O Centro de Inclusão Social (CIS) de Gaia, localizado no espaço da antiga Escola Básica do Magarão, em Avintes, foi inaugurado, no dia 3 de dezembro. Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara Municipal de Gaia, e Ana Mendes Godinho, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, procederam ao descerrar da placa que marcou a inauguração. No entanto, o espaço já se encontra em funcionamento desde 3 de setembro, com 33 utentes. O objetivo é capacitar pessoas com deficiências, entre os 18 e os 66 anos, para o mundo profissional.

 

 

No dia 3 de dezembro, foi inaugurado o Centro de Inclusão Social (CIS) de Gaia, localizado na Rua Dr. Adelino Gomes, na antiga Escola Básica do Magarão, em Avintes. A iniciativa contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, e a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho.

O novo espaço pretende criar condições para a inserção socioprofissional de pessoas com incapacidades físicas e mentais, dos 18 aos 66 anos, sendo que é após a idade da escolaridade obrigatória que estes jovens têm dificuldade em encontrar um local onde possam continuar a ser acompanhados. A cerimónia, que aconteceu no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, teve início com o momento simbólico do descerrar da placa, protagonizado pela ministra Ana Mendes Godinho, o presidente da Câmara, e a vereadora da área da Ação Social, Marina Mendes. O Centro de Inclusão Social já se encontra em funcionamento desde o dia 3 de setembro e conta já com 33 utentes.

Após o descerrar da placa de inauguração do espaço, o pároco da freguesia de Avintes, Renato Poças, procedeu a uma bênção das instalações. O momento foi, também ele, simbólico. “Quando vinha para cá fiz esta pergunta a mim próprio: porque é que precisamos de criar um Centro de Inclusão Social? Ele é necessário porque temos uma sociedade que, por vezes, exclui algumas pessoas do seu centro, dá demasiada importância à diferença e coloca-os à margem. Portanto, a necessidade de um centro como este é essa, colocar as pessoas que estão à margem onde merecem, no centro da sociedade”, disse o pároco durante a sua intervenção, louvando a criação e o trabalho do Centro de Inclusão Social, localizado em Avintes.

Depois, momento de assistir a um vídeo explicativo do espaço, e seguiram-se as intervenções. Eduardo Vítor Rodrigues salientou a iniciativa contida, tendo em conta a situação atual relativa à pandemia.  O autarca referiu que o projeto nasceu da “perspetiva de alavancar uma nova resposta que não tínhamos no concelho ou que tínhamos de forma muito escassa”, lembrando que existem três associações em Vila Nova de Gaia que trabalham com pessoas com deficiência, a CerciGaia, a APPACDM e a APPDA, e que colaboram, inclusive, com a Câmara no Gaia Aprende + i, no entanto que não são suficientes para apoiar tanta gente. O edil gaiense disse que, como terceiro maior concelho, em dimensão, do país, Vila Nova de Gaia tinha de “arranjar solução”, e daí nasceu este projeto que acaba por misturar várias modalidades, desde logo a escola-oficina, com a prestação de apoio e serviços médicos, e numa abordagem de rede, onde fazem uma ponte entre a instituição e as empresas, não esquecendo que este se trata de um modelo de teste, piloto, e que, como todas as experiências, pode ter falhas e/ou precisar de ajustes.

O Centro de Inclusão Social foi criado no espaço de uma antiga escola, que já não se encontrava em funcionamento. O autarca gaiense referiu que, também neste ponto, marcaram pela diferença, “optamos por requalificar nesta ótica, ao contrário do que costumamos fazer, numa vertente mais local, associativa”, uma vez que, normalmente, este espaços são cedidos às associações para fazerem as suas sedes.

Um investimento de 870 mil euros, “um investimento muito significativo, mas no qual acreditamos profundamente”, foram as palavras de Eduardo Vítor Rodrigues. “São quase 900 mil euros, tínhamos feito meia dúzia de asfaltamentos e teríamos mais popularidade, mas nenhum asfaltamento substitui o impacto que este equipamento vai ter na vida das pessoas e que pode vir a ser replicado, no concelho e fora dele”, disse o edil.

Eduardo Vítor Rodrigues referiu também que hoje, o Governo, colocou nas empresas outra responsabilidade, para que estas recebam no seu meio laboral pessoas com deficiência, uma vez que “não são as pessoas que normalmente enviam currículos e vão às entrevistas, mas são pessoas que são capazes de desempenhar uma enorme quantidade de funções da mesma forma que pessoas que não tem handicap nenhum”, referiu.

No entanto, o Centro de Inclusão Social do Magarão, em Avintes, será “um espaço de transição nunca um espaço de localização, há de ser um espaço de formação, capacitação, promoção psicossocial das pessoas, um local de transição entre o fim da escolaridade obrigatória e a entrada no mundo de trabalho”, salientou o presidente da Câmara que ainda disse que o dia da inauguração servia, também, para celebrar o trabalho da equipa muito alargada que estava ligada a este projeto. “Estou convencido que tocamos na vida das pessoas”, foi a conclusão de Eduardo Vítor Rodrigues sobre o Centro de Inclusão Social.

Já Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, referiu também a vertente simbólica do dia em que aconteceu a inauguração. Além de associar o momento como forma de agradecimento a todos os que têm estado, e principalmente, nesta época de pandemia, na linha da frente e a trabalhar diariamente com aqueles que mais precisam, notou, desde logo, a importância do investimento estrutural, sendo que o Centro de Inclusão Social de Gaia é exemplo desse investimento.

“Agradecer a quem, mesmo em plena época de necessidade de urgência, conseguiu responder não só do ponto de vista do momento, mas com investimento estrutural e é isso que hoje aqui estamos a fazer, tenho de agradecer à Câmara Municipal de Gaia, por ser uma fonte de inspiração e oxigénio para o que temos de levar em frente”, disse Ana Mendes Godinho. “A pandemia trouxe-nos um momento de reinvenção e de mobilização social, deu-nos uma legitimidade social acrescida para mudar o que tem de ser mudado e para acelerar o que tem de ser acelerado, ficou evidente na pandemia que temos fragilidade de resposta e do fator desigualdade que impera na nossa organização social”, continuou a ministra, que elogiou a forma como o povo português se uniu na pandemia.

“Um dia de enorme esperança”, foi assim que Ana Mendes Godinho apelidou o dia 3 de dezembro, e terminou dizendo que temos de “pensar que estamos todos no mesmo barco e nunca ninguém se salva sozinho”.

No final, os presentes fizeram uma visita ao espaço, de forma coordenada, e divididos por grupos, para respeitar as normas de segurança.