A esperança que a humanidade deposita no processo de paz há dias iniciado na península da Coreia sofreu agora um sobressalto de proporções ainda difíceis de avaliação criteriosa, mas que não augura dada de positivo.

Depois da súbita e inqualificável retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irão, vive-se no Médio Oriente um clima de alta tensão e existe um barril de pólvora que pode explodir na próxima semana com a mudança da Embaixada dos EUA para Jerusalém.

As consequências da decisão, aliás, uma das promessas da campanha eleitoral de Trump, são imprevisíveis, mas não parece existir dúvida de que poderá originar actos de indignação e até violência, pois as próprias autoridades norte-americanas estão a preparar a mudança com medidas de segurança só aplicáveis em situações de perigo elevado.

O antigo dirigente da CIA, Bruce Riedel, afirmou mesmo à CNN que «numa situação altamente tensa, atiramos gasolina para a fogueira, retirando-nos do acordo nuclear com o Irão», acrescentando que a mudança da Embaixada para Jerusalém é «muito perigosa, é enviar o sinal de que os Estados Unidos querem confrontar o Irão e esse é um sinal que os israelitas e os sauditas estão muito ansiosos por ouvir», pois a Arábia Saudita mantém na fronteira com o Iémen uma guerra com os rebeldes hutis, apoiados pelas autoridades iranianas e na semana passada caças israelitas dispararam 60 mísseis ar-terra contra alvos iranianos em território Sírio, mas também posições do exército sírio, facto confirmado pelo Ministério Russo, assim como o abate de mais de metade desses mísseis pela defesa anti-aérea síria.

A agência noticiosa RT informou que o ataque das forças israelitas durou duas horas, entre a 1h45 e as 3h45 da quinta-feira passada e Telavive alegou que a forte ofensiva das suas forças armadas sobre posições iranianas na Síria foi efectuada como retaliação pelo disparo de 20 mísseis a partir de território sírio contra alvos israelitas nos Montes Golã, ocupados ilegalmente desde 1967, acrescentando que as autoridades israelitas responsabilizaram por esse ataque a Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, mas e de acordo com a agência SANA, esses 20 mísseis foram disparados como resposta a um ataque das forças israelitas contra a cidade de Ba’ath, na província síria de Quneitra.

Não esqueçamos que o acordo nuclear com o Irão, celebrado pela anterior administração norte americana, foi concluído em julho de 2015 entre o Irão e o grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, mais a Alemanha e visa, em troca de um levantamento progressivo das sanções internacionais lideradas pelos Estados Unidos, assegurar que o Irão não desenvolve armas nucleares, utilizando as actividades nucleares para fins pacíficos.

Entretanto e em reacção ao anúncio de Trump de rasgar o acordo, o presidente iraniano, Hassan Rohani, anunciou que o Irão «vai manter-se» no acordo nuclear de 2015 após a retirada dos EUA, caso os seus interesses sejam garantidos, tomando decisões posteriores em caso contrário.

«Devemos ser pacientes para ver como os outros países reagem», disse Rohani num discurso, numa alusão às restantes potências que assinaram o acordo nuclear e sugerindo que pretende conversar com europeus, russos e chineses. Anteriormente, Rohani já tinha advertido que os EUA iriam arrepender-se «como nunca» se decidissem deixar o acordo internacional nuclear com o Irão.

Em resumo, os Estados Unidos são acusados de estarem a apoiar, não tão secretamente como se difunde, os sauditas na guerra contra os rebeldes muçulmanos, a guerra na Síria, promovida pela administração estado unidense continua também a incendiar a região, há ainda uma grande tensão que persiste há anos entre Israel e Palestina, com ambos os países a reclamarem Jerusalém como sua capital, acrescido o facto de Jerusalém ser considerada uma cidade sagrada na maioria dos países árabes, o apoio de Telavive, tal como o de potências ocidentais e regionais, a grupos terroristas na Síria tem sido reiteradamente denunciado pelas autoridades deste país junto das Nações Unidas, assim como as acções militares israelitas contra posições do Exército sírio são frequentes. Até onde vamos chegar é uma incógnita.

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