Jaime Rita, presidente da Federação Agrícola dos Açores, assegurou que o setor leiteiro na Região Autónoma dos Açores chegou ao limite da sua paciência e deixou um ultimato: caso o preço do leite não aumente já a partir de dia 1 de setembro, haverá redução pecuária drástica na região.

 

 

A Federação Agrícola dos Açores promoveu, no passado dia 1, uma conferência de imprensa onde deixou, claramente, um ultimato à indústria e à distribuição para que o preço do leite aumente, até ao final do ano, com retroatividade a 1 de setembro. “Estamos aqui a dar um ultimato à indústria que rapidamente aumente o preço do leite. Porque, ao não ser desta forma, a lavoura vai ter uma estratégia radical. Que fique o aviso para tudo e para todos”, afirmou Jaime Rita, em representação da Federação, numa iniciativa que contou também com a Associação Agrícola de São Miguel, a Associação Agrícola da Ilha Terceira e a Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses.

“O preço do leite tem de subir, com data de 1 de setembro. Os mercados todos são favoráveis e as indústrias continuam teimosamente a não aumentar. Se não houver um aumento do preço do leite, não voltaremos atrás e faremos a redução do efetivo pecuário na Região Autónoma dos Açores. O setor leiteiro vai refletir cada vez mais sobre esse assunto, a decisão da nossa parte está tomada, tem de se baixar drasticamente o número de animais que estão vocacionados para o leite nos Açores. E temos a certeza absoluta que muitas fábricas irão sofrer as consequências das suas decisões atuais. Irão ter menos leite, vamos ter maus cheiros de algumas dessas indústrias porque ao não produzir todos os dias vão ter outros reflexos negativos na própria laboração dos produtos, mas eles é que têm de ser responsabilizados, porque eles estão a matar a galinha dos ovos de ouro na Região Autónoma dos Açores que é o setor leiteiro e a indústria devia-se envergonhar do preço que paga ao produtor”, referiu Jaime Rita.

De forma geral, esta redução implicaria 80 milhões de redução de leite, abatendo 12 por cento das vacas, mas apenas as que estão acima das da reforma e que não produzem muito mais. Jaime Rita assegura ainda que há mercado de escoamento para estas vacas abatidas pelo que o único prejudicado seria mesmo o setor da indústria do leite.

Também a distribuição foi alvo de críticas por parte do presidente da Federação, que considerou que esta “não tem qualquer tipo de necessidade de estar a esmagar constantemente com promoções o leite no mercado”. “É um bem essencial sempre em saldo”, critica.

Assegurando que é a região que se pratica o preço de leite mais baixo da Europa, Jaime Rita garante que o preço justo para o leite seria de 35 cêntimos, quando, atualmente, é pago a 27 cêntimos e assegura que irá aproveitar a época de campanha eleitoral para abordar todos os partidos. “Nós estamos a receber miseravelmente, não chega a 27 cêntimos cada litro de leite. Custa-nos produzir em média na região 30 cêntimos por cada litro de leite, ou seja, estamos em deficit na ordem dos três cêntimos cada litro de leite. Precisamos de ver ação da classe política e, por isso, vamos fazer um périplo por todos os partidos para verem o que fazem. Porque o Governo pode ser regulador nesta matéria, até porque este é um setor potenciador de outros, como o turismo”.

 

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