No seguimento do falecimento do presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos, devido a doença prolongada, Paulo Ribeiro assumiu, no passado dia 22 de março, a liderança dos destinos da terra que o viu nascer, com o intuito de dar continuidade ao projeto iniciado pelo seu antecessor. Honrado pelo trabalho e funções que tem desempenhado na autarquia, o edil manifestou a sua vontade de ajudar os que o rodeiam, sublinhando, em entrevista exclusiva ao AUDIÊNCIA, que as pessoas são a sua prioridade. Para o autarca, o seu maior sonho é concretizar o anseio do eterno campanhense e edificar o crematório, assim como engrandecer e dinamizar esta que é “a melhor e mais bonita freguesia da cidade do Porto”.

 

 

 

Para quem não o conhece, quem é o Paulo Ribeiro?

Para quem não me conhece, eu sou uma pessoa que nasceu em 1969, na Freguesia de Campanhã. Eu tenho 52 anos, sempre vivi nesta localidade e sou um verdadeiro apaixonado pela terra que me viu nascer. Eu sou bombeiro voluntário há 36 anos. Comecei a tirar o curso com 17 anos, na Escola de Bombeiros Voluntários do Porto e, agora, estou em Pedrouços. Posso dizer-lhe que fiz a minha vida entre ser voluntário e trabalhar fora. Eu entrei, inicialmente, para este mundo pela mão de um amigo de infância, que me incentivou, porém, ser bombeiro voluntário foi uma paixão, que eu criei pelo próximo.

 

Qual é a história da sua entrada no mundo da política local?

Eu comecei na política local quando tinha 14 anos. Nessa altura, eu entrei para a Juventude Socialista, não pela mão de um amigo, mas do meu irmão. Aos 18 anos, passei da Juventude Socialista, para o Partido Socialista, onde ainda, hoje, continuo. O que me levou a continuar foi o facto de ter começado, realmente, a gostar da política, assim como de saber o que era a minha freguesia e conhecer a minha terra. A camaradagem que eu criei com todos os outros, também me levou a ficar e a gostar, ainda mais, daquilo que eu fazia por Campanhã. Em 1999, eu entrei para o executivo da Junta de Freguesia, com o presidente Rodrigo de Oliveira. Na altura, eu fazia parte da Assembleia e a responsável pelo pelouro da Cultura foi trabalhar para Angola, pelo que o presidente convidou-me para fazer parte do executivo e, desde essa altura para cá, foi uma paixão que surgiu. Eu sempre dei o meu melhor por esta freguesia e vou continuar a fazê-lo. Eu sempre gostei de estar na vida autárquica, na política de proximidade, que é aquilo que eu desejo fazer, que é estar junto dos meus fregueses, dos campanhenses e lutar por eles. Portanto, eu estou no executivo da Junta de Freguesia de Campanhã, desde 1999. Eu estive até 2001, com o Rodrigo de Oliveira, depois fiz os três mandatos com o Fernando Amaral e, depois, com o Ernesto Santos.

 

No seguimento do falecimento do então presidente, Ernesto Santos, o Paulo Ribeiro tomou posse, no passado dia 22 de março, e vai liderar os destinos da Freguesia de Campanhã. Quais são os seus objetivos para esta localidade? O que mais anseia fazer pela terra que o viu nascer?

Eu tomei posse a 22 de março, como disse, mas eu já estava num programa, que era um programa do Ernesto Santos, um programa do PS, que eu liderava com ele, desde o início. Eu vou continuar a cumprir todo o programa que ele criou e idealizou para estes quatro anos. O meu objetivo, e estou a lutar por ele desde que tomei posse, é edificar aquilo que ele mais sonhava, até ao fim deste mandato, que era o último dele, que era o crematório.

 

Quem foi, é e sempre será, para si, Ernesto Santos?

Esta é uma pergunta mesmo difícil. O Ernesto Santos, como toda a gente sabe, entrou para a política como independente. Fui eu que o incentivei ao preenchimento da ficha de militante e acompanhei-o sempre. Quando entrei para o executivo, ele já cá estava e ainda, hoje, digo com todas as letras que o Ernesto Santos, para mim, foi como um pai. Eu e as filhas deles dávamo-nos e vamos continuar a dar-nos como irmãos, por isso as palavras custam a sair, porque a emoção que eu sinto por ele, ainda, é imensa. Foi uma perda, para mim, muito grande, pois ele era como se fosse um pai, mesmo. Eu sempre me dei bem com todos os presidentes, mas falar do Ernesto Santos é como falar do meu pai. Eu perdi o meu pai há alguns anos e agora perdi um segundo. Se eu sair, daqui a três anos e uns meses, tendo concretizado aquilo que ele queria, será, para mim, para ele e para todos os campanhenses, um sonho concretizado. O crematório, para nós, é algo, realmente, muito bom.

