Jovens, as escolhas de hoje definem o nosso amanhã. Os resultados das próximas eleições vão definir se no futuro teremos mais ou menos oportunidades de realizar os nossos projetos pessoais, de tentar alcançar os nossos sonhos, de construir uma vida com propósito. O projeto político que escolhermos no presente vai definir a médio e longo prazo se teremos menos pobreza, melhores serviços públicos, menos emigração e mais oportunidades para os que para cá vêm à procura de uma vida melhor.

 

O maior problema do Portugal de hoje é a estagnação da nossa economia. Estamos estagnados há 20 anos. E o que é que isto significa? Significa que muitas pessoas nunca viram o seu poder de compra aumentar, as poupanças a crescer ou um investimento a dar frutos.

Nenhuma geração deveria ser condenada a viver com menos oportunidades de realizar os seus sonhos do que as gerações anteriores. Com a atual estagnação da economia portuguesa, será impossível para nós, Geração Z, nascidos entre 1995 e 2010, tornar os nossos sonhos realidade. Para as novas gerações, as próximas eleições não serão uma escolha entre esquerda ou direita, mas antes entre sonhar ou apenas sobreviver para pagar contas, prosperar ou ficarmos para trás. O estado pode continuar a tirar-nos metade do nosso salário, metade da nossa capacidade produtiva, metade do nosso PIB, para investir em empresas ou setores “estratégicos”. Ou tu e eu podemos ser livres para tomar as nossas próprias decisões e escolher o nosso próprio destino.

 

A pergunta que todos devíamos fazer é: Porque é que Portugal não cresce? Se Portugal não cresce economicamente, não consegue fixar os nossos jovens, os filhos de cada região.

 

Eu não sei que investimentos trarão mais retorno amanhã ou que setores prosperarão e permitirão criar mais empregos e/ou pagar melhores salários. Mas há uma coisa que eu sei, sei quais foram as políticas que levaram alguns países a prosperar e quais as políticas que empobreceram países e regiões que antes eram prósperos.

 

Se queremos ter o bem-estar social e o poder de compra de outros países, como por exemplo a Alemanha, a Holanda ou a Irlanda, temos de olhar, não para as políticas que esses países têm hoje, mas sim para as políticas que esses países tiveram há 10 ou 20 anos atrás. Por vezes, não é possível ter as medidas mais populares sem adotar também as menos populares. É preciso reduzir e limitar a carga fiscal, não gastar mais do que aquilo que entra em receita fiscal, não pedir emprestado mais do que podemos pagar, colocar limites legais ao endividamento e, por fim, definir prioridades, para decidir onde cortar a despesa pública e, assim, cumprir as regras anteriores. Tudo isto é possível sem comprometer a qualidade dos serviços públicos ou outras funções essenciais do estado. Basta que abandonemos as péssimas opções políticas como as de salvar a TAP, manter bancos do estado, megaprojetos despesistas, criar mais institutos e organismos do estado, eliminação das PPP’s na saúde (que o tribunal de contas disse terem poupado muitos milhões ao erário público) e um sistema de castas na saúde e na educação em que as pessoas que menos têm só de podem escolher os serviços geridos pelo estado.

 

Para crescermos, é preciso aumentar a produtividade, isto é, aumentar a quantidade de bens e serviços a circular na economia ou produzir os bens e serviços que já existem com menor custo. Para aumentar a produtividade são necessárias, por um lado, pessoas com ideias, com ambição, com talento, com conhecimento, com capacidade de trabalho e perseverança – é isso que é a iniciativa privada – e, por outro, é preciso que essas pessoas possam poupar e acumular capital para realizar os seus projetos pessoais ou que empresas e investidores com capital lhes deem as ferramentas para aplicarem o seu talento – a chamada criação de oportunidades.

 

As pessoas com talento já temos. Temos a geração mais bem qualificada de sempre. O que não temos é a capacidade de poupar e sem existir poupança não há aumento da produtividade. Portugal não cresce porque continua a canalizar as poupanças dos Portugueses para financiar a despesa do estado e os serviços da dívida. Num mundo onde há livre circulação de pessoas e capitais, Portugal tem de ser fiscalmente competitivo e amigo do investimento, das pessoas que correm riscos, dos nossos jovens. Ou importamos políticas liberais para Portugal, ou continuaremos a exportar pessoas para países liberais, que vão alimentar a produtividade de outras sociedades. São também nesses países em que a economia acaba por crescer tanto que a receita fiscal aumenta. É por isso que, no geral, quem realmente se preocupa com questões sociais, com os serviços públicos, deve votar no Iniciativa Liberal, porque só poupando recursos noutras áreas da governação e metendo a economia a crescer é possível priorizar, proteger e aumentar a qualidade dos serviços públicos.

 

Se um jovem como eu não se fixar e formar família em Portugal e, em particular na sua terra, não será porque a educação falhou, ou porque a habitação é cara (porque também o é noutras paragens), e cada vez menos é porque uma dada região não oferece trabalho na sua área profissional, pois estamos na era da economia digital, do teletrabalho, onde cada vez mais se faz atrás de um computador. Se um jovem emigrar é porque o país não foi suficientemente atrativo para satisfazer as suas ambições. Listas de espera do SNS disparam, a economia portuguesa estagnada há quase 20 anos, salário médio líquido ronda os 1000 euros, o mais baixo da Europa. Há partidas que nos partem. Quando o destino é a emigração perdemos todos. Vamos mudar o final desta história? É hora (como dizia o Fernando Pessoa)