A Assembleia Municipal da Trofa assinalou o 48º aniversário do 25 de Abril de 1974, com a concretização de uma sessão solene, que decorreu no Fórum Trofa XXI e contou com a intervenção de jovens trofenses e dos líderes de cada partido, com representação nesta casa da democracia. Dedicada ao tema “Sons da Liberdade”, esta sessão contemplou, ainda, o concurso de talentos musicais, que se guiou pelo mesmo mote e foi conquistado por Afonso Silva, Sofia Silva e Bruno Pereira, com a canção “E alegre se fez triste”, da autoria de José Niza e Manuel Alegre.

 

 

A cerimónia comemorativa do 25 de Abril, organizada pela Assembleia Municipal da Trofa, foi inaugurada com um momento musical protagonizado pelo jovem trofense Rafael Miranda e contou com a presença dos membros da Mesa e dos líderes de casa partido, com representação nesta casa da democracia, assim como dos membros do executivo da Câmara Municipal da Trofa, presidido por Sérgio Humberto, presidentes de Juntas de Freguesia trofenses e inúmeras entidades civis e militares.

Com o mote “Sons da Liberdade”, o 48º aniversário da Revolução dos Cravos evidenciou a participação dos jovens do concelho, como guardiões dessa mesma liberdade, no futuro.

Isabel Cruz, presidente da Assembleia Municipal da Trofa, revelou, aquando do início da sessão solene, que esta comemoração “tem como objetivo incentivar os jovens para se aproximarem da política. São vocês os guardiões da liberdade. E nós temos a obrigação de vos entregar a conquista que fizemos, para que sejam vocês os cuidadores, os guardiões da liberdade, para que não aconteçam atentados à vossa liberdade. Vocês nasceram livres, para que sejam sempre livres”.

Lembrando a primeira vez em ouviu falar em política, a sua vida em Angola e a guerra que a obrigou a vir para Portugal, com 16 anos, a presidente da Assembleia Municipal da Trofa admitiu que “nunca tive consciência da ditadura, porque, onde eu vivia, sentia-me livre. (…) Mas, apesar de tudo, quando aqui cheguei e vi o atraso e a pobreza em que vivam a maior parte das pessoas, senti que esta era, sem dúvida, uma justa revolução e juntei a minha, à sua voz”.

Assegurando que “temos, todos os dias, de cuidar da nossa liberdade”, Isabel Cruz sublinhou que “com Abril nasce o sonho e a esperança de tudo ser possível” e que “urge incrementar a participação cívica efetiva na sociedade civil, onde todos, e todas, somos impelidos a fazer parte, comprometidos com o bem comum, partilhando entre jovens e velhos, os que ficam e os que vão, os diferentes e os parecidos, numa soma continua e nunca numa subtração. A Assembleia Municipal, enquanto casa da democracia, tem o dever de contribuir, para incentivar a participação democrática, principalmente dos mais jovens, que estão afastados da política. Com o concurso «Sons da Liberdade”» este ano, procuramos estimular a participação dos jovens, pois é neles que acreditamos que se encontra a esperança na resolução dos problemas de forma criativa e inovadora, como só eles sabem ser, enquanto líderes da mudança, para um futuro mais sustentável”.

Posteriormente, foi apresentado à plateia o vídeo “Sons da Liberdade”, com seleção de textos, imagens e extratos de canções da autoria da professora Maria Emília Cardoso, produção e voz-off de Hugo Forte e acompanhamento musical do jovem trofense Tiago Marques.

As intervenções políticas iniciaram com o discurso de Rodrigo Reis, representante do PAN, que afirmou que “é tempo de relembrar o passado que não queremos viver e o futuro que queremos construir, num país onde já se concretizou tanto no papel e onde faltam tantos meios, para passar do papel à prática”, referindo que “basta-nos caminhar no respeito pela diferença, depois disso, todo e qualquer valor de bem pode ser preconizado. Viva o 25 de Abril, hoje e sempre”.

Depois, Hélder Reis, representante do CDS, destacou que “não podemos aceitar que, em pleno século XXI, no coração da Europa, se procurem resolver problemas políticos com recurso à guerra, destruindo países, arrasando cidades, tirando a vida a milhares de pessoas, civis e inocentes, dando origem a uma onda de refugiados, sem precedentes, desde a Segunda Guerra Mundial”, asseverando que “tudo pode acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Resta-nos cuidar do que de nós depende, ter a população como próximo, respeitando toda a sua pessoa. Esta é uma forma de resistência e está ao nosso alcance”. Para este líder partidário, “a democracia é construída, todos os dias, por todos nós, sem distinção de espécie alguma, respeitando a iniciativa singular. (…) Louvemos a solidariedade entre povos, a fraternidade entre homens, a democracia das sociedades”.