 

Uma vez que assumiu publicamente a sua vontade de dar continuidade ao programa iniciado pelo seu antecessor, que outros projetos ansiados por Ernesto Santos irão brevemente para o terreno?

Nó vamos continuar a implementar os projetos que já tínhamos, como o passeio da terceira idade, que é também uma das coisas de que o Ernesto mais gostava, o crematório, o Terminal Intermodal de Campanhã, o sonho do Matadouro, mas a bandeira que eu queria até 2025 era mesmo o crematório, que é algo que ele verdadeiramente queria ver concretizado e já vinha a falar disto desde o último mandato. O projeto está pronto, nós estamos, apenas, à espera de saber se o Ministério do Ambiente e a ARS nos autorizam ou não. Aquilo que a ARS já nos disse foi que estava à espera da nova lei e que, depois, nos dava mais informações. Portanto, assim que tivermos todas as respostas positivas, avançamos com o lançamento da primeira pedra e começamos a obra. O senhor presidente da Câmara do Porto, que já tinha cedido o terreno para a construção do crematório, durante o mandato do Ernesto, também já nos disse, em reunião, que estava disponível para ajudar. Nós somos uma Junta de Freguesia com contas em ordem e os nossos fornecedores não chegam a esperar 30 dias para receberem. No fecho de contas do ano transato, nós passamos com um saldo positivo muito bom, mais especificamente, de 300 mil euros, com tudo pago, à data de 29 de abril e eu não conheço muitas juntas que tenham passado com um saldo como o nosso. Este foi um trabalho feito pelo Ernesto Santos, pois ele sempre quis ter contas certas e isto é a bandeira que nós achamos que deve ser seguida por este executivo, que eu, agora, estou a liderar, pelo que as ideias são mesmo estas, contas à moda do Porto, contas certas. Isto é algo que muito nos orgulha, por isso, se o Ministério do Ambiente nos desse o parecer favorável, para o crematório, nós tínhamos dinheiro para pagar 90% do orçamento da obra e a Junta de Freguesia continuava a viver bem, dentro da normalidade.

 

Campanhã é uma freguesia em transformação. Que obras materiais e imateriais pretende concluir até ao final do seu mandato?

Os projetos do Ernesto, eram os projetos do programa do PS e vão continuar a ser desenvolvidos. Nós tivemos, recentemente, o encerramento do Orçamento Colaborativo e vamos distribuir o apoio ao associativismo, com uma verba que, este ano, a Câmara vai passar para as Juntas de Freguesia, no âmbito da transferência de competências, no valor de 120 mil euros, pelo que nós vamos dar seguimento a isso, pois queremos que todas as coletividades e associações de Campanhã estejam no seu melhor e esperamos que elas se candidatem, para fazerem um bom trabalho. Nós estamos cá e eu vou dar continuidade ao trabalho iniciado pelo Ernesto. Também temos estado a apoiar o desporto, por exemplo, o karaté, futebol infantil e juvenil, assim como uma ou outra coletividade de veteranos, pelo facto de já terem muitos anos e levarem muito longe o nome de Campanhã. Orgulha-nos muito o facto de o nome de Campanhã aparecer em muitos sítios, como ainda agora tivemos uma atleta, que foi representar a seleção portuguesa, levou o nome da nossa freguesia e contou com o nosso apoio. A nossa freguesia tem um projeto, através do qual, todos os anos, nós verificamos as coletividades que estão ou não a trabalhar, assim como o número de crianças e jovens que frequentam as atividades desportivas e fazemos acordos anuais com elas, para as ajudar nas despesas, saídas, inscrições dos jogadores. Nós vamos continuar a fazê-lo e queremos que apareçam mais coletividades, porque o nosso mote é apoiar a juventude e todos os escalões jovens, independentemente da modalidade, pois nós estamos cá para isso. Temos o caso da educação, que, para nós, é muito importante, pelo que mantemos um ótimo relacionamento com os três agrupamentos de escolas de Campanhã. Neste seguimento, posso revelar-lhe que, há relativamente pouco tempo, tivemos cá, a pedido dos Escuteiros do Distrito do Porto, 3500 escuteiros na Escola do Cerco, que iam para o Parque Oriental, mas como havia a previsão de mau tempo, pediram o nosso auxílio e nós, em articulação com a escola, conseguimos, em 48 horas, preparar o estabelecimento de ensino, com todas as condições de que eles necessitavam. Porém, acabou por estar um dia maravilhoso e foi uma iniciativa muito bonita, mesmo. Portanto, o que nós sabemos fazer é apoiar toda a gente e fazer o nosso trabalho, dentro dos possíveis, desde que a Câmara dê respostas, às vezes, aos nossos pedidos, porque é isso o mais importante. Nós, também, procuramos, através da autarquia, resolver muitas das necessidades dos nossos fregueses. Tudo isto contribui para que façamos um bom trabalho e, desculpe que lhe diga, que nos leve a termos, durante todos estes anos, uma Junta socialista, que é um “ás” da bandeira do PS, no Porto, que é a Junta de Campanhã.

