A conserveira Pinhais, que comemorou o centenário no ano transato, inaugurou, no passado dia 27 de outubro, um museu-vivo na sua fábrica, em Matosinhos. O projeto denomina-se “Conservas Pinhais Factory Tour” e vai conduzir os visitantes pelas 12 etapas do processo de produção, que se mantêm inalteradas desde 1920, proporcionando uma experiência imersiva e uma viagem do mar até à lata, em tempo real, com a participação no processo de embrulho das latas de conserva e em provas de degustação das iguarias. A iniciativa contou com a presença de Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, vereadores da autarquia, Paulo Carvalho, presidente da União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, António Ponte, diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, e membros da família Pinhal, entre outros convidados.

 

 

A centenária conserveira Pinhais investiu três milhões de euros num museu-vivo, que convida todas as faixas etárias a descobrirem a fábrica e o seu espólio, bem como a história da empresa e da indústria viva, que é assente num método artesanal.

Instalado na fábrica Pinhais, que, em 2020, foi classificada de edifício de Interesse Municipal, o museu-vivo assume-se como sendo um projeto único no panorama do turismo nacional e internacional e proporciona uma verdadeira experiência imersiva sobre todas as 12 fases do método de produção tradicional, que se mantém inalterado desde 1920.

Assim, a Conservas Pinhais Factory Tour proporciona uma viagem no tempo, que apela a todos os sentidos, remetendo cada visitante para o ano de 1920, enquanto percorre os azulejos e a tijoleira do chão de uma fábrica, que não mudou e onde tudo permanece igual, nomeadamente o antigo consultório médico e o escritório, no qual se recordam as folhas de pagamento e as encomendas, que levaram as latas de conserva para todo o mundo. O percurso continua pela produção, onde é possível visualizar centenas de mulheres a tratar do peixe oriundo da lota, que é cortado, passa pela salmoura e é cozido a vapor, enquanto outras cortam os ingredientes, que compõem as várias receitas da sardinha em conserva. Os processos são todos manuais e fazem-se como há 101 anos, até mesmo o empapelamento das latas, fase na qual os visitantes são convidados a participar. O tour culmina numa das salas mais imponentes do edifício, o Can-Tin Café, que contempla um espaço que acolhe o último momento da visita: a degustação. A visita termina na loja, com cerca de 100 metros quadrados, onde existe uma ampla seleção de conservas Pinhais e Nuri e peças de coleção.

“Agora, este edifício é tão bonito quanto era há 100 anos”, afirmou Jakob Glatz, CEO da Conservas Pinhais, aquando da inauguração do museu-vivo, enaltecendo que é “a fábrica de sardinhas mais bonita do mundo”.

Para o CEO, a Pinhais “é uma empresa muito especial e com a Pinhais Factory Tour queremos contar a nossa história, queremos mostrar que somos únicos e queremos convidar Portugal e o mundo a vivenciarem o que fazemos na Pinhais, todos os dias, há 100 anos. É esta unicidade, esta família e esta tradição que vai inspirar milhares de visitantes, de todas as idades, que vêm à nossa fábrica”.

Depois de visitar o museu-vivo e de acompanhar todas as fases do processo de produção, Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, sublinhou que “hoje é um dia muito importante para o concelho de Matosinhos”, salientando que “a abertura do museu-vivo da indústria conserveira da Pinhais é algo absolutamente extraordinário, para já para a comunidade matosinhense, mas, sem falsas modéstias, eu penso que muito para além do concelho de Matosinhos. A partir de hoje, todas as pessoas que entrarem vão começar por visitar um edifício belíssimo, a mais bonita fábrica de conservas do mundo, que manteve o seu traço original, não perdeu nada da sua identidade e parece que nem teve obras, está impecável”.

Garantindo que “é preciso percorrer a fábrica para saber qual é o segredo da excelência deste produto”, a autarca destacou que “nós somos uma terra de mar, de pescadores, do melhor peixe do mundo e somos, também, uma terra onde estiveram alojadas grande parte das indústrias de conservas do país. Para além de ser uma fábrica de conservas, é, também, a única fábrica de conservas, que preserva os processos manuais, artesanais, de produção das conservas. Se não fosse possível entrar por estas paredes, ninguém imaginaria a forma delicada, minuciosa e com carinho com que se fazem as conservas. É preciso percorrer todo este percurso, verificar que há umas senhoras que cortam as malaguetas com uma tesoura, que há alguém que está a cortar o pepino e que há alguém que está a colocar as sardinhas, uma a uma, numa grelha, para que elas sejam cozinhas individualmente. Parece óbvio, mas só aqui é que se faz assim, nas outras fábricas utilizam-se outros processos e por isso é que só as conservas Nuri têm este sabor, porque em cada passo, é tido o cuidado de preservar o melhor, a identidade e autenticidade do produto”.

“O peixe de Matosinhos e as tradições de Matosinhos vão chegar às pessoas que nos visitarem de todos os cantos do mundo e nós vamos conseguir mostrar a forma, a autenticidade de ser português e de ser de Matosinhos”, assegurou Luísa Salgueiro.