O ser humano não é estanque. Ele cresce, lê, informa-se e cria novas convicções.

Não teria de ser candidato aos 20 anos se houvessem mais pessoas a pensar da mesma forma que eu. Ora, isso é muito culpa da geração anterior que falhou em explicar à minha geração o que é a liberdade e a sua importância. Continuamos ainda muito dependentes da vontade arbitrária de uns poucos governantes no acesso a serviços públicos de primeira necessidade, quando poderíamos ter mais concorrência e mais autonomia para as escolas, hospitais e pessoas escolherem livremente o melhor para si. Somos ainda contribuintes forçados de projetos
megalómanos pensados por poucos e sem garantias de serem a melhor solução (lá está a importância da liberdade). Somos ainda “proprietários” de empresas públicas monopolistas que não têm qualquer incentivo a praticar preços mais baixos e competitivos, ignorando que poderíamos ter um mercado liberalizado de energia, bem como maior
competição e maior oferta de voos a preços mais baixos, tal como noutras regiões do mundo.

Por isso, nos serviços públicos, há que substituir ordens do topo por incentivos dos indivíduos, dando-lhes liberdade de escolha e acesso à melhor educação e cuidados de saúde dentro e fora da ilha. Isto porque não há liberdade sem igualdade de oportunidades. Na economia, há que criar concorrência nos transportes aéreos e marítimos, na gestão dos portos, na energia e na recolha do leite. Para lá chegar, deve-se liberalizar, descentralizar, concessionar e, naturalmente, fazer um uso diferente dos fundos europeus porque, como eles estão, vão parar ao bolso de alguns monopólios privados, que de outra forma não subsistiriam. E, por fim, na intervenção do estado, há que retirá-lo
do jogo económico, poupando recursos que permitirão baixar impostos, evitar a dívida e financiar um leque maior de serviços públicos. É preciso emagrecer o estado porque as pessoas já recebem pouco e aquilo que se lhes retira é aterrador.

Por cá, nunca descobriremos as potencialidades de uma sociedade livre enquanto continuarmos a proteger os interesses instalados. A dívida regional é como um polvo cor de rosa que nos asfixia: destrói mais empregos do que aqueles criados pelas transferências do estado e o turismo justos. Cada milhão de dívida cria -60 empregos pois pesa na carga fiscal que, por sua vez, contribui para a rigidez da nossa economia, acabando por proteger as empresas instaladas da concorrência de novas que possam surgir. E se a estratégia for a mesma, viremos a perder freguesias inteiras, em termos populacionais. Continuem a votar nos mesmos e depois chorarão as lágrimas da partida! Em alternativa, as nossas políticas podem não ser as mais populares e intuitivas, mas funcionam! O liberalismo funciona! Muitos dos jovens que emigram vão para destinos onde vingam as mesmas políticas que defendemos: norte da Europa, Canadá, Austrália. Onde há menos estado e mais mercado livre concorrencial também há mais meritocracia, menos oportunidades de corrupção e maior mobilidade social. Nós temos tanto potencial para crescer tal como outras regiões, algumas sem quaisquer recursos naturais. Somos tão bons como os melhores da Europa, além de que a nossa posição central a 4 horas de Londres, 4 horas de Boston e 2 horas de Lisboa têm imenso potencial.

Por último, faço isto por mim e por aqueles que amo. É preciso mudar Portugal, a começar por ter outra oposição. A Iniciativa Liberal é um partido novo, coerente e com boas soluções. Ademais, nos Açores, todos os votos de todas as ilhas contam: 1500 votos são suficientes para eleger um deputado e é possível ir muito mais além. Políticas simplistas e populares talvez ganhem eleições, mas há que ter coragem para defender as reformas estruturais liberais – as mesmas que criam a “Riqueza das Nações” e a prosperidade das regiões.

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