 

O teatro também é uma das bandeiras deste executivo. Volvidos dois anos de pandemia, qual é a situação atual das coletividades de Campanhã?

Algumas coletividades estão a trabalhar mais afincadamente do que outras. Umas ficaram mais moribundas, por causa da pandemia, ou porque os dirigentes faleceram. Hoje em dia, as pessoas mais velhas estão a afastar-se e os jovens não querem tomar conta das coletividades e isto vai ser um problema do futuro. Nós já tivemos algumas reuniões com a Federação das Coletividades do Porto, tendo em vista promovermos alguns encontros, ou alguma formação aos jovens, de modo a prepará-los para tomarem conta das instituições. Sobre o teatro, nós continuamos a ter as mesmas companhias, somos, que eu tenha conhecimento, a única freguesia que tem uma companhia de teatro jovem. Posso dizer-lhe que nós apoiamos o teatro em todas as vertentes, também nas deslocações para fora da freguesia, porque nós estamos cá sempre disponíveis para apoiar as nossas coletividades.

 

Quais são as áreas de ação prioritária para este executivo? Pode mencionar algumas medidas que considere relevantes?

A área prioritária deste executivo sempre foi a ação social. Nós continuamos a fazer uma aposta máxima neste campo. Nós estamos na freguesia mais distante do centro do Porto e com mais bairros sociais, pelo que a bandeira desta Junta tem de ser a ação social, pelo que nós trabalhamos quase 24 horas por dia nesta área. Todas as pessoas que vêm a esta Junta de Freguesia são recebidas pelas assistentes sociais e nós tentamos fazer, sempre, o nosso melhor, encaminhando e dando apoios. Posso dizer-lhe que 32% do nosso orçamento, vai para a ação social. Nós, aqui, o que fazemos, é tentar ser o mais sensíveis possível, fazendo o acompanhamento com as nossas técnicas, que trabalham com as IPSS e instituições, para ajudarmos em tudo o que estiver ao nosso alcance. Quem nos procura, sai sempre da Junta com uma resposta e não é só por eu estar cá hoje, isto já vem de há muitos anos. Eu sei que a Junta de Campanhã, tudo o que pode, vai fazendo e tentando, claro que uns dias com mais e outros com menos sucesso. Nós estamos cá para isso mesmo e as assistentes sociais sempre trabalharam desta forma, atendendo todos os fregueses de Campanhã.

 

Depois de dois anos de interregno, as tradicionais festas vão regressar a Campanhã. Que iniciativas serão, brevemente, dinamizadas na Freguesia?

