presidente Trump, na tentativa de demarcação da anterior administração norte americana relativamente a objectivos e formas de actuação, ordenou um ataque de pelo menos 59 mísseis Tomahawk de navios de guerra localizados no Mar Mediterrâneo, contra a base aérea al-Shayrat da Síria, perto de Homs.

O Sr. Talal Barazi, governador da província de Homs, relatou várias mortes, sem referir mais detalhes, sendo certo que este bombardeamento foi efectuado em represália contra um suposto ataque com gás de nervos ordenado pelo presidente Bachar al-Assad em 4 de abril, visando a população civil na província de Idlib que matou mais de 60 pessoas, entre elas muitas crianças, mas na verdade os jatos sírios atingiram uma posição rebelde onde os produtos químicos usados pelos terroristas estavam armazenados.

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguéi Lavrov, assegurou, quinta-feira passada, ao seu homólogo sírio, Walid al Mualem, que acordou com o secretário de Estado norte-americano que os ataques dos EUA na Síria não devem repetir-se.

«Na quarta-feira falámos bastante sobre este assunto com o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, e chegámos à conclusão de que algo semelhante não deve repetir-se», relatou hoje Lavrov, no início de uma reunião em Moscovo e segundo os media locais.

Uma vez mais, apareceu uma narrativa fabricada de que o presidente Assad lançou um ataque de armas químicas contra civis, apesar de o governo sírio não ter nenhuma razão política sã para fazê-lo, pois Assad havia recebido recentemente garantias da administração Trump e do secretário de Estado Rex Tillerson de que uma mudança de regime não estava nos planos da administração Trump e que «o povo sírio decidirá» o destino de Assad, acrescido o facto de também não haver razão para a Rússia participar ou tolerar um ataque com armas químicas contra civis.

Na Síria, as apostas são altas, pois, além dos lucros abomináveis da guerra e da indústria de armas, há o pouco falado tema do gasoduto Qatar-Turquia-Síria, destinado em princípio a levar petróleo e gás do Golfo para a Europa para eliminar o mercado de gás russo na Europa e, como o Estado sírio rejeitou este plano em 2009, já Obama decidira destituir o presidente Assad.

Trump também decide agora atacar a Síria e bombardear o Afeganistão, testando a mais poderosa bomba convencional e levando o ex presidente afegão Hamid Karzai a manifestar-se contra esta acção militar ao escrever no Twitter «Nós temos de ser mais duros e de forma veemente condeno o lançamento da última arma, a maior bomba não-nuclear, no Afeganistão, pelos EUA, esta não é uma guerra contra o terror, mas o uso equivocado, desumano e mais brutal do país como terreno de experiência de novas e perigosas armas”.

Mas Trump decide também e enviar navios de guerra para águas próximas da Coreia do Norte, todas estas atitudes tomadas sob falsos pretextos, sem qualquer consulta aos organismos internacionais e conseguindo unicamente exacerbar diferendos e antagonismos vários e colocar em causa a Paz mundial.

É deprimente ver como o mundo ocidental, em corrupção crescente, consegue aceitar todas estas mentiras e acções; estamos a viver uma era onde o mal, protagonizado por pessoas sem escrúpulos e hipócritas alcandoradas ao poder, reina, mata populações inocentes e destrói património mundial para alcançar a hegemonia global. É pura barbárie e, quem sabe, um ponto de não retorno, colocando o futuro da humanidade em causa.

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