O Centro Interpretativo do Linho foi inaugurado, no passado dia 21 de agosto, na Lomba da Maia, com o intuito de dar a conhecer o processo do cultivo e tratamento da planta linácea, desde o semear à sua fiação. Localizado na Rua Nossa Senhora da Conceição, este novo espaço, cuja abertura decorreu no âmbito do evento anual que materializa esta tradição, homenageia os homens e mulheres que dedicaram a sua infância e juventude a este ofício.

 

A Freguesia da Lomba da Maia foi, durante o século XX, uma referência no concelho da Ribeira Grande, no que concerne à arte dos trabalhos em teares, não só em linho, mas também na confeção das chamadas mantas de cama, passadeiras e tapetes, que eram tecidos com as meadas de retalhos.

Esta tradição da produção e transformação da planta linácea e dos diferentes trabalhos produzidos nos teares, encontra-se, hoje, materializada na Festa do Linho, evento anual, que se realizou no passado dia 21 de agosto e contemplou um programa recheado de atividades, tais como jogos tradicionais, workshop de gesso, pula-pula, pinturas faciais e balões, assim como vários espetáculos, protagonizados pela Bombomania – Associação de Bombos, pela Brumas da Terra e pelo Grupo de Folclore da Salga, para animar a população.

Por conseguinte, foi esta arte e cultura que levou Alberto Ponte, presidente da Junta de Freguesia da Lomba da Maia, a reabilitar, através de um contrato interadministrativo com a Câmara Municipal da Ribeira Grande, um imóvel degradado, cedido pela autarquia, tendo em vista edificar um espaço, que reunisse as memórias de uma tradição antiga no território.

Assim, localizado na Rua Nossa Senhora da Conceição, na Lomba da Maia, o Centro Interpretativo do Linho foi inaugurado no passado dia 21 de agosto, durante uma cerimónia, que aconteceu no dia do evento anual que materializa esta tradição e contou com a presença de Alexandre Gaudêncio, presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, os vereadores da autarquia Carlos Anselmo, José António Garcia e Cátia Sousa, assim como elementos da Junta e da Assembleia de Freguesia, presidentes de Junta e muitas outras individualidades.

Depois da bênção do novo espaço da localidade, decorreu o momento das intervenções, que foi iniciado pelo presidente da Junta de Freguesia da Lomba da Maia, que aproveitou a ocasião para sublinhar que “este equipamento vai eternizar o linho, a tradição e a história”.

Atualmente, apenas duas pessoas da Lomba da Maia sabem trabalhar o linho. Neste seguimento, de acordo com Alberto Ponte, é preciso investir em formação, para que as gerações mais novas possam aprender esta arte. “A Lomba da Maia há muito que precisava de um espaço como este, porque, infelizmente, as senhoras que tratavam o linho já têm uma idade avançada e as gerações vindouras não estão muito interessadas nesta arte, que é um trabalho árduo e que requer muita experiência. Tendo aqui este Centro Interpretativo, é uma forma de não deixarmos morrer a tradição e de todos os que visitarem a nossa freguesia saberem como se trabalhava o linho”, ressaltou o presidente da Junta de Freguesia desta localidade, adiantando que “estamos a pensar, em conjunto com as duas senhoras que nos restam, dar formação, talvez, aqui, no Centro Interpretativo do Linho. Já falamos com um grupo de jovens, para saber se estariam disponíveis para demonstrações, para não deixar morrer o linho”.

A cultura do linho na Lomba da Maia resume-se, nos dias de hoje, a um pequeno canteiro, situado à entrada da freguesia e anexo ao novo espaço, onde, anualmente, é plantado, apanhado e ripado, servindo de base de trabalho para a recriação histórica.

Seguidamente, foi Alexandre Gaudêncio, presidente da autarquia ribeiragrandense, quem encerrou os discursos. Evidenciando que “o linho é uma imagem de marca da Lomba da Maia”, o edil asseverou que “a cultura e as tradições das nossas freguesias devem ser valorizadas e dadas a conhecer a quem nos visita. Cada vez mais, os turistas procuram experiências únicas e têm curiosidade em saber mais, sobre os nossos usos e costumes, daí nós estarmos a realizar este esforço de criar um roteiro turístico integral, sobre as tradições locais de todas as nossas freguesias”.

Neste contexto, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande afiançou que “relativamente ao linho, a Lomba da Maia está a fazer um excelente trabalho, pois é visível a quantidade não só de turistas, mas, também, de infraestruturas, que já começaram a nascer na freguesia, ao nível do turismo e isto, para nós, é muito significativo”, mencionando, ainda, uma série de projetos que o município tem, em carteira, para a localidade, tais como a reabilitação do caminho da Praia da Viola e a Casa dos Amigos da Lomba da Maia, que se prevê que fique concluída no próximo ano.

A inauguração terminou com uma visita ao Centro Interpretativo do Linho, que proporcionou uma viagem pela história da produção e transformação desta planta, que está, agora, preservada neste novo espaço, que visa, através de utensílio e material gráfico e audiovisual, dar a conhecer o processo do cultivo e a origem do linho, na localidade, homenageando aqueles que se dedicaram a este ofício, que foi muito importante para a economia local.