Amar. Amor. Eu amo. Tantas vezes ouvimos esta expressão, que até parece perder-se no seu significado. Mas, eu amo esta terra!

Aquele momento em que um jovem chega ao aeroporto do Pico e diz “fogo, esta ilha é grande”, porque mesmo sendo açoriano nunca cá tinha vindo e a imaginação alimentada por milhares de imagens da montanha não tinha sido o suficiente para perceber o quanto o Pico o ia afetar, à primeira vista; um grupo encontra-se no meio da mata para brincar com asalatos, um instrumento feito de sementes pelo Daniel Pena; mulheres de todas as idades, na Piedade, juntam-se para aprender a arte do vime com a mariense Aida Bairos, e os bolos do Espírito Santo são distribuídos e cada uma leva para casa, já pela meia-noite, como se fosse o prémio depois de várias horas de trabalho; as gaitadas da noite do Projeto Tricô com o Macho Men das malhas que ficará para sempre na mente dos participantes, desta vez incluído não só do sexo feminino, mas também participantes masculinos; a pintora Andreia Sousa abraçando um barco de pesca na MiratecArts Galeria Costa e dando cor para marcar mais do que um momento, mas a mantra que é “arte para todos e todos pela arte”; a Helena Amaral a malhar em ferro no jardim da Gare Marítima da Madalena, porque os Sorrisos de Pedra necessitam de uma técnica diferente de apresentação; todas as terças à noite, encontrando o Professor Azevedo e outros rostos bem familiares que não perdem uma apresentação no Museu dos Baleeiros, desde a palhaça LUNA aos bailarinos do Chile e da Suécia, o músico luso-descendente Trans Van Santos ou mesmo bailar danças do mundo com Ricardo Faria; ver o Matti, o primeiro DJ, no meio do jardim da Galeria Costa, numa tarde chill-out, um sunset; os gatos na Paim Bookhouse Gallery fazendo cama entre os livros e a arte que vem de todo o mundo desde Manny, o motorista da Amália Rodrigues, que a pintou em várias reencarnações, à nossa querida Fátima Madruga e o seu Portugal Intemporal; o Manoel Costa a explicar a aprendizes que pintar cartão reciclado, dos embrulhos mobiliários, também é arte; a Conceição da Escola de Artesanato de Santo Amaro, com uma sala cheia nos Bombeiros da Madalena, a contar histórias deliciosas, enquanto mostra como se faz bijuteria contemporânea com uma técnica do passado com as folhas do dragoeiro; o Amilcar a tatuar a sua modelo ao lado do Vitor que pinta o peito do William, no arranque do CORPO – Body Artfest; a Isabelle Clerc, que agora faz do Pico a sua casa, a apresentar na língua portuguesa, com aquele sotaque francês, o seu “lagarto” em azulejos; os filmes curtinhos, alguns tão curtinhos que se piscares o olho perdes a mensagem; jovens de todas as ilhas a subirem o palco do Auditório da Madalena para cantarem a cappella músicas do cancioneiro açoriano; os rostos de surpresa das nossas audiências quando se apresenta algo que não

estavam à espera; isto é Fringe, e, reflete não só alguns momentos inesquecíveis da sétima edição do festival de artes que acolheu 128 artistas de vários países, mas também algumas das razões por que, repito dia após dia, “eu amo esta terra!”.

Criar, organizar, apresentar, promover, incentivar, participar, gostar, abraçar o que nos oferecem, o que nos rodeia, às vezes parece mais difícil do que podia, mesmo, ser. O ser humano tenta complicar o viver. Temos, assim, tantas inseguridades que no lugar de dizer sim é mais fácil dizer um não? Vejam só o que conseguimos com o “sim” quando há 7 anos a MiratecArts apresentou a ideia de democratizar a arte e dar oportunidade a qualquer pessoa de construir e apresentar o seu trabalho cultural artístico e ainda conhecer novas audiências. Mais de 5 mil pessoas desfrutaram diretamente durante um mês de arte para todos, e nas redes sociais foram aos milhares que seguiram as fotos, os vídeos e as notas colocadas… é Fringe.

Isto é amar o que temos na nossa ilha. Os artistas, a MiratecArts e eu agradecemos do fundo do coração a todas as pessoas que arriscaram a participar. Só assim podemos mesmo dizer que amamos ESTA terra!

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