Por seu turno, Pedro Ortiga, líder do PS na Assembleia Municipal da Trofa, ressaltou que “tendencialmente, esquecemo-nos do que era antes do 25 de Abril, para nos queixarmos da liberdade que temos”, afiançando que “apesar do longo caminho já percorrido, ainda há um longo caminho a realizar, sobretudo, para fazer vencer os valores humanistas que o 25 de Abril nos deixou”. Segundo o representante socialista, “temos de continuar Abril, perceber que a nossa liberdade termina quando fere a liberdade do outro. Que o respeito, a solidariedade e a justiça têm de imperar e que a luta por garantir Abril todos os dias passa por nos mobilizarmos, civicamente, pela liberdade de pensamento, igualdade de oportunidades e justiça no tratamento”.

Já Alberto Fonseca, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal da Trofa, mencionou que “temos de lutar, todos os dias, pela nossa democracia, pela nossa liberdade, por um pilar da nossa sociedade, em permanente construção. Ainda hoje, tantos anos depois da Revolução dos Cravos, assistimos a atropelos à liberdade e à democracia, irónica e precisamente, por parte daqueles que se arrogam os donos do 25 de Abril”. Para o deputado, “o 25 de Abril, que só atingiu os seus propósitos a 25 de novembro não tem donos. (…) É dos portugueses e cabe aos portugueses preservar as suas conquistas”. Mais tarde, o representante dos social-democratas salientou que “aos jovens aqui presentes, cabe a responsabilidade de, amanhã, passarem a mensagem às gerações futuras, para que nunca mais tenha Portugal de passar, por aquilo que passou”.

Mais tarde, chegou o momento, no qual se abriu espaço à voz do futuro. Por conseguinte, os alunos de escolas trofenses, Margarida Silva, assim como Joana Santos e Rui Couto falaram sobre o 25 de Abril e a importância da liberdade.

Por fim, foi Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, quem interveio na cerimónia comemorativa do 48º aniversário do 25 de Abril. “Eu só acredito na democracia. A democracia tem defeitos, tem, mas também nós os temos. A democracia tem de ser aprimorada, claro que tem”, declarou o edil, garantindo que “temos de continuar a evoluir esta democracia”.

O autarca trofense aproveitou, ainda, a ocasião para frisar que “ninguém, verdadeiramente, é dono do 25 de Abril e o problema é que muitos partidos ou pessoas querem ser donas do 25 de Abril e não apregoam aquilo que são os valores da liberdade e esses valores têm de ser implementados e colocados ao serviço do povo, todos os dias”, deixando uma mensagem especial aos jovens: “a democracia não é um bem adquirido. Nós, hoje, vemos alguns países a flutuar e, cada vez mais, a extrema-esquerda e a extrema-direita a descerem. A democracia é algo pelo que nós temos de lutar, todos os dias. Nós temos de lutar por aquilo que são os valores da democracia, a vontade de um povo e o povo são as pessoas. São homens e mulheres. É proporcionar futuro aos nossos jovens e presente aos nossos mais idosos, qualidade de vida aos nossos mais velhos e o futuro é menos impostos, é mais Estado social, naquilo que é importante, na saúde, na educação e na ação social. É estar, nos momentos mais difíceis, ao lado das pessoas que verdadeiramente precisam e é isto o que deve ser o Estado central e é que deve ser o Estado local e é esta mensagem de dizer que a democracia não é um bem adquirido nós temos muitos direitos, mas temos, também, deveres e o dever é lutar pela democracia, sempre, para daqui a 48 anos, estarmos aqui a comemorar o 96º aniversário da democracia, porque eu só acredito no sistema político que seja a democracia”.

Durante a sessão solene, que contou com a atuação dos finalistas do concurso “Sons da Liberdade”, foram, também, anunciados os derradeiros vencedores. Neste seguimento, foi o trio Afonso Silva, Sofia Silva e Bruno Pereira quem conquistou o certame, com a interpretação do tema “E alegre se fez triste”, de José Niza e Manuel Alegre, tendo Francisca Andrade e Nuno Miguel Andrade ficado na segunda posição, com a canção “Qual é a tua, ó meu?”, de José Mário Branco.

Seguidamente, a presidente da Assembleia Municipal da Trofa procedeu à entrega de lembranças a Rafael Miranda, Tiago Marques, Margarida Silva, Joana Santos, Rui Couto e Antónia Serra, em representação do júri do concurso “Sons da Liberdade”, encerrando a cerimónia comemorativa do 48º aniversário do 25 de Abril com uma nota: “esta casa é de todos, não há um dono, não há uma dona, não há donos, é a casa da democracia. Apareçam. Venham os jovens a esta casa, porque esta casa é vossa. Acima de tudo, o que pretendemos, é que vocês, jovens, se aproximem de nós. Venham às Assembleias Municipais, ajudem-nos a sermos melhores políticos, melhores pessoas e melhores a interpretarmos os vossos sonhos e as vossas motivações. (…) “Nós queremos que o melhor de nós, ainda, esteja por chegar, porque queremos, convosco, fazer mais e melhor. Viva o 25 de Abril! Viva o concelho da Trofa! Viva Portugal”.