Nós vamos fazer as quatro festas da paróquia de Campanhã, nomeadamente da Nossa Senhora de Campanhã, São Pedro, Calvário e, este ano, há uma Comissão de Festas para reiniciar a Festa da Senhora do Forte, em Azevedo, que nós vamos apoiar, para ela renascer outra vez. Nós vamos ter, também, as Festas de São João e vamos participar nas Rusgas de São João, onde nós fomos campeões, durante quatro anos consecutivos, com o Clube do Falcão e vamos tentar a quinta vitória. Dois anos esteve parado, mas este ano vai voltar a arrancar o passeio da terceira idade, já estamos em conversações, ao nível do executivo, e vamos realizá-lo no final de setembro ou no início de outubro, mas este ano vai haver passeio, desde que nos deixem fazer. Este passeio é muito importante, porque permite que muitas pessoas, que vivem sozinhas e sem acompanhamento, saiam de casa, convivam, partilhando momentos e experiências. É um dia diferente para muitos campanhenses e, por isso, nós vamos fazer o passeio, desde que a situação pandémica assim o permita. Nós temos de ter muito cuidado, porque a pandemia ainda não foi embora e não nos podemos esquecer disso. Eu quero, mesmo, muito fazer este passeio, é uma obrigação que nós, Junta de Freguesia, temos para com os nossos fregueses, acima dos 65 anos. Eu fico radiante e de coração cheio, quando sinto que a população de Campanhã está bem.

 

Quais são os seus maiores sonhos para Campanhã?

Eu gostava que a Freguesia de Campanhã fosse vista de uma forma diferente da que é atualmente. Enquanto eu cá estiver, eu gostava que esta localidade fosse vista da mesma forma como nós vemos a Foz e não como a freguesia dos coitadinhos e dos abandonados, por estarem encostados à zona oriental. Eu acho que Campanhã está a desenvolver-se ao nível da habitação, dos edifícios e infraestruturas, pelo que eu acredito que a freguesia vai dar um salto, com o nosso Parque Oriental e com este impulso, eu espero que as pessoas falem de Campanhã de outra forma, porque, por norma, falam sempre de uma forma negativa, nunca pela positiva. Campanhã tem muitas coisas boas, tem muita gente boa. Campanhã é um pulmão na cidade, onde ainda se pode viver e respirar. As mesmas situações que acontecem em Campanhã, também acontecem na Foz, porque eu sei, mas o impacto não é o mesmo, como no caso da nossa freguesia, tanto que às vezes quase que nem se sabe o que realmente acontece. Eu digo isto, porque estive nos Bombeiros Voluntários da Cidade do Porto, durante 33 anos, e fiz muito nesta cidade, fiz muitas assistências, em muitas freguesias, que não Campanhã, e, muitas vezes, essas ocorrências não saem na comunicação social, mas sim as que acontecem em Campanhã, com um impacto muito grande e é isso o que me fere verdadeiramente. As raízes de Campanhã são boas e esta freguesia tem muita gente boa, tal como as outras, mas também tem gente má, à semelhança das restantes. Nós temos de olhar para todas as freguesias da cidade do Porto, da mesma forma, porque, se assim for, conseguimos mudar a visão que as pessoas têm da freguesia. Campanhã também tem hostels, não é só no centro da cidade, nem é só na Foz que eles existem, porque Campanhã também já os tem, por isso, os turistas já vêm para cá. Eu acho que, o futuro desta freguesia passa pelo desenvolvimento e pelo empreendimento que se está a criar ao nível habitacional, mas não só. Eu acredito que nós temos de dar um nome diferente a esta freguesia e não é por eu ser o presidente mais jovem que esta freguesia já teve, mas porque temos, verdadeiramente, de desenvolver esta localidade e levá-la a bom porto, porque muita gente conhece Campanhã por duas situações, pela estação e pelo Estádio do Dragão e isso é uma grande satisfação para mim, porém eu queria dar um nome a Campanhã, por muitas outras coisas positivas.

 

O Paulo Ribeiro descreveu Campanhã como sendo uma freguesia estereotipada. Se tivesse de descrever a terra que o viu nascer a quem, ainda, não a conhece, como faria?

Descreveria como a melhor e mais bonita freguesia da cidade do Porto, não tenha dúvidas. Nós temos coisas belíssimas em Campanhã, a nossa estação, o Palácio do Freixo, a Marina do Freixo, como têm as outras freguesias, porque elas são todas bonitas. A cidade do Porto, em si, é bonita. Eu adoro muito a minha cidade e sou um portuense e um campanhense de gema.

 

No fim do seu mandato, sairia feliz se…

No fim do meu mandato, eu sairia feliz se fizesse o crematório. Claro que, todas as outras coisas que eu possa desenvolver, ao longo dos próximos três anos, me deixarão igualmente feliz. O grupo de trabalho que eu tenho é excelente. Eu não sei o que vai acontecer daqui a três anos, mas eu ficava contente se eu conseguisse fazer o crematório, porque é um serviço para a população, que nós devíamos ter disponível, em Campanhã.