Sendo certo que nos dias de hoje e com toda a razão a preocupação básica é o planeta, não se pode pensar em substituir carne de vaca por soja que vem da América Latina e cuja pegada ecológica é ainda mais pesada, pois  se queremos salvar o planeta, temos de mudar o modelo económico global, promovendo o primado da política, do colectivo, do bem comum, versus a ideologia do mercado livre, do extrair, do competir e do comprar ilimitadamente, quantas vezes sem qualquer necessidade.

A exploração, a delapidação e o roubo dos recursos naturais, assim como a exploração social são duas questões que estão necessariamente agregadas e estão na génese do capitalismo das quais ele não se liberta.

O desenvolvimento tecnológico tem sido cego e a questão saliente é a de sabermos de onde vem essa cegueira e nesse sentido recordamo-nos que em Paris, não há muito tempo, quase duas centenas de países conseguiram concluir ideias sobre alguns motivos do verdadeiro processo de extinção que nos ameaça e desse apuramento avançaram para recomendações quanto ao que é preciso fazer urgentemente.

No entanto, os Estados Unidos distanciaram-se desse consenso e cabe-nos discernir sobre o significado desse gesto, quando sabemos que a pátria maior do capitalismo se situa do outro lado do Atlântico o que nos coloca uma pista: estará aí, na prática capitalista, uma explicação?

Também sabemos  que o capitalismo é voraz a diversos níveis e várias dimensões e nem necessitamos de nos afastarmos do nosso quotidiano para nos certificarmos dessa realidade  e essa clara percepção permite-nos portanto entender muitos desmandos.

Assim sendo, a tal questão de sabermos de onde vem a cegueira que coloca no nosso horizonte comum o risco de um desatre global sugere uma resposta óbvia: é a avidez cega e  criminosa do capitalismo pelo lucro a qualquer preço que constitui o motor do perigo e a esta resposta junta-se uma outra que a complementa e nos diz que é preciso substituir o capitalismo perigoso e já responsável por um extenso rol de crimes e desgraças.

Ao mesmo tempo que nos quer convencer que o ambiente se protege não comendo carne de vaca, o mundo capitalista prossegue a sua ofensiva para provar que só ele pode salvar a humanidade com as regras por ele definidas que já mostraram o que valem, ou seja,  ignora ou faz por ignorar a contradição decorrente da necessidade de constante reprodução do capital, que o sistema apenas considera e privilegia, seja face à natureza, seja em relação à própria sociedade.

Pelo atrás descrito, torna-se urgente trazer ao conhecimento de todos que a luta por melhores condições ambientais é inseparável da luta por melhores condições sociais e de trabalho, pelo que é necessário colocar em cima da mesa a luta pela transformação da sociedade através de planificação da distribuição harmoniosa das forças produtivas no território e que isso não é possível fazer sem um modo de produção que olhe para lá dos objectivos imediatos de acumulação de lucros, um modo de produção que racionalize a relação da humanidade com o seu meio.

É, portanto, necessário demonstrar que a luta pela defesa do ambiente é política, anti-imperialista e tem que estar sempre associada à luta pela paz, pois a guerra, o militarismo e a indústria do armamento são dos fenómenos mais poluentes no nosso mundo, sendo fundamental que face aos problemas ambientais criados pelo modo de produção capitalista não se legitimem mecanismos de mercantilização da Natureza, não se apaguem as responsabilidades do capitalismo na degradação da Natureza, não se favoreçam processos de natureza colonial e não se transferiram custos para as camadas empobrecidas e para os povos do mundo.

Torna-se fundamental alargar a compreensão de que é necessário e urgente ir além das soluções éticas e individualistas, que conduzem à ilusão que os problemas ambientais se resolvem com consumo de produtos verdes ou que se resolvem não consumindo determinados produtos independentemente do sistema de produção utilizado.

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